"Queridinha" de Lula e com apenas sete anos de existência, UFABC aprende a fazer greve

Suellen Smosinski
Do UOL, em São Paulo

Criada em 2005, a UFABC (Universidade Federal do ABC) enfrenta sua primeira greve de docentes, de servidores e de estudantes. Com corredores vazios e salas trancadas, o movimento no campus de Santo André, na última terça-feira (10), estava nas reuniões dos comandos de greve e em algumas aulas de dança e esportes. A universidade está com atividades paralisadas desde o início de junho.

Sediada em uma região de greves históricas, onde surgiu como sindicalista o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a UFABC foi escolhida para ser carro-chefe da expansão das universidades federais.  

Os universitários ouvidos pelo UOL dizem que estão "aprendendo a fazer greve" e consideram o momento como uma "grande lição de cidadania". "Esperamos que seja realmente essa mudança na educação que a gente quer há tanto tempo", afirmou o estudante Gabriel Camargo, 20, que faz o BCT (Bacharelado de Ciência e Tecnologia).

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Em sua primeira greve, os estudantes têm tido participação ativa em protestos e alguns chegaram a ir a reuniões em Brasília. Também estiveram presentes em uma manifestação na semana passada durante a inauguração de uma unidade de saúde em São Bernardo do Campo, com a presença da presidente Dilma Rousseff.

Sem experiência em movimentos grevistas, todos os atos são novidades para os alunos. "Infelizmente o pessoal não tem muito essas cultura de participar de mobilização popular, mas estamos conseguindo reunir bastante gente nas atividades que a gente propõe", afirmou o estudante Ricardo Rodrigues de Mendonça, 24. 

O comando de greve organizou uma festa junina para professores, estudantes e funcionários que levou à universidade também pais de alunos. Criaram ainda uma exposição sobre o histórico de greves na região.

Roberta Kelly de França, coordenadora do SinSIFES-ABC (Sindicato dos Servidores das Instituições Federais de Ensino Superior do ABC), destaca a importância dos atos realizados em conjunto por alunos, professores e funcionário. "Apesar dos prejuízos inerentes à greve, nós estamos conseguindo discutir sobre temas importantes na universidade, como política e democracia."

Os estudantes iniciaram sua paralisação no dia 4 de junho e os professores, no dia 5. Segundo membros do comando de greve, a assembleia que decidiu a greve discente teve participação de 1.200 alunos -- dos 5.513 matriculados --  e "já é considerada histórica".

A aluna de filosofia Bruna Ferraz Braga, 18, conta que assim que começaram os boatos sobre a paralisação procurou conversar com os professores para entender quais eram as reivindicações. "Eu percebi que eram válidas e passei a apoiar os professores e também os técnico-administrativos." 

"Se me perguntassem se eu que queria a greve, eu iria responder que não. Mas eu apoio essa causa, é uma causa justa, não só pelo aumento, mas pela reestruturação da carreira", pondera Carlos André Rodrigues, 25, aluno do BCT.

Provas em julho

Enquanto na maioria das universidades julho é mês de férias, na UFABC os alunos estariam em semana de prova. O calendário da universidade é estruturado no sistema de quadrimestre e as férias aconteceriam apenas em setembro. "Achamos que o governo pensa que está todo mundo em férias, mas a gente estaria em aula. Para nós, é urgente que eles consigam um acordo, para começarmos logo as reposições", afirmou Bruna. 

Alexandre Luppe, 23, aluno do curso de filosofia, chama atenção para a situação dos novos estudantes: "Aqui, os ingressantes entram só em maio, então eles começaram as aulas e já pegaram a greve. Estamos preocupados com a taxa de evasão dos nossos 'bixos', que já costuma ser alta", explica. 

Servidores

Os servidores paralisaram as atividades no dia 11 de junho e garantem a continuidade apenas de serviços essenciais como, pagamento de bolsas aos alunos, pagamentos de funcionários terceirizados e de contratos vigentes.

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