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'Algum dia volto à escola?': alunos do ensino médio falam de temor por 2021

Vitória Luiza Alves de Souza, estudante - Arquivo pessoal
Vitória Luiza Alves de Souza, estudante Imagem: Arquivo pessoal

Guilherme Botacini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/12/2020 04h00

Quando o primeiro caso do novo coronavírus foi identificado no Brasil, no final de fevereiro, nenhum estudante podia imaginar que, em dezembro, estaria se perguntando: "Será que algum dia volto para a escola?".

Essa dúvida, porém, extrapolou a realidade dos alunos do terceiro ano do ensino médio e já faz parte das expectativas de quem está terminando o segundo ano.

Sem qualquer previsão de retorno presencial às salas de aula —e com idas e vindas de uma possível reabertura controlada—, alguns alunos já têm a impressão de que o ensino a distância pode se repetir por todo 2021.

É o caso de Isabella Ribeiro Silva, 16, que está no segundo ano do ensino médio do Colégio Objetivo, em São Paulo.

"É meio decepcionante pensar nisso", afirma. "Ao ter aula em casa, no próprio quarto, é mais difícil prestar atenção nas aulas e tirar dúvidas do que presencialmente."

Ela também lamenta a possibilidade de perder o último ano de convivência na escola, além da viagem com as amigas para comemorar a formatura. "Ninguém cancelou ainda, mas provavelmente será cancelado", diz.

A estudante também mudou os planos para os vestibulares. Ela pretendia fazer o Enem como treineira, mas desistiu, por não se sentir segura o suficiente para fazer a prova durante a pandemia.

Vitória Luiza Souza, 16, é estudante do segundo ano do ensino médio na escola estadual de ensino integral Professor Atílio Innocenti, em São Manuel (SP), e também mudou os planos em relação às provas de fim de ano. Ela prestaria a Fuvest como treino neste ano, mas desistiu, e deve só fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

"Até estava botando fé que a gente voltasse às aulas presenciais, mas umas semanas atrás fiquei sem perspectiva, comecei a pensar que nunca mais voltaria", diz Vitória.

Além de ter percebido a defasagem de conteúdos por conta do ensino remoto, também a expectativa de viver a experiência do último ano da escola vai ficando para trás.

Perdi a esperança de fazer formatura, de curtir meu terceiro ano. Estamos todos ansiosos, queremos saber o que vai acontecer
Vitória Luiza Souza, estudante

Giovanna Silva, 16, aluna do Colégio Anglo São Paulo e também no segundo ano, já sabe que 2021 vai ser um ano longe da normalidade. "A gente tenta compreender a situação, mas sinto como se meu terceirão tivesse sido roubado de mim", lamenta.

Giovanna Silva, 16, aluna do Colégio Anglo São Paulo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Giovanna Silva, 16, aluna do Anglo
Imagem: Arquivo pessoal
Ela afirma que o ensino remoto não deve passar de julho do ano que vem, apesar de se sentir mais segura para voltar só com a vacina.

Embora tenha se adaptado à rotina do ensino a distância, Giovanna reconhece que a nova situação trouxe junto uma série de efeitos negativos que podem perdurar por boa parte do ano que vem.

"Ficamos muito sozinhos, desenvolvemos ansiedade. Não aguento mais olhar para telas de celular e computador. E até minha coluna sinto que está prejudicada", diz.

Com o fim do ano letivo e as notícias de avanços no desenvolvimento das vacinas contra o vírus, a discussão sobre a volta presencial ficou mesmo para o ano que vem.

No estado de São Paulo, o retorno às aulas presenciais no ensino médio chegou a ser liberado para o dia 7 de outubro, com limitação de ocupação de acordo com o Plano São Paulo, ainda que atividades extracurriculares estivessem autorizadas desde setembro.

Na capital paulista, o anúncio de que as aulas regulares retornariam no dia 3 de novembro foi feito pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) no final de outubro.

Escolas particulares, no entanto, logo voltaram ao ensino 100% online por medo de uma explosão nos casos dentro das escolas após alunos contraírem o vírus.

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