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Larvas - Metamorfose é processo característico de muitos animais

Maria Sílvia Abrão, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Olhe para você. Você sempre foi assim como é hoje?

Vamos pensar em um homem com oitenta anos de idade. Ele foi sempre como se apresenta hoje? Este homem já foi um bebê, uma criança, um adolescente, um adulto jovem, um adulto e se tornou um senhor, um homem velho. Mas, a estrutura básica de seu corpo sempre foi a mesma (cabeça, tronco e membros). Será que isso acontece com todos os animais?

No caso de uma borboleta, será que ela sempre foi daquele jeito que nós vemos? Você já viu uma taturana?

Aparentemente, taturanas, borboletas e mariposas são animais muito diferentes. As taturanas comem muito e rastejam. As borboletas e as mariposas voam. As primeiras se alimentam do néctar das flores, enquanto muitas mariposas nem sequer se alimentam (sabia?).

 

Metamorfose

Se capturarmos uma taturana (lagarta) e montarmos um vivário, cuidando dele corretamente (alimentando a taturana com folhas da árvore em que foi encontrada, limpando o local com frequência e deixando pequenos gravetos disponíveis para ela) presenciaremos uma grande transformação. Chegada uma determinada época, depois de ter crescido e comido muito, a taturana (lagarta) se recolherá, em um casulo (invólucro "feito de fios") e ocorrerá uma metamorfose.

A lagarta deixa de ser lagarta, sua forma e sua estrutura mudam. Seu corpo passa a funcionar de um outro modo. Na verdade ocorre a transformação de um ser em outro, a lagarta "vira" uma borboleta.

Dizemos que a lagarta é a fase larval (a criança) das borboletas e mariposas. Mas não são apenas as borboletas ou as mariposas que têm em seu ciclo de vida "corpos" tão diferentes, sendo o jovem uma lagarta comilona e o adulto um belo ser alado.

 

Larvas de outras espécies

As abelhas também possuem larvas que vivem nas colmeias. Os anfíbios - algumas salamandras, os sapos e as rãs - colocam na água seus ovos, dos quais também sai uma larva. No caso das salamandras assemelham-se às formas adultas de um modo geral. Mas as larvas de sapos e rãs são os conhecidos girinos.

Camarões, carrapatos, águas vivas, estrela-do-mar, lombrigas (aquele parasita dos intestinos humanos), cochas (os caramujos), possuem formas distintas nos seus ciclos de vida. Esses e muitos outros animais possuem fases larvais.

Você já encontrou uma goiaba com bicho? Pois é, o bicho da goiaba é a fase larval da mosca-da-fruta. Então, aquelas larvas brancas que, às vezes, podemos ver no lixo, são larvas de mosca. Você já ouviu fala em bernes? Eles também são larvas de mosca que se abrigam e se alimentam da pele de alguns animais, inclusive do homem.

 

Ninfa, a forma intermediária

Mas, não é apenas a fase larval que diferencia o ciclo de vida dos animais. Nos insetos e em alguns aracnídeos (carrapatos) há uma outra fase, conhecida como ninfa. Essa é a forma intermediária entre a larva e o inseto adulto (o adolescente). Em alguns casos, como o das baratas e gafanhotos, o inseto se desenvolve até a fase de ninfa dentro do "ovo".

Assim, as baratas e gafanhotos sem asas que vemos por aí são insetos jovens. Esses já têm "cara" de baratinhas e gafanhotos, apesar de ainda passarem por fases de crescimento até tornarem-se adultos com asas completas.

Maria Sílvia Abrão, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é bióloga, pós-graduada em fisiologia pela Universidade de São Paulo e professora de ciências da Escola Vera Cruz (Associação Universitária Interamericana).

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