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Com professores em greve, alunos do RJ estudam sozinhos para o Enem

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

26/09/2013 06h01

Pela internet, com a ajuda da irmã mais velha, em grupos de estudo ou até nos intervalos do trabalho. Enquanto uma parcela dos professores da rede estadual do Rio de Janeiro continua em greve, mesmo após decisão da Justiça que suspende o movimento, essas foram algumas das alternativas encontradas por alunos do 3º ano do ensino médio do Rio para enfrentar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), daqui a um mês, nos dias 26 e 27 de outubro.

Para quem não tem condições de pagar um curso pré-vestibular, vale qualquer estratégia para tentar “salvar o ano” e conseguir ingressar no ensino superior já em 2014. A maioria dos alunos, no entanto, demonstra desânimo e preocupação com os efeitos da interrupção das aulas de algumas disciplinas, desde 8 de agosto, no resultado da avaliação. Os professores se reúnem em assembleia na tarde desta quinta (26), na Tijuca, zona norte do Rio, para discutir os rumos do movimento.

Nesta quarta-feira (25), o UOL ouviu estudantes da Escola Estadual Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, zona sul do Rio de Janeiro, apontada pela Secretaria Estadual de Educação como uma das mais afetadas pela greve dos docentes.

“O ensino estadual já não é bom, sem professores, então, é ainda mais complicado. A gente tem que se redobrar em mil”, diz Alessandra Martins, 17 anos, que diz assistir a videoaulas na internet para tentar compensar a falta de alguns professores. “Também entro em alguns sites e blogs especializados e respondo simulados de provas antigas do Enem”.

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Para Talita Castro, 19, a greve pode ser determinante para o resultado do Enem. “Ter um professor para explicar dá muito mais chances de tirar uma nota boa”, afirma a estudante, que tem estudado com colegas. “Fazemos um grupo de estudos, trocamos apostilas e nos ajudamos” diz Talita. Além disso, ela conta com o auxílio da irmã mais velha, que é pedagoga e mora com ela. Talita pretende cursar engenharia de alimentos.

Sem aulas

Na turma de Patrick Richard, 18, mais ou menos 40% dos professores estão em greve, segundo ele. “Não tenho aulas de história, espanhol, religião, sociologia e filosofia. E matemática voltou só há pouco tempo”, lista. Para compensar os assuntos perdidos, ele conta que está estudando em casa, com o auxílio de livros e da internet, e em eventuais momentos de tempo livre durante o estágio.

“Meus estudos ficaram conturbados. A greve afetou minha rotina e pode atrapalhar meu desempenho na prova. Eu já sou aluno de escola pública. Com a greve, aumenta ainda mais a distância da gente para os estudantes de colégios particulares, que estão com tudo em dia”, comenta Patrick, que deseja cursar ou engenharia ou arquitetura, de preferência em uma instituição pública. “A luta dos professores é justa, mas quem acaba perdendo mais é a gente”, reclama.

Morador do Complexo de Lins, na zona norte do Rio, Danilo Cavalcanti, 18, demora mais de uma hora para chegar ao colégio. “Às vezes tenho que acordar 5h da manhã”, diz. “E agora, quando chego, às vezes só tenho uma aula. É complicado, porque eu trabalho em uma farmácia e o tempo que eu tenho pra estudar é mais o da escola mesmo”, lamenta Danilo, que diz estar tendo aulas apenas de química, biologia, matemática e português.

Amigo de Danilo, Douglas Rodrigues, 18, está mais confiante. “A greve atrapalha o nosso rendimento, mas acho que tenho condições de fazer um bom Enem porque estudo em casa”, afirma. Ele disse que pretende cursar geologia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) ou na UERJ (Universidade Estadual do Rio).

Apesar de preocupada, Yasmin Barbosa, 17, já está preocupada com os efeitos da greve na faculdade. “Depois os professores vão reclamar que quem passa por cota chega despreparado no ensino superior, mas não é nossa culpa”, defende.