Platão: as idéias são eternas





Autor Josué Cândido da Silva




Observação

Antes de iniciar as atividades aqui propostas, seria bom realizar uma aula expositiva sobre a democracia grega, o papel dos sofistas e a posição dos filósofos em relação a essa forma de governo. Também pode enriquecer a aula uma apresentação da vida de Platão.

Objetivos

  • Discutir os conceitos de verdade, conhecimento e democracia.
  • Formação de conceito: idéia.

 

Atividade

Peça que os alunos leiam o texto: Teoria do conhecimento - Platão. Cada aluno pode ler um parágrafo, por exemplo, e escolher outro aluno para continuar a leitura. A seguir, peça que destaquem o que consideraram mais interessante no texto. Anote no quadro os temas e peça aos alunos que selecionem alguns para discussão. Abaixo, seguem alguns temas possíveis, mas não é necessário que sejam discutidos na ordem sugerida.

Plano de discussão: verdade e democracia

Os sofistas achavam que não existem verdades absolutas e que tudo deve ser sujeito ao debate democrático, vencendo a opinião mais convincente. O nosso modelo de democracia é bastante diferente do modelo de democracia direta dos gregos, mas em ambos os casos existem alguns temas considerados fora de questão. No nosso caso, por exemplo, a volta da escravidão ou o direito de formação de partidos de orientação nazista.

a) Em sua opinião, existem limites para o que pode ser discutido e decidido democraticamente?

b) Que limites seriam esses?

c) Se todos tivessem um bom nível de educação isso tornaria suas decisões melhores?

d) Se todos tivessem a mesma condição social, isso tornaria a sociedade mais democrática?

e) Em sua opinião, o que é mais prejudicial à vida democrática:

- o monopólio dos meios de comunicação (TV, rádio, jornais e revistas) na mão de poucos grupos empresariais;

- a falta de interesse das pessoas em acompanharem a vida política do país e os mandatos de seus representantes.

- a falta de vivência democrática por meio da participação em associações, grêmios, sindicatos e partidos políticos.

f) Se algo fosse considerado uma verdade científica, mesmo assim as pessoas poderiam decidir contrariamente a essa verdade?

g) O que é preferível: uma decisão certa tomada por um tirano ou uma decisão errada deliberada democraticamente?

Plano de discussão: Democracia ou tecnocracia?

a) Você acha que só os economistas devem decidir os rumos da economia? Questões como a taxa de juros, por exemplo, deveriam ser alvo de uma deliberação democrática?

b) Você acha que os alunos também deveriam participar na direção da escola, os operários na direção das fábricas, e assim por diante?

c) Leia a opinião de Platão sobre esse tema e depois discuta com os colegas da classe:

"Enquanto não forem, ou os filósofos reis nas cidades, ou os que agora se chamam reis e soberanos filósofos genuínos e capazes, e se dê esta coalescência do poder político com a filosofia, enquanto as numerosas naturezas que atualmente seguem um destes caminhos com exclusão do outro não forem impedidas forçosamente de o fazer, não haverá tréguas dos males, meu caro Gláucon, para as cidades, nem sequer julgo eu, para o gênero humano, nem antes disso será jamais possível e verá a luz do sol a cidade que há pouco descrevemos." (PLATÃO. A República. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1987, p. 252).

Plano de discussão: é possível destruir uma idéia?

Platão afirma que as idéias são eternas e imutáveis. Logo, não é possível que uma idéia seja criada ou destruída. Será que Platão está certo? Para sabermos isso vamos realizar um teste: escreva no seu caderno como destruir uma idéia; a seguir, apresente sua solução para os colegas, para ver se ela resiste aos argumentos contrários. Depois, discuta com a classe as seguintes questões:

a) Se não houvesse mais ninguém no mundo, ainda assim as idéias continuariam existindo?

b) Se 2 + 2 é sempre 4, isso significa que os números são eternos?

c) Várias tribos de índios não sabem contar até 10. Isso significa que os números foram inventados e, portanto, que os números não são eternos?

d) É possível pensar sem ter idéias?

e) Se a galinha morre, a idéia de galinha também morre?

f) As pessoas podem mudar de idéia ou apenas de opinião?

g) É possível que existam idéias falsas (como, por exemplo, a idéia falsa de uma cor ou de uma figura) ou apenas erros humanos ao associar uma idéia com uma coisa?

h) É possível ter uma idéia que ninguém antes tenha pensado, ou apenas repetimos sempre as mesmas idéias com pequenas diferenças?

 

Josué Cândido da Silva
é professor de filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus (BA).

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