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Conteúdo publicado há
3 meses

Pastor de suposto lobby esteve 24 vezes no Palácio do Planalto, diz TV

13.jan.2021 - Reunião do ministro da Educação com prefeitos em Brasília, com a presença dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura - Reprodução/Instagram/mribeiro.mec
13.jan.2021 - Reunião do ministro da Educação com prefeitos em Brasília, com a presença dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura Imagem: Reprodução/Instagram/mribeiro.mec

Do UOL, em São Paulo

25/03/2022 21h50Atualizada em 28/03/2022 15h43

O pastor Arilton Moura, citado como parte do suposto "gabinete paralelo" do MEC (Ministério da Educação), esteve 24 vezes no Palácio do Planalto no primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação foi mostrada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, com base em informações do gabinete institucional da Presidência. A agências de notícias Sportlight adiantou a informação pela manhã.

A presença dele foi registrada em 19 dias diferentes. A primeira vez foi duas semanas após a posse, em 16 de janeiro de 2019.

Depois, a partir de abril daquele ano, foram pelo menos três visitas mensais até setembro, quando Arilton esteve no local apenas uma vez. Em agosto, foram seis entradas, sendo duas no dia 8 e duas no dia 28. Após esse período, não há mais informações, porque o pedido via Lei de Acesso à Informação data do dia 9 de setembro de 2019.

De acordo com a agenda oficial do presidente Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2021, ele e o outro pastor apontado no esquema, Gilmar Santos, estiveram juntos pelo menos quatro vezes. Arilton compareceu a dois desses.

Em fotos desses dias, os pastores também aparecem com o vice-presidente, Hamilton Mourão. Em outros registros, aparecem os ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira, da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, e de Milton Ribeiro, da Educação.

Além disso, o pastor Arilton Moura foi colocado como convidado de uma comitiva do MEC em um voo da FAB (Força Aérea Brasileira), no dia 26 de maio de 2021. O ministro também estava na viagem. Questionada pela reportagem, a pasta disse que o registro "foi um equívoco".

Entenda o caso

Na gravação divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, o ministro Milton Ribeiro aparece afirmando que o governo federal priorizava o atendimento de pedidos de verbas de municípios que eram indicados por dois pastores evangélicos, Gilson Santos e Arilton Moura.

Segundo o ministro, o tratamento especial "foi um pedido especial que o Presidente da República fez". Sem cargos, eles atuam em um esquema informal de obtenção de verbas do MEC (Ministério da Educação).

Na conversa, participaram prefeitos, os dois religiosos e lideranças do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Na reunião, que aconteceu dentro do MEC, o ministro falou sobre o orçamento da pasta, cortes na educação, e ainda sobre a liberação de recursos para essas obras

"Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar", diz o ministro.

Pastor citado nega ter recebido propina

O pastor Gilmar Santos negou veemente ter recebido ou contribuído para o recebimento de propina. Pelas redes sociais, Santos disse que repudia as acusações de ter participado do suposto esquema.

"Nego, peremptoriamente, a falácia de que pedi, recebi, mandei pedir, ou, de alguma forma, contribuí para o recebimento de propina, ou qualquer outro ato de corrupção junto ao Ministério da Educação, bem como ao atual ministro titular da pasta", falou.

O pastor isentou o presidente Jair Bolsonaro (PL) de culpa, como Ribeiro também fez. "Gostaria de externar que nenhum pedido fora feito ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República", afirmou. O ministro da Educação admitiu ter se encontrado com Santos e Arilton Moura, mas negou a existência de um gabinete paralelo e disse que não deixará o cargo.