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2ª prova da Unicamp deu luz a temas sociais e meio ambiente

Luciano Claudino/Codigo 19/Folhapress
Imagem: Luciano Claudino/Codigo 19/Folhapress

Carolina Cunha

Colaboração para o UOL

13/01/2020 20h28

Resumo da notícia

  • No segundo dia provas da segunda fase, provas foram de Matemática, Ciências Humanas e da Natureza e de conhecimentos específico
  • Para professores, o exame da Unicamp manteve o alto nível de dificuldade e trabalhou bem temas atuais
  • A lista dos aprovados em primeira chamada será divulgada m 10 de fevereiro

A 2ª fase do Vestibular Unicamp 2020 terminou hoje (13). Para professores de cursinhos consultados pelo UOL, a prova da Unicamp manteve as características propostas nas edições anteriores do exame, trazendo conteúdos clássicos do ensino médio. Nessa edição, porém, o destaque foi para assuntos sociais e do meio ambiente.

No segundo dia de exame, os candidatos fizeram uma prova dissertativa com seis questões de Matemática, duas interdisciplinares de Ciências Humanas e duas interdisciplinares de Ciências da Natureza, além da prova de conhecimentos específicos contou com 12 questões extras, conforme a opção de curso (veja aqui).

Vera Antunes, coordenadora do curso e Colégio Objetivo, avalia que a prova teve um bom nível, marcada por um grau de dificuldade maior e perguntas com temas atuais. "Foi uma prova repleta de atualidades e contextualizada. Teve muito texto e o aluno teve que realmente pensar. Apesar de pedir conteúdos clássicos, foi uma prova moderna".

Vitor Ricci, coordenador do Curso Poliedro Campinas, aponta que a prova foi marcada por temas sociais e ambientais. "Assim como no primeiro dia da segunda fase, a Unicamp manteve a coerência e cobrou assuntos e temáticas recorrentes. Ela traz uma prova política e ligada a questões ambientais e sociais. E isso mais uma vez aparece nesse vestibular". Como exemplo, ele cita uma questão específica de humanidades, que perguntava sobre a definição de "movimento social".

A prova de matemática foi considerada clássica, com temas recorrentes do ensino médio. As questões foram iguais em todas as provas e segundo os professores, apresentaram um grau de dificuldade de médio para fácil. "Foi uma prova sem surpresas e com assuntos clássicos. Foram seis questões bem diretas e com pouca contextualização", avalia Francisco Rocha, professor de matemática do Oficina do Estudante.

Entre os assuntos cobrados, a prova trouxe porcentagem (trabalhando com dados em uma tabela), geometria plana (com conceitos clássicos como área e triângulo) trigonometria e função trigonométrica e matriz com sistema linear.

Para Edmilson Motta, coordenador Geral do Grupo Etapa, as questões foram tranquilas. "A questão de probabilidade foi bem simples e foi a primeira da prova. Houve predomínio de geometria e áreas correlatas, o que foi uma novidade para a Unicamp. Uma questão mais exigente foi a de demonstração, que pode ter assustado alguns candidatos por conta do tipo de pergunta". O professor destaca ainda algumas características, como a predominância do item A com perguntas mais fáceis que o item B.


Questões interdisciplinares

Para a professora Vera Antunes, do Colégio Objetivo, as perguntas mais difíceis foram as interdisciplinares. "As questões interdisciplinares apresentaram um grau de dificuldade maior, o aluno realmente tinha que estar preparado".

A primeira questão interdisciplinar foi a de Ciências Humanas e envolveu História e Geografia. Ela pedia para o aluno explicar direção dos ventos alísios no Atlântico Sul e a sua funcionalidade no transporte marítimo. "O aluno tinha que saber que o movimento sopra da direção da África para o Brasil, o que influenciou as rotas marítimas coloniais mercantis, como o tráfico de escravos", conta Vera Antunes.

O outro item de humanidades tratou dos direitos trabalhistas na Era Vargas. O aluno deveria fazer uma conexão da história dessas conquistas com as mudanças atuais que o Brasil passa.

A questão interdisciplinar de Ciências da Natureza trouxe as disciplinas de Biologia e Química. A primeira questão abordou os desastres ambientais de Mariana e Brumadinho. o aluno deveria explicar as possíveis consequências ambientais para os ecossistemas. A segunda questão pedia um substituto com equivalência nutricional do arroz e feijão, típico prato brasileiro e abordou as transformações do prato no organismo para quem tem diabetes.

