Redação: Meninos e meninas que já têm filhos

Carlos Emílio Faraco

Objetivos

1) Estimular a construção de argumentação coerente como condição para expressar idéias com clareza e convencer o leitor ou ouvinte.

2) Estimular a discussão oral de temas pertinentes para a faixa etária.

3) Propiciar condições para a comparação entre a organização do texto oral e a organização do escrito.

Ponto de partida: produzindo texto oral

O ponto de partida vai depender da realidade da sua sala. Apresentamos três sugestões: 1. Se você tiver algum aluno adolescente que seja pai (mãe), solicitar relatos de experiência. Colocar no quadro tópicos que sintetizem a fala do aluno. Esse registro será discutido, posteriormente, na caracterização do texto oral.

2. Se não houver nenhum caso em sua sala, perguntar se alguém tem, em família, algum caso de adolescente que tenha filho(s). Solicitar relatos. Fazer a síntese, para posterior analise do relato oral.

Caso ocorra uma dessas situações, utilizá-las para o início dos trabalhos, passando em seguida para a atividade 3. Caso nenhuma delas ocorra, começar na atividade 3.

3. Fazer perguntas genéricas, visando ao mapeamento do grau de conhecimento dos alunos a respeito de aspectos biológicos da paternidade/maternidade: desde que idade o homem/a mulher estão biologicamente preparados para procriar; como se engravida; períodos férteis da mulher, uso de preservativos pelo homem, uso de pílula, etc.

4) Em seguida, analisar aspectos psicológicos da situação, perguntando se alguém da turma se acha preparado para ser pai/mãe. Solicitar justificativa, para que o aluno vá compreendendo cada vez mais a diferença entre impressão (ou "achismo", se quiser) e opinião (esta, fundamentada).

5) Conversar finalmente sobre contextos culturais. Será que todas as sociedades consideram que existe uma idade mais ou menos apropriada para ser pai/mãe? Para ser pai/mãe é necessário algum tipo de compromisso formal? Em sociedades não-monogâmicas, como é encarada a paternidade?

Traçar um mapa do que é considerado aceitável no Brasil, não esquecendo as diferenças regionais.

Obs: Todas essas atividades devem ser sintetizadas no quadro, para propiciar a tarefa seguinte.

Análise do texto oral

1) Analisar com os alunos estas categorias: impressões, informações e argumentações. Pode-se organizá-las em colunas.

2) Analisar as diferenças entre as categorias e o que caracteriza cada uma. 3) Mostrar que no discurso oral a seqüência de dados obedece ao fluxo da interlocução, diferentemente do que acontece no texto escrito.

4) Analisar outras ocorrências típicas do discurso oral.

Preparando o texto escrito

Analisadas as características do texto oral, ler com a turma as matérias indicadas a seguir, do Folhateen, edição de 06 de agosto de 2007.

Todos devem ter cópia do material.

Sugestão de roteiro:

1) Começar com o item Frases, da matéria.

Perguntar se as duas frases são narrativas ou argumentativas. Comparara a preocupação dos dois narradores. Identificar (se existir) traços de relato oral na fala dos dois adolescentes.

2) Em seguida, ler a matéria Olha aí, é o meu guri.

Não questionar ainda a intertextulidade do título, inspirado na música "Meu Guri", de Chico Buarque de Holanda. Essa informação será utilizada posteriormente, para outro trabalho. Se algum aluno tratar disso, limitar-se a dar a fonte, mas não trabalhar a letra. 3) Analisar os aspectos positivos e os negativos relatados pelos entrevistados ou citados na reportagem. Mostrar que há posições extremadas e uma delas - a final - bem equilibrada.

4) Em seguida, ler o texto Pai teen passa dificuldade. Analisar os aspectos psicológicos e os legais (provavelmente desconhecidos pelos alunos) citados na matéria. 5) Solicitar que os alunos opinem sobre o dado estatístico do texto: "Pesquisa da Casa do Adolescente, programa da Secretaria Estadual de Saúde, realizada entre 2003 e 2005, apontou que 40% dos pais de 15 a 20 anos abandonam as parceiras antes do nascimento do bebê."

6) Pedir que argumentem para justificar a opinião.

Análise do discurso escrito

Analisar rapidamente a estrutura de um dos textos, mostrando a coesão e coerência. Conversar sobre o trabalho do jornalista: organizar dados que foram colhidos em entrevistas.

Comparar com as sínteses, feitas no quadro, da fala dos alunos, na atividade de produção do texto oral.

Atividade de conclusão: produção de texto escrito

1) Solicitar que os alunos produzam um texto argumentativo sobre o tema. Lembrar que num texto argumentativo defende-se uma idéia, uma opinião, um ponto de vista, com o objetivo de convencer o leitor a aceitar nossa posição.

2) Mostrar que para tanto é necessário apresentar argumentos e utilizar estratégias argumentativas. Entre as estratégias, você pode relacionar a clareza; a ordenação sintática do texto; a citação de fatos, exemplos e fontes; o uso de figuras de linguagem adequadas, entre outros.

Se achar adequado, forneça títulos, pinçando alguma frase interessante dos depoimentos orais dos alunos (caso eles tenham ocorrido) ou mesmo das matérias lidas. Alguns exemplos:

a) Com a chegada do bebê, acabaram-se as baladas...

b) Sufoco: encarar os pais e os sogros.

c) Acho bacana ser pai adolescente.

d) Ser pai adolescente não é nenhum bicho-de-sete-cabeças.

Atividade correlata

Depois de corrigidos e comentados os textos, pode-se analisar a letra da música "Meu Guri", de Chico Buarque de Holanda. Veja a letra.

Todos os alunos devem ter cópia da letra.

1) Levar primeiro à compreensão da letra, que não é nada óbvia. Chamar atenção para o fato de a voz lírica ser feminina.

2) Analisar a questão da responsabilidade de ser pai/mãe, adolescente ou não, partindo de situações do texto.

3) Identificar as figuras de estilo e seu efeito na produção de sentido do texto.

4) Finalmente, mostrar as diferenças entre:

a) texto oral em contexto informal;

b) texto oral em contexto formal;

c) texto argumentativo escrito formal;

d) letra de canção e poesia;

e) a canção como gênero (letra + música interpretada).

Carlos Emílio Faraco
licenciado em Letras pela USP, é autor de várias obras didáticas de língua portuguesa (gramática e literatura).



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