Industrialização do espaço brasileiro

Ângelo Tiago Miranda

Objetivos

1) Conhecer as fases e as características do processo de industrialização no Brasil;

2) Perceber que as indústrias, no Brasil, se concentram na região Sudeste, em especial na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP);

3) Compreender os fatores que possibilitaram a concentração de indústrias na RMSP;

4) Verificar as consequências da concentração industrial na metrópole paulista;

5) Compreender o processo de desconcentração industrial da RMSP, vinculado, entre outros fatores, à existência de uma guerra fiscal entre os municípios brasileiros;

6) Verificar que ocorreu na RMSP uma desconcentração industrial, e não uma desindustrialização, pois a região ainda concentra expressiva parcela do valor total da produção industrial brasileira, bem como a sede das maiores empresas do país.

Ponto de partida

Leitura do texto "São Paulo é centro industrial do país".

Estratégias

1) Comece a aula expondo a atual situação da indústria no Brasil. Procure não se estender em explanações, mas registre que o Brasil tem um dos maiores e mais importantes parques industriais do mundo, moderno e em crescimento. Isso é apenas uma introdução à aula.

2) Apresente a seguinte questão para os alunos: como o Brasil conseguiu isso? Como um país com inúmeros problemas e desigualdades chegou a essa posição? Não parece uma contradição?

3) Em seguida, aborde, de maneira breve, a evolução histórica da indústria no Brasil. Divida a aula em três partes: antes da década de 1930, de 1930 a 1956 e após 1956. Evite se estender sobre detalhes históricos. Monte na lousa um quadro comparativo dos principais acontecimentos. Conduza os alunos a perceberem que a política industrial e a localização das indústrias não se definem unicamente pelos mecanismos da economia de mercado e de fatores externos, como crises econômicas e guerras mundiais, mas dependem também da política promovida pelo Estado. Faça com que os alunos percebam a transformação da economia brasileira, que passou de agrário-exportadora para urbano-industrial, provocando diversas consequências, como, por exemplo, o aumento do êxodo rural.

4) Depois, mostre aos alunos o mapa da distribuição espacial da indústria no Brasil, que pode ser facilmente encontrado em um atlas escolar. Esse mapa também pode ser baixado gratuitamente no site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

5) Peça para os alunos acompanharem sua explicação com o auxílio do mapa. Proponha algumas questões: qual região concentra mais número de indústrias? Qual região concentra menos número de indústrias? Alguns estados possuem em seus territórios locais pontuais de concentração de indústrias? Por que será que isso acontece?

6) Faça com que os alunos percebam que a região Sudeste - mais precisamente o Estado de São Paulo e sua Região Metropolitana - é a que apresenta maior concentração industrial. Explique os fatores que determinaram tal situação. Cite o café, os planos de desenvolvimento e a industrialização implantada pelo governo federal nas décadas de 1950 e 1970.

7) A seguir, aborde as consequências dessa concentração industrial para a metrópole paulista e, também, para o restante do país. Informe que a concentração industrial na RMSP reproduz e aprofunda a desigualdade em relação às outras regiões brasileiras, que acabam ficando sem a presença de indústrias em seus territórios. Saliente que essa concentração industrial motiva também uma intensa dinâmica migratória. Segundo a Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), entre 1970 e 1980, o saldo migratório para São Paulo foi positivo em dois milhões de pessoas. Uma das consequências dessa dinâmica é o que o geógrafo Milton Santos chamou de "macrocefalia": rápido e desordenado crescimento das cidades, gerando uma série de problemas socioespaciais. Cite alguns desses problemas. Cuidado para não culpar unicamente a migração pela existência de tais problemas. Lembre-se que isso é resultado de uma conjugação de fatores que devem, se possível, ser explicados.

8) Mostre as alterações que o país vem sofrendo nos últimos anos em relação à localização industrial, analisando os motivos da implantação de indústrias em novas áreas. Saliente que esse processo de desconcentração industrial acabou gerando o que os geógrafos chamam de guerra dos lugares ou guerra fiscal, ou seja, uma disputa entre estados e municípios não industrializados, com a intenção de atrair grandes empresas por meio da diminuição ou isenção de impostos. Dê alguns exemplos.

9) Para encerrar, deixe bem claro o que ocorreu na região Sudeste, principalmente no Estado de São Paulo: uma desconcentração industrial - e não uma desindustrialização. Informe que, em 2005, o Estado de São Paulo produzia 63,5% do total da produção industrial nacional, segundo o IBGE. Além disso, a RMSP acabou se especializando em atividades mais complexas e competitivas, que exigem o emprego de novas tecnologias, ligadas à informática e à comunicação. Vale ressaltar também que, apesar das unidades fabris terem saído da metrópole, a cidade de São Paulo detém a centralização do comando diretivo e financeiro dessas indústrias e das mais importantes empresas no Brasil.

10) O presente tema é riquíssimo em possibilidades de trabalhos interdisciplinares. Seguem abaixo algumas sugestões:

a) Com a disciplina de história, pode-se aprofundar a análise dos mais importantes períodos da industrialização brasileira: a era do barão de Mauá, no Sudeste, e a do coronel Delmiro Gouveia, no Nordeste; as consequências do Convênio de Taubaté, da crise de 1929, das duas guerras mundiais; a importância das leis trabalhistas de Getúlio Vargas, abarcando os governos Dutra e Juscelino Kubitschek, bem como os Planos Nacionais de Desenvolvimento de Médici e Geisel etc.

b) Com as áreas de história, química e biologia, há possibilidade de realizar pesquisa e debate sobre o histórico da industrialização, a degradação das condições naturais e a realidade atual no município de Cubatão (SP), que já foi considerado o local mais poluído do mundo e, em 1992, tornou-se, segundo a ONU, o maior exemplo mundial de recuperação ambiental.

c) Seguindo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), há temas transversais que podem ser trabalhados em qualquer área. Uma delas é a do Trabalho e Consumo. Com o tema da industrialização brasileira, é possível trabalhar: as mudanças que a indústria trouxe para as relações de trabalho no Brasil; a qualificação da mão de obra; o aumento dos produtos disponíveis para o mercado consumidor; e realizar uma discussão sobre o mercado globalizado: as influências externas no comportamento do produtor e do consumidor brasileiro.

Ângelo Tiago Miranda
é geógrafo, professor de Geografia e estudante do curso de Licenciatura em Pedagogia.



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