Conhecimentos específicos

As provas de conhecimentos específicos contaram com questões que aprofundaram com maior detalhamento os conteúdos do Ensino Médio. "As questões específicas estavam com uma dificuldade muito maior do que a Unicamp costuma cobrar", avalia Vitor Ricci, coordenador do Curso Poliedro Campinas.

Candidatos da área de Ciências Biológicas ou da Saúde tiveram seis questões de Biologia e seis de Química. Os da área de Ciências Exatas e Tecnológicas, seis questões de Física e seis de Química. Os candidatos das Ciências Humanas e Artes seis questões de Geografia e seis de História, que englobam também conteúdos de Filosofia e Sociologia.

História

A prova de História é voltada para alunos críticos e que estejam atentos aos assuntos em evidência no cotidiano. As questões de história trouxeram como características as relações entre passado e presente.

Segundo a professora Vera Antunes, do Objetivo, a prova foi a mais difícil das Ciências Humanas. "De todas as matérias, história foi a que mais fugiu do padrão do Ensino Médio. Exigiu do aluno um pensamento crítico, foi uma prova de um alto nível",avalia.

A professora destaca as questão que associa os filósofos Aristóteles e Platão aos temas de cidadania e democracia e uma pergunta que trazia o tema do negacionismo histórico, nos debates sobre o Holocausto na internet. Houve ainda uma pergunta que pedia para o aluno refletir e relacionar as diversas conferências da Onu sobre meio ambiente e clima.

Para o professor Antunes Rafael dos Santos, a questão que mais chamou atenção foi sobre a Revolução Puritana. "É um assunto muito pontual, muito específico, e que não é comum se ter desta maneira trabalhada no Ensino Médio e nos cursos pré-vestibulares".

Geografia

As questões de Geografia trouxeram temas contemporâneos, como os movimentos de contestação social em Hong Hong, a exploração mineral da República Democrática do Congo e uma questão sobre o relevo brasileiro, associado à mineração.

"A prova cobrou uma diversidade de assuntos como geografia física, humana e econômica, Foram assuntos bem contemporâneos", avalia Antunes Rafael dos Santos, diretor-pedagógico da Oficina do Estudante.

Uma questão chamou a atenção, por abordar os movimentos sociais no mundo atual. O aluno deveria conceituar movimentos sociais e dar exemplos relacionados ao meio urbano brasileiro.

Química

A prova de química foi considerada exigente para os professores e teve ênfase em química ambiental, com questões contextualizadas, mas técnicas, que procuraram aproximar a química do cotidiano do aluno.

"A prova no geral trouxe um alto nível de dificuldade. A banca está preocupada que o aluno use o conteúdo como uma ferramenta para resolver problemas. A prova trouxe muita análise de gráficos e tabelas. Chama a atenção a grande quantidade de temas com problemas ambientais", diz Viktor Lemos coordenador do Anglo Vestibulares.

O professor destaca a questão 19, que traz uma pesquisa sobre descarte de materiais e decomposição no meio ambiente. "O aluno deve interpretar os dados e tirar suas próprias conclusões", diz Lemos.

Física

Os alunos que fizeram a segunda fase para cursos de ciências exatas tiveram cobrança de assuntos clássicos de física como cinemática, hidrostática, elétrica, calorimetria e ótica.

"O candidato tem que saber a física como um instrumento para resolver problemas, interpretar gráficos e informações e realizar alguns cálculos matemáticos. Chama atenção as questões 12 e 13 por cobrar do candidato habilidades de interpretação", avalia Viktor Lemos, do Anglo Vestibulares.

Uma questão trouxe um tema da atualidade - o cinquentenário da chegada do homem à Lua com a missão Apollo 11.

Biologia

A prova de Biologia foi considerada complexa pelos professores. Já os assuntos cobrados foram clássicos: evolução, parasitologia e impacto do ser humano nos ecossistemas.

Para o professor Viktor Lemos, a questão que mais chama atenção é a 13, que trata de genética molecular. "Ela envolve uma situação problema, que pede ao candidato uma capacidade de análise e interpretação textual. Busca mesmo a ideia de explicar um método científico. É uma questão bastante moderna para o futuro estudante universitário".

O vestibular

A segunda fase do Vestibular Unicamp 2020 teve início neste domingo (com as provas de Redação, Língua Portuguesa e Literturas de Língua Portuguesa, e Inglês.

As avaliações de habilidades específicas (exigidas aos candidatos de arquitetura e urbanismo, artes cênicas, artes visuais e dança) serão entre os dias 20 e 24 de janeiro.

As respostas esperadas das provas da segunda fase serão divulgadas a partir da quinta-feira (16). A lista dos aprovados em primeira chamada será divulgada em 10 de fevereiro no site da Unicamp.

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