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Covid-19 mostra ser inviável que pais eduquem filhos em casa, diz educador

Alex Tajra, Ana Carla Bermúdez e Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

12/05/2020 16h58

A pandemia de covid-19 fechou os portões das escolas e confinou dentro de casa pais e filhos. Alguns meses de quarentena foram suficientes para enfraquecer a tese de que os pais podem educar os filhos dentro de casa sem a ajuda das escolas.

A opinião é de educadores que hoje participaram de um debate no UOL mediado pela repórter Ana Carla Bermudez sobre as consequências da pandemia para a educação de crianças e jovens.

De acordo com o psicólogo e consultor em educação Rossandro Klinjey, muitas famílias estão assustadas por terem de lidar com o trabalho, a convivência familiar e a educação dos filhos durante o confinamento. "Há problema nas relações sociais, casamentos em crise, pessoas com medo", diz.

Temos pais sendo convidados, nem digo convidados, mas convocados a educar os filhos sem essas habilidades. A ideia de que as crianças podem ser educadas pelos pais, como algumas pessoas imaginavam, claramente não é uma questão viável
Rossandro Klinjey

Para o especialista, um dos processos mais importantes do aprendizado é o convívio social durante a infância e adolescência, o que não pode ser oferecido em casa durante a quarentena.

Além disso, afirma, as crianças de classe média passam por um "processo de desvirtuamento da atenção", graças a opções como vídeo game e entretenimento por streaming, como Netflix.

A professora, pesquisadora e gestora Adriana de Melo Ramos lembra que para os alunos da rede pública o problema é ainda maior. "Para algumas crianças jovens, ter recursos online e impressos não é suficiente", diz ao lembrar que muitas famílias são grandes e desestruturadas.

"Às vezes, eles vão para a escola para se alimentar, é na escola que vão conseguir estudar porque em casa não conseguem se concentrar", conclui.