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Ao abordar a ciência, redação da Fuvest mantém-se filosófica e é mais atual

Quase 35 mil candidatos disputam 8.317 vagas para a Universidade de São Paulo (USP) - Eduardo Anizelli/Folhapress
Quase 35 mil candidatos disputam 8.317 vagas para a Universidade de São Paulo (USP) Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Giorgia Cavicchioli

Colaboração para o UOL

05/01/2020 18h52

Resumo da notícia

  • Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que o tema é bastante atual e traz uma discussão universal
  • Redação vale 50 pontos em um total de 200 pontos da segunda fase da Fuvest
  • A nota final do candidato será a média aritmética simples das três provas (primeira fase + as duas provas da segunda fase)

A prova de redação da Fuvest 2020, aplicada neste domingo (5), trouxe como tema "O papel da ciência no mundo contemporâneo". Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que o tema é bastante atual e que traz uma discussão universal. Como é de praxe, o assunto proposto é filosófico, porém é mais provocativo, atual e universal, à medida que o atual governo faz críticas contumazes à produção científica brasileira. No Vestibular 2019, por exemplo, o tema foi "De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente.

O material de apoio para a redação incluiu uma tirinha de Luis Fernando Veríssimo (As cobras: antologia definitiva), os textos "O papel da ciência na sociedade, do físico Oscar Sala, e "Usando a ciência para negar a ciência", de Alícia Kowaltowski, colunista do Nexo Jornal, o trecho de uma música de Gilberto Gil (Quanta) e no qual o cientista Carl Sagan critica a falta de compreensão da ciência e da tecnologia (Veja a prova aqui).

De acordo com o professor Sérgio Paganim, coordenador de linguagens do Anglo Vestibulares, a coletânea era bastante ampla. "Com base nos textos, podemos falar sobre os efeitos da ciência na sociedade, de progresso, mas dos efeitos negativos. O quadrinho, por exemplo, fala sobre isso. O texto de Alícia Kowaltowskifala sobre os resultados da ciência para negar a ciência. É possível também falar sobre o papel que a sociedade tem na valorização ou desvalorização da ciência", explica.

Segundo ele, era possível falar sobre uma sociedade em que as pessoas usam muito a ciência, mas que não a entende. "Essa sociedade fica refém de um autoritarismo e fica, na verdade, refém das fake news. A sociedade perde muito quando não entende a ciência e começa a atacar a ciência", afirma.

De acordo com Carolina Achutti, professora de português e redação do curso Descomplica, a prova exigiu do estudante atenção à importância da ciência na era da pós-verdade, em que as fake news estão cada vez mais sendo difundidas. "O tema foi perspicaz quando se considera que no último ano vimos cortes absurdos de bolsas de pesquisas científicas e a universidade pública brasileira ser escrachada em rede nacional. A Fuvest trouxe uma provocação extremamente relevante", afirma professora, lembrando que a Universidade de São Paulo (USP) é uma das maiores produtoras de ciência e de conhecimento no Brasil.

Segundo Carolina, os estudantes precisavam ter em mente como as "pseudociências" estão tomando o lugar de teorias comprovadas cientificamente.

Abordagens possíveis

"O tema da redação da Fuvest 2020 pode levantar mil possibilidades. Por exemplo: o aluno poderia pensar em uma discussão sobre o papel do Estado na promoção da ciência em prol da sociedade ou no papel das grandes instituições públicas na produção e divulgação da ciência", avalia Paganim.

De acordo com os professores de redação, outra abordagem poderia ser a relação entre a ciência, a verdade e as fake news. "Por exemplo, o estudante poderia falar sobre como a ciência oferece respostas que não são ideológicas, como a defesa anti-vacina ou o terraplanismo", diz.

De acordo com Maria Aparecida Custódio, do laboratório de redação do Objetivo, outra possibilidade seria levantar a importância da democratização da ciência para que as pessoas não caiam nas teorias da conspiração.

"É um tema universal, que ultrapassa as questões que estamos vivendo no Brasil. Um caminho poderia ser dissertar o acesso à ciência porque há um distanciamento entre a produção e a população que abre espaços para as teorias conspiratórias", afirma Maria Aparecida.

Outro caminho possível na argumentação, segundo Maria Aparecida, é a reflexão sobre como desenvolvimento da tecnologia pode aumentar ainda mais as desigualdades. "Os menos favorecidos não conseguiriam pagar por um tratamento de ponta descoberto a partir de pesquisas científicas, por exemplo".

Como é feita a pontuação?

O primeiro dia de prova vale 100 pontos, sendo 50 pontos para a prova de redação e 50 pontos para a de português.

A segunda prova também vale 100 pontos, sendo formada por 12 questões com o mesmo valor. Nesse dia, o candidato pode ser avaliado em duas a quatro disciplinas, dependendo da carreira escolhida. Se forem duas disciplinas, haverá seis questões para cada uma delas. Se forem três disciplinas, haverá quatro questões para cada uma. Se forem quatro disciplinas, haverá três questões para cada uma. A nota final do candidato será a média aritmética simples das três provas (primeira fase + as duas provas da segunda fase).

Datas importantes

Primeira chamada: 24 de janeiro

Segunda chamada: 31 de janeiro

Terceira chamada: 7 de fevereiro

Lista de espera: a partir de 26 de fevereiro

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