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Enquete do ENEM mostra pouca seriedade com a educação, diz ex-chefe do Inep

Maria Inês Pini, ex-presidente do Inep, em entrevista à GloboNews - Reprodução
Maria Inês Pini, ex-presidente do Inep, em entrevista à GloboNews Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

02/07/2020 10h56

A educadora Maria Inês Fini, ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas) afirmou hoje que a enquete sobre o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) realizada pelo MEC (Ministério da Educação) mostra que a educação brasileira está sendo tratada com pouca seriedade.

Em entrevista à GloboNews, Maria Inês disse que faltou poder político para que o MEC pudesse definir uma nova data. "Você não pode jamais abandonar a decisão política de um ministro na mão de uma pesquisa de opinião sobre os jovens. Não é justo fazer isso", declarou. "Isso revela a pouca seriedade com que está sendo tratada a educação brasileira."

Após a saída Carlos Alberto Decotelli, o governo busca o quarto ministro da Educação em 1 ano e meio de mandato. A educadora, por sua vez, estabelece o perfil que ela deseja que ocupe a chefia do MEC. "Ele precisa ter a sensibilidade, parar de caçar bruxas em nome de uma ideologia — isso não existe — e colocar o bem-estar de crianças, jovens e adultos diante dessas demandas do mundo do trabalho — para o qual nós precisamos nos ambientar melhor do que hoje estamos", definiu.

"Eu espero que a escolha seja muito adequada, muito própria, para que nós tenhamos um grande condutor das políticas nacionais", afirmou.

Ao mesmo tempo em que ressalta a aproximação das famílias com a educação básica de jovens e crianças, Maria Inês destaca que as adversidades enfrentadas na pandemia não são notícia para o setor. "A crise da aprendizagem, da qualidade da aprendizagem, não foi inaugurada pela pandemia. A presença da desigualdade social na educação formal não foi abandonada, muito pelo contrário, ela foi acentuada pela pandemia", defendeu.

Falta de poder político

Chefe do Inep entre 2016 e 2018, a educadora cobrou um maior diálogo da pasta com os entes da educação nacional. "Essa concertação nacional das instituições, que vai além das instituições federais que o MEC coordena, é que é o papel político do ministro", explicou. "Você para exercer a função de ministro da Educação, e a gente espera que o próximo de fato faça isso, tem que elencar isso com muita seriedade."

"Se é pesquisa o que querem fazer, podem pesquisar as 2537 instituições de ensino superior que nós temos no país. Pergunte aos reitores, aos mantenedores, quando é que eles estão imaginando que começará o próximo ano letivo. Você precisa também perguntar para os secretários estaduais de educação como é que nós vamos terminar o ano letivo de 2020", declarou.

Embora somente as universidades e os institutos federais estejam sob a gestão direta da pasta, Maria Inês alerta para a necessidade de o ministro conseguir estabelecer um papel de liderança numa transformação nacional.

"Eu acho que o perfil do novo ministro tem que ter uma visão da educação brasileira como um todo. Ele tem todo um conjunto de escola geridas pelos estados, um grande conjunto gerido pelos municípios, e nós temos que trazer parâmetros", disse. "Nós temos que traçar as grandes metas e apoiar essa busca de resgate de uma educação de qualidade", defendeu.

Enquete do ENEM

O Enem estava marcado para ser realizado em novembro, mas precisou ser adiado em decorrência da pandemia da covid-19. Diante desse cenário, o Inep realizou uma enquete para que os estudantes pudessem votar em duas das três datas disponíveis: dezembro de 2020, janeiro de 2021 e maio de 2021.

Quase metade dos alunos votaram para que a prova seja realizada em maio de 2021 e o presidente do Inep, Alexandre Lopes, afirmou que espera definir a nova data para o exame em até duas ou três semanas.

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