Diferentes divisões regionais do Brasil

Ângelo Tiago de Miranda

Objetivos

1) Compreender a importância de se dividir o Brasil em regiões;

2) Entender que a divisão regional do Brasil não foi sempre a mesma, variando ao longo do tempo;

3) Conhecer as principais propostas de regionalização do Brasil e identificar as suas principais diferenças: as macrorregiões do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e as três regiões geoeconômicas de Pedro Pinchas Geiger;

4) Perceber que o espaço brasileiro pode ser dividido segundo outros aspectos além do oficial (IBGE), como, por exemplo, a regionalização proposta pelo geógrafo Milton Santos e pela professora Maria Laura Silveira, baseada em quatro regiões ou em "quatro brasis", cujo critério principal definidor foi o do meio técnico-científico-informacional (in Santos, M. & Silveira, M. L. O. Brasil: território e sociedade no início do século 21. Rio de Janeiro: Record, 2002).

Ponto de partida

Leitura dos textos "Mapa dos Estados e das regiões" e "Divisão do Brasil por critérios econômicos".

Estratégias

1) Inicie a aula conceituando região geográfica, que é uma porção da superfície terrestre demarcada por características próprias. Estas características podem ser políticas, naturais, demográficas, industriais, turísticas, etc. Informe que podemos estudar a superfície de qualquer parte do planeta, dividindo-o em regiões geográficas. Contudo, a divisão não é realizada de uma única forma. Ela está subordinada a alguns critérios de classificação. Anuncie para os alunos que eles irão conhecer as diferentes classificações das regiões do Brasil e os critérios que as determinaram, mas, antes, fale sobre o IBGE e sua importância para o Brasil.

2) Informe que cabe ao IBGE instituir a divisão do país em regiões, unidades que reúnem conjuntos de estados com características relativamente comuns. Explique que a divisão do espaço em regiões facilita a administração do país e promove o seu desenvolvimento econômico, pois determina em que setores serão aplicados os recursos, atenuando as desigualdades na distribuição regional das riquezas. Cite como exemplos, no território brasileiro, a criação das chamadas agências de desenvolvimento, como a SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) e a SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia). Os alunos podem acessar os sites dessas superintendências, para conhecerem sua história, seus objetivos e os projetos de desenvolvimento.

3) A seguir, mostre aos alunos a atual divisão regional brasileira, desenvolvida pelo IBGE e utilizada desde 1988. Os alunos tendem a achar que a divisão sempre foi e sempre será desse modo. Por isso, mostre a eles a sequência de mapas disponibilizada no site do IBGE, com a evolução das divisões políticas e regionais do país.

4) Depois, explique as mudanças políticas e regionais que ocorreram ao longo do tempo e os critérios adotados em cada divisão regional. Vale ressaltar que a divisões oficiais, elaboradas pelo IBGE, seguem a divisão política do país. Explique a divisão política e regional atual, pois é comum os alunos não saberem quais os estados que compõem o país.

5) Divida os alunos em grupos e determine para cada grupo uma região a ser pesquisada. Peça para pesquisarem as principais características que tornam cada região uma porção única e especial do nosso território. Solicite que os grupos elaborem cartazes contendo informações sobre cada região. Agende uma data para a apresentação dos grupos.

6) Apresente a divisão regional baseada em Complexos Regionais, elaborada pelo geógrafo Pedro Pinchas Geiger. Mostre o mapa contendo a divisão regional de 1988, desenvolvida pelo IBGE. Peça para observarem os dois mapas e dizerem quais as principais diferenças entre as macrorregiões e a dos Complexos Regionais. Em relação à última, explique os critérios adotados. Oriente os alunos a perceberem que essa proposta de classificação regional não segue a divisão política, dando uma nova dimensão ao território brasileiro. Assim, o mesmo estado pode apresentar parte de sua área em uma região e parte em outra.

7) Relembre para os alunos o conceito de região geográfica. Reafirme que a superfície de qualquer parte do planeta pode ser dividida em regiões geográficas e que ela não é realizada de uma única forma. Informe que podemos adotar qualquer critério de classificação - como, por exemplo, os tipos e número de indústrias -, alterando assim a forma de regionalizarmos determinada região e, portanto, o mapa que representa essa regionalização. Nesse momento, apresente aos alunos a regionalização proposta pelo geógrafo Milton Santos e pela professora Maria Laura Silveira, baseada em quatro regiões ou em "quatro brasis", cujo critério principal definidor foi o do meio técnico-científico-informacional.

8) Explique o conceito de meio técnico-científico-informacional e o porquê de o Brasil ser dividido em quatro regiões (quando esse critério é levado em consideração). Cite as características de cada região e aponte as diferenças entre as divisões regionais estudadas até aqui. Promova um debate com os alunos e discuta as propostas de regionalização do Brasil, levantando pontos favoráveis e desfavoráveis de cada uma. Para encerrar, peça para escreverem um texto sobre suas conclusões em relação ao debate, argumentando se a atual proposta de regionalização deveria ou não continuar sendo a oficial. No caso de não concordarem com nenhuma das divisões regionais, solicite que façam uma nova proposta, explicitando os critérios que deveriam ser utilizados.

9) Em relação à avaliação, leve em consideração os objetivos estabelecidos para o plano de aula e os processos e produtos com os quais os alunos estiveram comprometidos durante o trabalho (mapas, cartazes e produção de texto). Considere os avanços individuais e coletivos na observação e interpretação dos dados contidos nos mapas e dê importância à capacidade de discussão nos debates. Se achar necessário, elabore avaliações individuais.

Ângelo Tiago de Miranda
é geógrafo, professor de Geografia e estudante do curso de Licenciatura em Pedagogia.

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