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Como trabalhar a autoestima em sala de aula

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Leo Fraiman Leo Fraiman

Leo Fraiman

Leo Fraiman é psicoterapeuta, escritor e palestrante. É autor da Metodologia OPEE, adotada atualmente por mais de 150 escolas em todo o Brasil, e também do livro "Como Ensinar Bem", pela Editora OPEE, além de outros títulos publicados nas áreas de Orientação Profissional, Familiar e de Educação. Site: leofraiman.com.br

Leo Fraiman

2014-09-11T15:33:53

11/09/2014 15h33

É importante ajudar os alunos a perceberem que, ao gostarem de si mesmos, sentem-se mais seguros e confiantes para tomar decisões e planejar seu futuro profissional.

Em 2009, 5% de todas as cirurgias plásticas do país foram feitas por pessoas com menos de 20 anos. O dado foi um dos resultados de uma pesquisa do IBGE divulgada em 2012. As crianças e jovens em nossa sociedade lidam cada vez mais cedo com temas relacionados à autoimagem e à aceitação pessoal, alguns fatores que influenciam diretamente na autoestima.

Autoestima tem origem no autoconceito – a imagem e a percepção que temos de nós mesmos – e está associada tanto a aspectos da personalidade como a influências ambientais. Ter uma autoestima elevada transmite confiança e gera motivação e empenho para o alcance de objetivos. Por outro lado, ter a autoestima rebaixada pode acarretar em situações de risco e desmotivação para os estudos.

Assim, o modo que uma pessoa trata a si mesma reflete em todas as suas relações e serve como modelo para tratar as pessoas com quem convive. Isso precisa ser transmitido para nossos educandos desde cedo, afinal, é a partir desse conceito pessoal que nos posicionamos em todas as áreas da vida e ele pode influenciar desde nossas escolhas profissionais até nossas ambições e sonhos.

Quando a autoestima de um aluno está baixa e sofrendo com críticas, em casa ou na escola, por exemplo, ele pode pensar que “não merece” sucesso profissional, que “não é digno” de ter e seguir seus sonhos, entre outros pensamentos sabotadores que o educador deve ajudar a combater. Caso eles tenham uma autoestima frágil, podem desanimar facilmente diante de tudo o que é demorado, difícil ou desafiador. Nesse processo, é fundamental conviver com professores e outros adultos que sejam referências saudáveis.

Muitas posturas podem ser evitadas, como o menosprezo, a ironia, as críticas vazias, o negativismo e a mesmice. A sala de aula deve ser um ambiente confortável e estimulante, que motive a autoestima dos alunos mostrando sua importância para o coletivo. Estimular essa construção sadia da própria imagem trará benefícios duradouros a todos.

Um estudo feito com adolescentes obesos no Canadá em 2012 mostrou que, mesmo quando não leva à perda de peso, a atividade física pode melhorar a autoestima, as habilidades sociais e até o desempenho escolar dos jovens. Já em Nova Iorque, a campanha “I’m a Girl”, realizada pela prefeitura junto à idealizadora Samantha Levine, em 2013, promovia a construção de uma autoestima saudável com foco em meninas pré-adolescentes entre 7 e 12 anos. O objetivo da campanha era evitar que elas desenvolvessem, no futuro, problemas como alcoolismo, depressão, uso de drogas e remédios para emagrecer, além de transtornos alimentares.

Uma pessoa com boa autoestima geralmente tem mais facilidade para se relacionar, é mais produtiva, aprende melhor, tem uma vida mais saudável, pois se cuida e se considera, percebe-se digna de amor, respeito, sucesso, e faz o que for preciso para obter isso da e na vida, favorecendo a capacidade de adaptação ao meio e ao bem-estar emocional e permitindo uma recuperação mais rápida diante de situações adversas. Como educadores, precisamos refletir: como anda nossa autoestima? O que estamos fazendo pela autoestima de nossos alunos? Só assim poderemos transformar um ambiente escolar desfavorável em um cenário de respeito, tolerância, aceitação e valorização das diferenças.

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