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'Humanas e Sociais não são ideologia', diz grupo que reúne 6 mil cientistas

9.abr.2019 - O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de posse do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub - Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo
9.abr.2019 - O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de posse do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub Imagem: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Luciana Quierati

Do UOL, em São Paulo

26/04/2019 22h17

A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que representa mais de 6 mil cientistas, se manifestou hoje contra a proposta do governo de reduzir o investimento em faculdades de filosofia e sociologia.

"As Ciências Humanas e Sociais não são ideologias (...). Elas trabalham com metodologias científicas específicas, que incluem o levantamento cuidadoso de dados com o uso de questionários, entrevistas, análise de documentos e observações no campo de estudo, e suas conclusões estão baseadas em evidências".

A proposta foi anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) e tem, segundo ele, objetivo de direcionar os esforços do MEC (Ministério da Educação) para desenvolvimento de "áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como veterinária, engenharia e medicina".

Para a SBPC, tal pensamento é equivocado porque, mesmo não proporcionando retorno econômico imediato para a sociedade, as ciências humanas e sociais "contribuem fortemente" para o desenvolvimento científico e tecnológico do país e, consequentemente, para a melhoria das condições de vida da população.

Nova diretriz da educação

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, já havia dito ontem, durante a live semanal do presidente, que a educação brasileira deveria seguir um novo alinhamento, focado em carreiras que levem à geração de renda e deem retorno rápido ao cidadão que paga seus impostos.

"O que é que a gente tem que ensinar para as crianças e os jovens? Primeiro, habilidades, de poder ler, escrever, fazer conta. A segunda coisa mais importante, um ofício, que gere renda para a pessoa, bem-estar para a família dela, que melhore a sociedade em volta dela", disse Weintraub durante a transmissão.

Na nota, a SBPC se contrapôs à ideia de que basta conhecimento técnico para o desenvolvimento tecnológico.

"Requerem habilidades de liderança, inteligência emocional, compreensão da cultura, em outras palavras, um entendimento do contexto econômico e social que as Ciências Humanas e Sociais podem prover", diz a entidade.

A nota afirma ainda que as ciências sociais e humanas têm grande importância porque fornecem subsídios para o acompanhamento e avaliação das políticas públicas elaboradas pelos governos e pela sociedade e contribuem para a "formação de cidadãos com a capacidade crítica que a sociedade moderna exige".

Ao final da nota, a SBPC argumentou que críticas às ciências humanas e sociais ameaçam toda a pesquisa científica no país.

"Pretende-se restringir a formação universitária à mera aplicação de técnicas importadas e reduzir fortemente os investimentos em ciência, tecnologia e inovação, o que afetará profundamente as universidades e instituições públicas de pesquisa responsáveis por grande parte da produção científica e tecnológica do Brasil e colocará em risco a sobrevivência do sistema nacional de CT&I e a própria soberania nacional", diz o texto.

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