Estudou em escola pública e virou doutor no MIT, faculdade de ponta nos EUA

Bruna Lavrini

Colaboração especial para o UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Dejanir Silva, 32, ex-estudante de escola pública que se formou em economia e fez mestrado na USP, doutorado no MIT e dá aulas nas universidades de Princenton e Illinois

    Dejanir Silva, 32, ex-estudante de escola pública que se formou em economia e fez mestrado na USP, doutorado no MIT e dá aulas nas universidades de Princenton e Illinois

Nascido e criado na cidade de Mauá, região do grande ABC paulista, Dejanir Silva, 32, mestre em economia pela Universidade de São Paulo (USP) se formou, em junho, doutor em economia pelo Massachusets Institute of Tecnology (MIT).

Silva, seguiu um caminho que vai contra a maré e, apesar de uma origem humilde e de ter estudado em escolas públicas durante a educação básica, hoje celebra não só o título de doutor, mas também o cargo de professor nas prestigiadas universidades de Princeton e de Illinois, nos Estados Unidos.

A história de sucesso do professor teve início quando Silva ainda frequentava o ensino médio. "A ficha caiu quando eu estava no terceiro ano do colegial. Eu sabia que não tinha condições [financeiras] de ir para uma universidade privada e para entrar em uma pública, a concorrência era grande. Então, me dei conta de que, ou eu fazia algo, ou ficaria ali, estacionado. Comecei a tentar corrigir as deficiências que eu tinha", diz.

O primeiro passo foi aperfeiçoar aquela que hoje é uma das suas ferramentas de trabalho, mas que era dificuldade na época. "Ainda nessa época, fui fazer o método Kumon para aprender matemática [o método estimula que o aluno faça listas de exercícios]. Era claramente uma das minhas maiores dificuldades. Eu gostava de coisas relacionadas à matéria, mas não tinha habilidade para colocar em prática. Em pouco tempo superei isso e comecei a pegar gosto pela disciplina", conta.

Silva, levou dois anos para entrar no curso de economia da USP. Para passar em um dos vestibulares mais concorridos do país, o professor estudava nos momentos vagos do dia. No percurso de casa para o trabalho ou na hora do almoço, por exemplo.

Durante os cinco anos do curso de economia, a rotina não foi diferente. "Economia, na USP, no período noturno, dura cinco anos. Passei esses cinco estudando e trabalhando. Então, o lugar de estudo era o ônibus, por exemplo. Acho que a gente se adapta e usa o tempo que tem para maximizar suas chances", conta.

Dejanir morava em Mauá, trabalhava em Santo André e estudava na zona Oeste de São Paulo. "O problema todo era voltar para a casa. A aula acabava às onze da noite. Chegava em casa muito tarde. Minha tia morava em Diadema, era o meio do caminho entre o trabalho e a faculdade. Passei um tempo morando no sofá dela", afirma.

Porta de entrada para o MIT

Apaixonado por economia, Silva engatou o mestrado logo após a graduação -- ele foi o primeiro colocado na prova. Como o curso tem aulas durante o dia, o professor passou a se dedicar 100% ao novo projeto. "A minha turma de mestrado recebeu uma leva de professores que tinham voltado dos Estados Unidos recentemente. Depois de um tempo, essas pessoas vieram falar comigo sobre essa possibilidade, disseram que acreditavam nas minhas chances", conta. 

Com a ajuda e incentivo dos professores e, principalmente, de sua esposa, Silva se inscreveu para o programa de doutorado das principais universidades americanas. "Apliquei para várias universidades. Tentei, pelo menos, a lista das top 20 universidades daqui. A verdade é que eu não tinha ideia. Eu tinha alguns professores mais otimistas, outros menos, mas ninguém sabia qual seria o resultado. Então, decidi aplicar para várias", diz.

O resultado das aplicações foi surpreendente, Silva foi aceito em várias universidades e selecionou quatro para conhecer, antes de aceitar a proposta do MIT. Na primeira visita aos Estados Unidos, o professor conheceu a Universidade de Harvard, Stanford (departamento de economia), Stanford Graduate School of Business, e o Massachusets Institute of Tecnology.

"Como um macroeconomista, sempre admirei muito o trabalho das pessoas que lecionam aqui [no MIT] e tinha estudado a fundo o material desses professores. Então, já tinha essa afinidade com o MIT e, quando vim visitar a universidade, me senti muito a vontade com o espírito daqui. É um ambiente de portas abertas. Senti que era o lugar para mim", relembra.

Foram cinco anos de doutorado. Os primeiros dois anos são aulas presenciais, depois, a dedicação é total à tese. A formatura do doutorado foi em junho de 2016. Mas, como sua intenção era disputar uma cadeira para professor nas universidades locais, ele tinha tudo pronto até dezembro de 2015.

No início do ano, os doutorandos são convidados a levar seus projetos a universidades norte-americanas e participar do processo de seleção para novos docentes. Foi nessa oportunidade que Silva foi convidado para lecionar, por um ano, na Universidade de Princeton, em Nova Jersey. A partir do segundo semestre de 2017, Silva assume uma cadeira como professor da Universidade de  Illinois, em Urbana e Champaign.

Para aqueles que sonham com uma trajetória semelhante, Silva aconselha a acreditar. "Muitas vezes, a gente nem sonha, pois acha que é impossível. Por exemplo, vejo colegas que vieram mais cedo, fizeram graduação aqui, mestrado. Quando eu estava na graduação, nem sonhava com isso, realmente achava que não era possível. Então, se esse é o objetivo corre atrás e se esforça, que você vai conseguir", afirma.

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