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'Não são os Black Blocs que soltam bombas de gás', diz diretora do Sepe

Cristiane Capuchinho*

Do UOL, em São Paulo

08/10/2013 15h56

O Sepe- RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro) considerou violenta a atuação da PM (Polícia Militar) durante o protesto a favor da educação que aconteceu nessa segunda-feira (7) no centro do Rio. A manifestação, que reuniu 10 mil pessoas, terminou em confronto entre manifestantes e policiais. Ao menos 14 pessoas foram detidas

"É totalmente desproporcional a forma como a polícia trata os manifestantes. Não são os 'Black Blocs' que soltam bombas de gás ou gás pimenta durante o protesto", afirmou Wiria Alcântara, diretora do Sepe. Segundo ela, a polícia voltou a utilizar bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de gás pimenta na região da Cinelândia, onde fica a Câmara de Vereadores.

"O protesto seguiu pacífico até a Cinelândia sem que a polícia acompanhasse." O número de PMs destacados para a ação no protesto de ontem foi reduzido: havia 500 policiais; no protesto dos professores da rede municipal do dia 1° de outubro havia 700 policiais atuando. Após conflitos, foram feitas denúncias de flagrante forjado e excessos da PM

Black Blocs

Os representantes do sindicato não condenaram a ação de Black Blocs no protesto, mas pedem que a autoria de atos de vandalismo seja investigada. 

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"A nossa manifestação de ontem foi apoiada pela sociedade civil. Nós não impedimos a participação de nenhum grupo, ao contrário, qualquer ajuda é bem-vinda", asseverou Alex Trentino, coordenador-geral do Sepe-RJ. 

"Estamos vivendo uma situação complicada, em que há agentes [da polícia] infiltrados nas manifestações. Não se pode dizer quem começou os confrontos e não se apura quem comete ou como se iniciam os atos de vandalismo. Acho que ainda há muita coisa para ser entendida nesses conflitos", completou Wiria. 

No protesto de segunda-feira (7), um grupo de manifestantes mascarados fazia o cordão que abre a passeata -- como costumam fazer os Black Blocs. Durante a noite de ontem, ao menos cinco ônibus foram atacados, agências bancárias quebradas e um dos salões da Câmara de Vereadores foi incendiado.

Perguntada se os Black Blocs continuarão a ser aceitos nos protestos dos professores, a diretora do sindicato respondeu: "As ruas pertencem ao povo e a luta pela educação pública é de todos, principalmente dos filhos das classes trabalhadoras, que frequentam a rede pública."

Ação correta da PM

O presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Felippe (PMDB), considerou correta a atuação da PM na noite de segunda-feira. Questionado pela reportagem do UOL do porquê de não empregar o mesmo efetivo policial quando da votação do plano de cargos e salários dos professores no último dia 2, disse que se trataram de “situações  diferentes”.

“Era uma situação diferente. No dia da votação, o protesto se concentrou na Cinelândia . Ontem a manifestação começou na Candelária e terminou na Cinelândia obrigando os policiais a se dispersarem.  Imaginávamos que seria uma manifestação pacifica. Não imaginávamos que os Black Blocs viriam com toda a virulência. A Câmara estava protegida pela segurança da casa, o que não se estava preparado era para essa violência".

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, também defendeu a ação da PM e disse que a ordem era a PM impedir o vandalismo.

"A determinação foi garantir a manifestação e impedir as ações de vandalismo. O que assistimos foi que a polícia passou a agir quando houve a ação dos vândalos. Essa separação entre a garantia da manifestação legítima e o combate aos vândalos se deu, mas obviamente não tem uma instantaneidade. Tem uma multidão de 15 mil, 20 mil pessoas andando nas ruas de maneira pacífica. E ao acabar a manifestação ficam aqueles vândalos, que de maneira desordenada, saem pela cidade agredindo o patrimônio público e privado. E aí sim, a polícia age para evitar", afirmou.

* Colaborou Felipe Martins, do Rio