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Para ajudar na renda da família, jovem troca Enem por barraca de doces

Ana Luísa Silva, 16, vende produtos na porta da Unip da Barra Funda, na zona oeste de SP - Letícia Mutchnik/UOL
Ana Luísa Silva, 16, vende produtos na porta da Unip da Barra Funda, na zona oeste de SP Imagem: Letícia Mutchnik/UOL

Letícia Mutchnik

Do UOL, em São Paulo

21/11/2021 14h59

Aos 16 e com idade para tentar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), Ana Luísa Silva, 16, decidiu trocar a prova pelo comércio ambulante.

Na porta da Unip da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, ajudava a tia a vender comidas, doces e itens usados no exame numa barraquinha.

Ela conta que sempre estudou em escolas públicas em Pirituba e teve apoio da família. Mas não se vê preparada: "Eu não teria capacidade de passar, de qualquer forma", diz, citando não ser fã dos livros.

"Eu sempre sonhei em ser cirurgiã, minha família me apoia e tudo mais, mas não tem como", afirma. A dificuldade financeira dos pais é seu principal problema.

A edição de 2021 registrou o menor número de inscritos, além da menor taxa de participantes negros e vindos de escolas públicas dos últimos anos. Por outro lado, houve aumento no número de pagantes e de brancos.

A prova começou às 13h30. O tema da redação é "Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil". Os 3,1 milhões de estudantes têm até as 19h para terminar o exame.

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