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Alunos deixam primeira escola ocupada da capital paulista

Hugo Araújo

Do UOL, em São Paulo

04/01/2016 19h25Atualizada em 04/01/2016 20h54

Os estudantes que ocupavam a Escola Estadual Fernão Dias, na zona oeste da capital paulista, deixaram a instituição no começo da noite desta segunda-feira (4). Os manifestantes estavam no local desde o dia 10 de novembro do ano passado.

Na saída, os estudantes firmaram, por meio de um termo, o compromisso de substituir ou reparar, ao longo de 2016, as janelas da sala da secretaria e da sala de vídeo, as fechaduras do arquivo-morto e do quadro de luz, espelhos, mesa de mármore e mesa de pingue-pongue. O supervisor de ensino Alex Pereira de Almeida assinou o documento.

Antes de deixarem a ocupação, os estudantes afirmaram que a pauta agora é barrar o aumento da tarifa do transporte público e seguraram um cartaz com os dizeres "R$ 3,80 o trabalhador não aguenta".

"Todo mundo que está saindo da ocupação, sai com uma cabeça diferente", afirma a estudante Alice Magalhães, 17. "As meninas tomaram a linha de frente aqui na ocupação. Muitas meninas se libertaram e se empoderaram dentro da ocupação."

Marcela Nogueira, 18, conta que agora a ideia é articular as pautas entre os secundaristas, buscando a melhoria da educação como um todo. "Nós precisamos de um grêmio estudantil, reformas nas escolas e queremos aula pública aos finais de semana. A comunidade deve ter acesso à escola", afirma.

Sobre o futuro do movimento, Marcela afirma que a pergunta fundamental agora é "qual a escola que nós queremos?". "A gente quer sentar em roda ou enfileirado como num quartel?", questiona.

Além disso, elas contam que aprenderam como nunca nas ocupações. "Os índios vieram aqui e deram aula, eu fiquei emocionada. É essa a escola que nós queremos, que tenha discussão sobre índios, racismo, gênero e sexo", explica Marcela.

Aulas

Nesta segunda-feira (4), a Escola Fernão Dias passará por uma perícia para analisar o estado da instituição. "A Polícia Civil fará a perícia após a desocupação. É uma norma legal. A gente não pode retomar as aulas sem a garantia de que está ou não está tudo em ordem", disse Rosangela Valim, Dirigente Regional de Ensino da Diretoria de Ensino Região Centro-Oeste.

Segundo ela, a proposta é que as aulas já voltem na próxima quarta-feira. "Amanhã faremos uma reunião com pais, alunos e professores para falar do cumprimento do calendário letivo."

Prejuízo

O governo do Estado de São Paulo contabilizou cerca de R$ 1 milhão em prejuízo em escolas estaduais que foram ocupadas. O valor se refere a 72 da 81 escolas que registraram incidentes como furto ou depredações durante ou após as ocupações.

No final de 2015, o governo do Estado de São Paulo veiculou uma campanha publicitária na televisão na qual apresenta o projeto de reorganização à população. Foi estimado um gasto de R$ 9 milhões até o término do anúncio.

O valor foi confirmado pela assessoria de imprensa da gestão Geraldo Alckmin (PSDB). O filme foi ao ar após uma série de protestos contra a medida.

Ocupações

As ocupações começaram no início de novembro e após um mês, estudantes estavam em quase 200 unidades em todo o Estado.

No dia 4 de dezembro, Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, anunciou o adiamento da reorganização escolar. "Alunos continuam nas escolas em que já estudam. Os debates serão feitos em 2016", disse.

A medida previa o fechamento de 92 escolas e reorganizava as restantes por ciclo único. Desse modo, estudantes do ensino fundamental ficariam em unidades diferentes do ensino médio.

Desde o anúncio da reorganização, alunos, pais e professores realizaram protestos em vários pontos do Estado. Eles argumentavam que o objetivo da reestruturação era cortar gastos e temiam a superlotação das salas de aulas, além de alegarem a ausência de diálogo durante o processo.

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