Uma armadilha para o mosquito da dengue

Cristina Faganeli Braun Seixas

Objetivos

  • Discutir sobre as causas e conseqüências - médicas e sociais - da dengue.
  • Relacionar o vírus ao Aedes Aegypti, tratando da contaminação e dos sintomas da doença.
  • Analisar as condições ambientais que contribuem para disseminação da doença.
  • Construir uma armadilha para captura do mosquito transmissor, de maneira a interromper o ciclo reprodutivo.

Introdução

A dengue é considerada uma doença epidêmica no país há muito tempo. No entanto, há pouca divulgação das medidas profiláticas, que deveriam ser tomadas no período anterior às chuvas, quando ocorre a eclosão dos ovos dos mosquitos.


 

É necessário interromper o ciclo reprodutivo do mosquito, acabando com as larvas e os ovos, pois estes também são contaminados com o vírus. As discussões em classe e a construção da armadilha permitirão que os alunos passem a informar e ajudar a comunidade.

A armadilha fornecerá condições ideais para a reprodução do mosquito. A fêmea depositará na armadilha os seus ovos - e estes se desenvolverão em larva, pupa e, finalmente, mosquito.

A experiência mostrará, inclusive, que as larvas sofrem de fotofobia, ou seja, sensibilidade à luz, e fogem, por exemplo, de uma lanterna acesa.

Material

  • garrafa pet;
  • microtule;
  • tesoura;
  • lixa;
  • sementes de alpiste ou arroz - ou ração para gato;
  • água;
  • lanterna.

Estratégias

  • Coleta e análise de informações:

1) Solicitar aos alunos que leiam, antes da aula, jornais e/ou revistas com notícias sobre a dengue, trazendo, depois, esse material para a escola.

2) Os alunos explicarão para seus colegas o conteúdo das reportagens escolhidas.

3) Enquanto os alunos se manifestam, o professor deve registrar na lousa as informações mais importantes, salientando os conceitos de "vírus" e "hospedeiro intermediário", além de anotar os sintomas, as formas de tratamento, etc.

4) Verificar com os alunos quais as condições ambientais que permitem a existência da doença e sua propagação.

5) Depois de todas as análises, os alunos montam, individualmente, a armadilha para coleta do mosquito.

  • Montagem da armadilha - A Mosquiteca:

A Mosquiteca foi inventada pelo professor Maulori Cabral, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com biólogos da Fiocruz. Foi testada e realmente funciona:

1. Pegue uma garrafa pet de 2 litros (ou de um litro e meio).

2. Corte a parte superior para fazer uma espécie de funil:

3. Corte cerca de 10 cm da garrafa, mais ou menos no meio dela, preservando a parte inferior:

4. Lixe a parte interna do pedaço superior da garrafa, onde se localiza o bocal ou abertura. Pode ser utilizada uma lixa para madeira, granulação 60, 100 ou 120. O objetivo é deixar a superfície interna bem áspera, em toda a sua extensão:

5. Utilizando como "anel" uma parte da tampa da garrafa, feche o bocal com um pedaço de microtule dobrado. Atenção: o tule comum, utilizado em véus de noiva, não serve, pois os buracos da trama são muito largos:

6. Amasse cinco grãos de arroz, alpiste ou ração para gatos e coloque-os dentro da parte inferior da garrafa.

7. Uma e sele as duas partes, conforme a figura, usando fita isolante:

8. Está pronta a armadilha para a fêmea do mosquito transmissor da dengue:

9. Coloque água limpa, deixando um espaço de 3 cm entre a água e o bocal. Complete a água à medida que ela evaporar.

10. Coloque a armadilha no quintal ou onde ficam os mosquitos. É necessário ser um local
sombreado, pois as fêmeas do mosquito não gostam de sol.

11. Para colocar os seus ovos, a fêmea do mosquito verifica onde está havendo evaporação de água.

12. Por que é necessário lixar o "funil"? - A superfície fica corrugada e, assim, a água sobe por capilaridade, aumentando a taxa de evaporação e atraindo mais facilmente a fêmea do mosquito Ades Aegypti.

13. Por que é necessário colocar os grãos de arroz ou alpiste amassados? e- A fêmea só põe ovos onde ela identifica que a água possui alimento para as larvas.

14. Os ovos descerão pelos buracos da tela e ficarão na parte inferior do recipiente. A tela não permite que as larvas passem para a parte superior do recipiente. Se a tela estiver rasgada ou se os buracos da trama forem largos demais, ao invés de uma armadilha estaremos fazendo um criadouro para o mosquito.

15. A parte inferior da armadilha deve ser esvaziada periodicamente. As larvas podem ser mortas com cloro.

16. O mosquito adulto vive de 30 a 35 dias - e as fêmeas põem 100 ovos, de quatro a seis vezes, nesse período, sempre em locais com água limpa e parada. Se não encontra recipientes apropriados para depositar seus ovos, a fêmea pode voar distâncias de até três quilômetros, até localizar um ponto que considere ideal. Um ovo pode sobreviver até 450 dias - um ano e dois meses -, mesmo que o local em que ele foi depositado fique seco. Se esse local receber água novamente - por meio da chuva, por exemplo -, o ovo volta a ficar ativo, podendo se transformar em larva e, depois, em pupa, atingindo a fase adulta num prazo curtíssimo: de dois a três dias.

Sugestões

A fim de completar o processo educativo, seria interessante que os alunos confeccionassem um folder, com informações sobre a dengue, para ser distribuído na comunidade. Ao mesmo tempo, as armadilhas poderiam ser distribuídas nos locais em que há casos comprovados de dengue.

Cristina Faganeli Braun Seixas
é bióloga e professora da Fundação Bradesco (Unidade I - Osasco).

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