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Educadora do Ano 2019: "A gente aprendeu com Paulo Freire a dar voz"

Joice Maria Lamb, 47, eleita a Educadora do Ano de 2019 - Divulgação
Joice Maria Lamb, 47, eleita a Educadora do Ano de 2019 Imagem: Divulgação

Giorgia Cavicchioli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

02/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Coordenadora pedagógica do RS recebeu o prêmio
  • Projeto é baseado em gestão democrática de escola
  • Alunos passaram a explorar mais o ambiente escolar
  • E docentes reavaliaram suas práticas pedagógicas

Pais que não participam, professores pouco comprometidos, alunos indisciplinados e com pouco interesse em aprender. Em vez de responsabilizar a comunidade pelo mau desempenho na aprendizagem, Joice Maria Lamb, 47, olhou para os problemas reais de uma escola para obter engajamento e enfrentá-los de forma coletiva e democrática. Ela foi eleita, na noite de segunda-feira (30), a Educadora do Ano.

Joice é coordenadora pedagógica da EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Profª Adolfina J. M. Diefenthäler, em Novo Hamburgo (RS). A cerimônia, realizada pelas Fundações Victor Civita e Roberto Marinho, a premiou pelo projeto #aprenderecompartilhar - Escola Inovadora", um dos 10 vencedores da 22ª edição do prêmio Educador Nota 10.

Posicionar-se faz parte da vida. Todos precisam se posicionar: alunos, pais, professores? O que precisa é ter respeito. Isso foi o que a gente aprendeu com Paulo Freire: dar voz"

O trabalho da coordenadora começou em 2012. A escola tem aproximadamente 765 alunos matriculados em turmas da educação infantil até o último ano do ensino fundamental. "Quando nós chegamos aqui, havia uma sensação de impotência muito grande em relação aos problemas que existiam: alto índice de reprovação, alunos com distorção de idade e série, Ideb baixo e problemas de convivência", lembra.

Com o apoio da direção para construir uma gestão democrática, por meio de assembleias de pais, alunos, professores e funcionários, Joice foi, aos poucos, subvertendo a forma tradicional de ensino. Alunos passaram a trocar mais informações com colegas de turmas e idades diferentes e a explorar o ambiente escolar. Já os docentes puderam reavaliar suas práticas pedagógicas em formações planejadas com base nas necessidades de professores e alunos.

O projeto #aprenderecompartilhar engloba um conjunto de ações para os problemas reais da comunidade da Adolfina. Uma delas, por exemplo, é o projeto de matemática, que nasceu do pedido de um aluno do 6º ano com dificuldades para aprender e propõe uma resolução colaborativa de problemas —com foco no raciocínio e não no ensino de fórmulas.

Joice Maria Lamb (à dir.), durante atividade em escola de Nova Hamburgo (RS) - André Feltes/Divulgação
Joice Maria Lamb (à dir.), durante atividade em escola de Nova Hamburgo (RS)
Imagem: André Feltes/Divulgação

Outra ação é o Fora da Caixa, no qual alunos de diferentes idades participam de oficinas ao lado de professores para trocar informações e aprendizados —todos são autores. No projeto de contação de histórias, docentes contam histórias para turmas diferentes, incentivando a leitura e a convivência. A escola realiza ainda uma feira Anual de Iniciação Científica, na qual os estudantes do Ensino Fundamental 2 escolhem seus temas para pesquisa e seus orientadores.

"A gente tem que sonhar junto com os alunos. Precisamos ouvi-los e ouvir a comunidade escolar", afirmou a educadora, cuja trajetória de aluna e professora foi construída na escola pública. Como resultado do projeto, a comunidade escolar passou a olhar para os seus problemas e a buscar soluções dentro do próprio grupo.

EVOLUÇÃO DA EMEF Profª Adolfina J. M. Diefenthäler

Nota no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)

  • 2013 - 4,4
  • 2015 - 5,3
  • 2017 - 5,1

Fonte: Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas

Educação