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Vestibular da Unicamp teve questão igual a da Fuvest e foi difícil

Candidatos chegam para o vestibular da Unicamp - Denny Cesare/Código 19/Folhapress
Candidatos chegam para o vestibular da Unicamp Imagem: Denny Cesare/Código 19/Folhapress

Giorgia Cavicchioli

Colaboração para o UOL

18/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Prova teve uma questão idêntica a uma pergunta da Fuvest de 2018
  • Segundo professores, prova foi atual e exigiu bastante dos candidatos
  • Candidatos tiveram que fazer comparação e inferência

O vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aconteceu neste domingo (17) e, segundo especialistas ouvidos pelo UOL, a prova foi atual e exigiu bastante estudo dos candidatos. Elogiada pelos especialistas, a prova teve algo inusitado: a questão 32 foi exatamente igual a uma aplicada na prova da Fuvest de 2018.

Com mesmo enunciado e mesmas alternativas, o item gerou estranhamento. Segundo Thales Athanásio, professor de matemática do Anglo, o caso parece uma coincidência. "Eu não sei se é o mesmo banco de dados [usado pelos dois vestibulares]. Então, não posso garantir que foi um 'copia e cola'. Mas dar as mesmas opções e o mesmo texto... não sei se foi copiado… acho que não foi, mas é recomendável um certo cuidado a mais ao olhar para as outras provas da mesma região", afirma.

Questionado sobre um possível cancelamento da questão, o professor não acredita que isso seja feito, pois não existe nenhum tipo de erro na pergunta em si. "Mas o aluno que fez as provas do ano passado, certamente, já sabia qual era o raciocínio para aquela questão", constata.

Prova atual

Daily de Matos, coordenador pedagógico do Objetivo, afirma que a Unicamp trouxe questões que estavam acima do padrão e classificou o nível de dificuldade da prova de médio para difícil. Além disso, ele ressaltou a contemporaneidade do vestibular.

"Foram questões sobre temas atuais, que estão no dia a dia, como Instagram. As questões foram sobre assuntos que estão em discussão no momento. A de inglês com história falava sobre guerra fria e comunistas dentro de uma escola. A discussão não é sobre [o projeto] escola sem partido, mas é uma discussão que foi histórica", constatou.

O diretor Marcelo Pavani, da Oficina do Estudante, também ressalta os temas atuais que foram tratados na prova. Em inglês, por exemplo, ele também destacou a questão sobre o Instagram. "Essa é uma característica da prova de inglês, e talvez sugira pro aluno o que vai acontecer na segunda fase. Parece que houve aqui um ensaio de como as questões vão aparecer na segunda fase", constata.

O professor também viu uma ligação com elementos contemporâneos presente na prova de história. "Questões envolvendo análise de obra de arte chamaram a atenção, como Tarsila do Amaral, que teve exposição recente no Masp (Museu de Arte de São Paulo). Já é uma tendência da Unicamp fazer com que as obras de arte conversem com história", explicou.

Além disso, Pavani ressalta que foram cobradas cinco obras da lista de português. "Dentre elas, a dos Racionais, uma obra que os alunos estavam esperando na segunda fase, mas que já veio na primeira", afirma.

De acordo com Edmilson Motta, coordenador geral do grupo Etapa, além de pedir muitas questões sobre gráfico, tabelas e obras de arte, a prova também se destacou por pedir conhecimentos específicos da atualidade.

"Apareceram questões atuais não só com relação ao contexto, como a questão dos Racionais. Mas, apareceu até em termos de conhecimento específico. Em biologia, por exemplo, caiu uma questão sobre RNAi. A prova cobrou assuntos específicos dentro das disciplinas", diz.

Segundo ele, esse esforço do vestibular para falar sobre questões do cotidiano mostra uma vontade de explicar que o conhecimento adquirido nas escolas pode e deve ser aplicado na nossa vida. "Eles fazem isso para tentar fazer o uso do que é aprendido mais realista. Para o aluno ver o que aprendeu e ter uma opinião mais madura sobre os tópicos", afirma.

Diante disso, Daniel Perry, diretor do Anglo, considerou a prova abrangente, sofisticada, rica e bonita. "Foi uma prova marcadamente interdisciplinar, na qual o candidato tinha que deter bastante repertório e pensar fora da caixinha. A Unicamp elaborou uma prova difícil, que vai selecionar os candidatos mais bem preparados", explica.

Isso, segundo ele, não diz respeito apenas aos candidatos que tinham bom domínio do conteúdo. Segundo ele, era preciso que os alunos conseguissem fazer comparações e inferências. "[Estudantes] que tenham a capacidade de, às vezes, perceber o que é sofisticado", constata. Para Perry, esse foi o exame mais complexo do ano até o momento.

Motta concorda com Perry e afirma que, quando as provas de física e matemática são as consideradas mais fáceis do vestibular, significa que ele foi "puxado". "A Unicamp tem cursos disputados e a nota de corte estava subindo bastante. Uma prova exigente torna o vestibular melhor em termos de seleção", explica.

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