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Weintraub ameaça tirar mural de Paulo Freire do MEC: 'Fracasso da educação'

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante apresentação do Compromisso Nacional pela Educação Básica - Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante apresentação do Compromisso Nacional pela Educação Básica Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

07/05/2020 08h24

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, voltou a gerar polêmica nas redes sociais, ao ameaçar retirar um mural de Paulo Freire que fica em frente ao MEC, sede da pasta. Ele afirmou, no Twitter, que o patrono da educação brasileira "representa o fracasso da educação esquerdista".

"Devemos retirar o mural de Paulo Freire em frente ao MEC? Acho que deve ser mantido, até que o Brasil deixe de ser o PIOR país na América do Sul (PISA 2018). Paulo Freire representa o fracasso da educação esquerdista (FHC+PT). Um dia, o Brasil terá outro patrono da educação!", escreveu o ministro.

O post ainda trouxe foto de Dom Pedro 2º, com a frase: "Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre".

Quem foi Paulo Freire

Declarado pelo Congresso Nacional em 2012 patrono da educação brasileira, o educador e filósofo Paulo Freire é o brasileiro mais laureado com títulos de doutor honoris causa no mundo: pelo menos 35 universidades, de diversos países, já fizeram homenagens a ele.

Reprodução
Imagem: Reprodução

No governo federal, tanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não hesitam em associar a obra de Freire à má qualidade da educação no Brasil e a uma suposta doutrinação marxista nas escolas. Mas, segundo Sérgio Haddad, professor e biógrafo de Freire, o educador era crítico de regimes socialistas e jamais defendeu a doutrinação de alunos.

Freire (1921-1997) também é alvo constante de duras críticas por políticos conservadores e defensores do Escola sem Partido.

Nascido no Recife, Paulo Freire começou a ganhar atenção por volta dos anos 1960. Naquela época, o educador desenvolveu um método de alfabetização de adultos que considera o conhecimento prévio dos alunos para o processo de aprendizagem.

O modelo foi aplicado pela primeira vez em 1963 para um grupo de 300 trabalhadores de canaviais em Angicos, no Rio Grande do Norte. Registros da época dão conta de que, com isso, a alfabetização aconteceu em um tempo recorde de 45 dias.

O resultado da alfabetização em tempo recorde pela metodologia de Freire inspirou o Plano Nacional de Alfabetização, que multiplicaria pelo país a metodologia aplicada pelo educador em um único povoado.

Freire morreu em 1997, vítima de um infarto. Em 2012, foi aprovada pelo Congresso a lei que deu a Freire o título de patrono da educação brasileira.

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