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15 dias

Bolsonaro diz que Enem 'está mudando', mas critica 'questões de ideologia'

Do UOL, em São Paulo

22/11/2021 11h36Atualizada em 22/11/2021 13h50

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) "está mudando", mas fez críticas ao que considera questões de ideologia sem citar especificamente a quais perguntas do exame aplicado ontem se referia.

Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a negar interferência do Governo na elaboração da prova, mas reafirmou seu posicionamento para que haja uma mudança nos temas da prova. Na semana passada, o presidente disse que o Enem estava "ficando com a cara do Governo", o que gerou temor de que houvesse interferência.

"Tão acusando o Milton (Ribeiro, ministro da Educação) de ter interferido na elaboração das provas. Se ele tiver essa capacidade e eu, não teria nenhuma questão de ideologia nesse Enem agora, que teve ainda. Você é obrigado a aproveitar banco de dados de anos anteriores. Você e obrigado a aproveitar isso aí. Dá para mudar? Já está mudando", disse.

Bolsonaro não citou nenhuma questão em especial deste Enem que tenha o incomodado. Na avaliação de professores ouvidos pelo UOL, questões sociais apareceram, mas de forma indireta na prova. População indígena, racismo, e a música "Admirável Gado Novo" foram alguns temas que surgiram nas questões do primeiro dia do Enem.

Como forma de exemplo do que considera mudanças na prova, Bolsonaro fez referência indireta a uma questão do exame de 2018. Na ocasião, o recém-eleito presidente criticou uma pergunta que trazia pajubá como "dialeto secreto" entre gays e travestis.

""Vocês não viram mais a linguagem de tal tipo de gente, de tal perfil... Não existe isso aí. O que cara faz dentro das 4 paredes é problema dele. Agora não tem mais aquilo, a linguagem neutra de não sei o que, não tem mais", disse.

Professores afirmam que não há motivo para polêmica, já que o Enem sempre tratou de variedade linguística ou até mesmo preconceito linguístico.

Servidores relatam pressão

Às vésperas da edição de 2021, denúncias de supostas interferências nas questões do exame passaram a surgir no noticiário. No início do mês, mais de 30 servidores do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) — órgão responsável pelo Enem— pediram exoneração de seus cargos.

Reportagem do Fantástico, da TV Globo, apresentou, no domingo (14), relatos de servidores que afirmaram que o diretor de Avaliação de Educação Básica, Anderson Oliveira, pediu a remoção de mais de 20 questões da primeira versão da prova deste ano.

Servidores ouvidos pelo UOL afirmam que têm colocado os temas considerados "sensíveis" pelo governo de forma implícita nas provas. No Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), que atinge menos alunos do que o Enem, houve questão a respeito da ditadura.

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