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Saber com sabor

Leo Fraiman

Leo Fraiman

Leo Fraiman é psicoterapeuta, escritor e palestrante. É autor da Metodologia OPEE, adotada atualmente por mais de 150 escolas em todo o Brasil, e também do livro "Como Ensinar Bem", pela Editora OPEE, além de outros títulos publicados nas áreas de Orientação Profissional, Familiar e de Educação. Site: leofraiman.com.br

2014-11-20T06:00:00

20/11/2014 06h00

Na era da internet, ensinar o aluno a trocar a feitura de várias coisas ao mesmo tempo pelo foco em uma atividade de cada vez é um caminho para estimular o melhor entendimento dos conteúdos.

Na missão de educadores acabamos percebendo que a prática muitas vezes não funciona como a teoria. Crianças e adolescentes, no processo de formação da personalidade, automaticamente imitam pais e professores, que servem de exemplo tanto no que diz respeito às atitudes quanto a sua visão de mundo. Por isso, pais que adotam a postura do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” pouco contribuem para que os jovens tenham um exemplo sadio de atitudes coerentes e construtivas dentro de casa.

A motivação dos alunos dentro da sala de aula e para estudar fora dela também segue esse caminho. A sua motivação, inspiração, astral e humor como educador são percebidos pelos educandos e, mesmo que inconscientemente, imitados por eles. Ou seja, a forma como você se coloca durante as aulas tem total influência na forma como seus alunos também irão se colocar. Afinal, eles não são apenas alunos, são seus alunos. Se você não passa vontade de ensinar, porque eles teriam vontade de aprender? Se você não parece achar o conteúdo interessante, por que eles achariam?

O termo “anima” origina-se do latim e significa “alma”. Ou seja, um professor animado é aquele que dá aula com alma vontade e alegria. Isso se torna um ciclo: se você se mostra um educador motivado e confiante, há mais chances de que seus educandos também se sintam assim em relação à aprendizagem do conteúdo e, por consequência, poderão ter mais facilidade para compreender a matéria.

Entretanto, ânimo e motivação não surgem com um passe de mágica. A aula já começa quando o educador sai de casa. Se, logo no começo do dia, ele já tem uma postura pessimista em relação à vida, como poderá dar uma aula com ânimo e que contagie seus alunos? A tendência é que tudo fique ruim. Os alunos sentem o nosso estado emocional e, de uma forma ou de outra, acabam sendo influenciados por ele.

Por isso, entender a forma como nossos alunos aprendem é essencial para sermos bons educadores. De acordo com um estudo norte-americano divulgado pela professora Telma Pantano, de tudo o que aprendemos, apenas 5% vem da aula expositiva. Enquanto isso, discussões em grupo e atividades práticas, estratégias que costumam deixar a sala mais animada em relação à aula e a seu conteúdo, são responsáveis por, respectivamente, 50% e 75% da aprendizagem. Ou seja, comprovadamente, a aula de um professor com disposição para inovar e bom humor no dia a dia tem muito mais impacto do que a de um educador que trabalha no piloto automático, se deixando levar pelas normas e métodos convencionais.

É possível fazer com que qualquer atividade de aprendizado seja eficaz. Ao contrário do que se costumava acreditar até pouco tempo atrás, as dimensões cognitiva e afetiva andam juntas. Ou seja, para que os conteúdos sejam absorvidos com facilidade, eles devem ser, de alguma forma, prazerosos ao aluno. Vamos pensar no que podemos fazer, com atitudes práticas e sistemáticas, para tornar nossas aulas mais cativantes e inspiradoras?

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