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Estudantes fecham cruzamento da Rebouças com a Faria Lima, em São Paulo

Fabiana Maranhão

Do UOL, em São Paulo

2015-11-30T08:48:45

2015-11-30T13:00:10

30/11/2015 08h48Atualizada em 30/11/2015 13h00

Um grupo formado por cerca de 50 estudantes fechou na manhã desta segunda-feira (30) o cruzamento das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Rebouças, na região de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, para protestar contra a reorganização escolar promovida pelo governo estadual, que levará ao fechamento de 93 unidades de ensino.

A interdição começou por volta das 7h30 e complicou o trânsito na região. Os estudantes chegaram a sentar em cadeiras colocadas no cruzamento. O clima ficou mais tenso quando policiais militares tentaram retirar as cadeiras.

Por volta das 9h, o protesto causava um longo congestionamento na Faria Lima e no corredor da Rebouças. A avenida Faria Lima estava parada no sentido Itaim Bibi, desde a avenida Pedroso de Moraes até a Eusébio Matoso. No corredor da Rebouças, o trânsito estava parado da rua Capote Valente até a Brigadeiro Faria Lima. No sentido oposto, os motoristas encontravam lentidão desde o viaduto João Jorge Saad até a Faria Lima.

"Já fizemos atos, já ocupamos escolas, mas não fomos ouvidos, e o governo continua sem querer negociar", disse um deles. "Vamos parar a cidade, vamos parar São Paulo", afirmou outra jovem. Aproximadamente dez policiais acompanhavam o protesto na manhã desta segunda.

O plano de reorganização defendido pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) prevê concentrar séries semelhantes numa mesma escola. Para isso, 300 mil estudantes terão de mudar de colégio em 2016, e 93 unidades serão fechadas.

Ontem (29), o chefe de gabinete da Secretaria da Educação, Fernando Padula, se reuniu com dirigentes regionais de ensino para convocar um mutirão de visitas às escolas ocupadas no Estado, que deveria ser realizado a partir desta segunda-feira. Segundo o áudio da reunião, que vazou e foi publicado nas redes sociais, o objetivo seria convocar pais e alunos para tentar desmobilizar o movimento que ocupa mais de 170 escolas no Estado.

"O governo declarou guerra, nós consideramos isso um absurdo. Como se declara guerra antes de negociar? Nós estamos mostrando que estamos na rua e não só nas escolas”, disse um estudante sobre o áudio da reunião.

Bloqueio

Na manhã desta segunda, a diarista Patrícia Xavier observava a manifestação na Faria Lima. “[O protesto] está causando um transtorno grande, mas tem que apoiar sim”, diz ela, que apoia o movimento contra a reorganização das escolas. “Estudei até a 5ª série, mas o que eu tenho para mim eu não quero para os meus filhos”. Patrícia tem dois filhos, um de nove meses e um de 11 anos, que estão na rede pública.

Já Robson Will criticou o bloqueio da via pelos estudantes. “Eu acho tudo isso um absurdo, tanto o fechamento das escolas como o travamento do trânsito”, diz.

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