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Comunicação e mediação docente

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Imagem: Getty Images
Leo Fraiman Leo Fraiman

Leo Fraiman

Leo Fraiman é psicoterapeuta, escritor e palestrante. É autor da Metodologia OPEE, adotada atualmente por mais de 150 escolas em todo o Brasil, e também do livro "Como Ensinar Bem", pela Editora OPEE, além de outros títulos publicados nas áreas de Orientação Profissional, Familiar e de Educação. Site: leofraiman.com.br

Leo Fraiman

2014-08-07T06:00:00

07/08/2014 06h00

Uma comunicação eficaz faz toda a diferença na relação dos pais com seus filhos e na dos educadores com seus educandos. Na verdade, todo relacionamento precisa de boa comunicação. Ela é a base da nossa sobrevivência: mesmo sem palavras, nos comunicar nos ajuda a sair do berço, a transpor os primeiros obstáculos de nossas vidas, a fazer amigos e a construir nossa identidade como indivíduos.

Como educadores, precisamos estar sempre atentos à comunicação em sala de aula. A Teoria da Comunicação estuda o que ajuda a comunicação a transitar melhor entre uma pessoa e as demais. Um primeiro conhecimento surgiu em 1970, com o trabalho do pesquisador americano e antropólogo Birdwhistell. Ele apontou algo que o senso comum já mostrava: as expressões muitas vezes dizem mais que as próprias palavras. Ele descobriu que 35% do significado social de uma conversa correspondem às palavras; os restantes 65% referem-se aos elementos não verbais da comunicação.

Poucos anos depois, em 1976, outro americano, Mark Argyle, mostrou que esse processo é ainda mais profundo e descobriu que a percepção de uma pessoa advém de 7% de elementos verbais; de 38% de elementos paraverbais – tom, voz, volume, ritmo, pausa –; e de 55% de expressões faciais.

É fácil notar isso no dia a dia. Todo mundo já deve ter passado por uma situação em que a pessoa apresenta o conteúdo mais interessante do mundo, mas não ouvimos, porque ela fala baixo, para dentro, muito alto, rápido ou devagar demais.

Ao nos comunicar com nossos alunos, portanto, precisamos atentar para alguns pontos comunicativos como: estilo, percepção, gestos e expressões faciais, espontaneidade, ritmo e inflexão de voz, eloquência, respiração, dicção, persuasão e improviso. São ferramentas indispensáveis para o bom orador, que deve estar atento a todos os estímulos que surgem durante o discurso e adaptar sua fala a eles. Um exemplo é ajustar o volume da própria voz ao tamanho e à acústica do ambiente.

Cabe ao ritmo e à inflexão da voz ajudar a determinar os pontos ou assuntos mais relevantes da fala. Por meio deles imprimimos a emoção no que está sendo dito, sem necessidade de muita gesticulação. A dicção, por sua vez, é a pronúncia correta e precisa das palavras, o que torna a fala mais respeitável e confiável. Ela está relacionada diretamente com a respiração correta e facilita a compreensão.

Apenas o orador que conhece o assunto pode senti-lo, emocionar-se e vivê-lo para, assim, conseguir impressionar, conduzir e “tocar” seus ouvintes.

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