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Professores são retirados à força de prédio do governo pela PM do Rio

Do UOL, em São Paulo

05/09/2013 00h42

Cerca de 200 professores da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro que ocupavam um prédio do governo --onde funcionam setores da Seeduc (Secretaria de Educação)-- desde a tarde desta quinta-feira (4), foram retirados à força pela Polícia Militar, por volta das 23h. Os docentes ainda acusam a polícia de agir com violência.

O grupo entrou no prédio, que fica na rua da Ajuda (centro da cidade), hoje à tarde, após uma assembleia durante a qual decidiram manter a greve da categoria, que começou no dia 8 de agosto. A próxima assembleia será realizada no dia 11 de setembro, às 14h. 

Os manifestantes anunciaram que permaneceriam acampados no prédio até serem recebidos pelo vice-governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB). Segundo o Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ), reunir-se com o secretário estadual da Educação, Wilson Rizolia, não produz efeitos, porque ele não teria autonomia para fazer acordos com a categoria. Sem acordo com Rizolia nem encontro agendado com Pezão, a PM entrou no prédio para expulsar os ocupantes.

Em nota, o Sepe acusa a PM do Rio de usar gás de pimenta contra os manifestantes e de “empurrar” os profissionais para fora do prédio. “[Essa] é a característica da PM do governador Sérgio Cabral, que não dialoga e prefere a violência, sempre”, diz o comunicado. Ninguém foi preso.

Após serem retirados do prédio da Seeduc, os cerca de 200 professores fizeram uma reunião em frente à sede e decidiram se retirar do prédio. Barracas que estavam montadas nas dependências do edifício foram desarmadas.

De acordo com o Sepe, os professores e funcionários administrativos “acreditam que já cumpriram o objetivo na mobilização de hoje de denunciar a falta de vontade de o governo de avançar nas negociações com o Sepe”.

Segundo o Sepe que representa a categoria, o prédio foi escolhido porque estaria ligado à Secretaria Estadual de Educação. No entanto, há dois anos a pasta transferiu-se para o bairro do Santo Cristo, na zona portuária. No antigo endereço funcionam atualmente outras pastas estaduais. Os manifestantes exigem uma audiência com o vice-governador Pezão para continuar a negociação

Segundo o Sepe, um grupo de representantes da categoria já conversou com o subsecretário de Gestão de Pessoas, Luiz Carlos Becker. Ainda de acordo com o sindicato, o subsecretário se comprometeu a intermediar a reunião com o vice-governador.

"Inapropriada e lamentável"

Em nota, a secretaria disse que a sede da secretaria não fica mais na rua da Ajuda, onde ocorre a ocupação e que outras secretarias funcionam no local. "A atitude dos sindicalistas, para a Secretaria, é inapropriada e lamentável, pois ocorreu após a reunião desta quarta-feira (4), solicitada pelo Sepe. Essa é mais uma demonstração de que o sindicato não busca negociação", diz o texto.

A secretaria ainda disse que fez quatro reuniões com o Sepe desde o início da greve. "A Seeduc, no entanto, lamenta que o sindicato já vá para os encontros pré-determinados a manter a greve. Exemplo disso está no fato de, na ata assinada nesta quarta-feira, o Sepe já ter solicitado 'nova audiência com a Seeduc antes da próxima assembleia prevista para 11/09/2013'."

Multa

Nesta quarta, a Justiça do Rio concedeu uma decisão favorável ao Governo do Rio e determinou a suspensão imediata da greve na rede estadual. Em caso de descumprimento, o Sepe será multado em R$ 300 mil, por dia. Segundo o desembargador Mário dos Santos Paulo, do Órgão Especial do TJ-RJ, a greve deve ser encerrada em 24 horas.

O Sepe disse que pretende recorrer da decisão.

Segundo a secretaria, a intenção é não deixar que os estudantes fiquem sem aulas, principalmente às vésperas do Enem, que ocorre em outubro. Hoje, cerca 800 professores faltaram ao trabalho e mais de 30 mil alunos perderam aulas. (Com Estadão Conteúdo)