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Ensino Fundamental


Sociologia - Movimento estudantil no Brasil

Renato Cancian

Movimento estudantil no Brasil

Objetivo

Conhecer um importante e influente movimento social, que marcou presença nas conjunturas políticas das décadas de 1960 e 1970.

Estratégias pedagógicas

Prática de leitura e interpretação crítica de textos, debates a partir de exposição oral e pesquisa histórica.

Aulas 1 e 2

O professor abordará nessas duas aulas expositivas as seguintes questões:

1) Qual o significado e como explicar as grandes mobilizações e manifestações estudantis que irromperam no cenário nacional nos anos de 1960 e 1970? Como entender a inexistência, nas últimas duas ou três décadas, de um forte movimento estudantil no Brasil?

2) As abordagens teóricas sobre o tema são diversificadas e fornecem explicações distintas devido às seguintes razões:

a) os movimentos sociais protagonizados por jovens se revestem de grande complexidade interpretativa. No caso do movimento estudantil, trata-se de um movimento que produz muito discurso sobre si mesmo e, por esse motivo, o pesquisador deve ter cuidado redobrado para não se desviar da análise objetiva.

b) pelo fato de os movimentos estudantis serem protagonizados por jovens, muitos autores lançaram um olhar sobre o movimento a partir de uma análise "geracional"; ou seja, levaram em consideração teorias que consideram a fase de vida juvenil um período transitório e marcado por comportamentos que se caracterizam pela rebeldia irrefletida (ou seja, sem objetivos).

c) pelo fato de os estudantes universitários pertencerem, em sua maioria, aos estratos médios da sociedade brasileira (pois essa foi uma tendência das décadas de 1960 e 1970), alguns autores tenderam a analisar o movimento estudantil a partir das teorias classistas, identificando nas reivindicações estudantis conteúdos da classe social de que o estudante se origina.

d) outra corrente teórica tende a analisar o movimento estudantil como um movimento de vanguarda intelectual. Essa corrente explica o engajamento, os protestos e as reivindicações políticas do movimento estudantil, tendo por referência o fato de os jovens estarem vinculados à universidade, considerada a instituição mais importante na transmissão de valores e na formação da capacidade de reflexão crítica.

Aulas 3, 4 e 5

Nestas aulas, o professor desenvolverá com a classe atividades de leitura e interpretação crítica de textos:

1) O professor deve selecionar alguns dos textos sugeridos abaixo, ou qualquer outro que considerar interessante, e solicitar aos alunos que façam uma leitura prévia. Seria interessante selecionar textos que se enquadrem nas três correntes teóricas mencionadas acima e dividir a sala em grupos. Cada grupo deve se encarregar de ler um autor.

2) Um exercício que auxilia os alunos na leitura crítica é o preparo, por parte do professor, de um breve roteiro para orientar o aluno, a fim de que ele preste atenção aos aspectos ou argumentos mais importantes do texto.

3) O professor deve reservar uma aula para apresentação das leituras, de modo que cada grupo exponha as teorias e explicações de cada autor.

4) A partir da leitura dos textos, o professor deve encaminhar a discussão para o entendimento do movimento estudantil atual. É possível oferecer uma explicação sobre a inatividade de um movimento estudantil na conjuntura política brasileira.

Aula 6

Trabalho em grupo ou individual:

1) O professor deve solicitar aos alunos que realizem pesquisas em jornais das décadas de 1960 e 1970, e também da época atual, sobre o tema do movimento estudantil.

2) O trabalho consiste em exercitar a interpretação crítica dos artigos jornalísticos. É possível encontrar diversas tendências de interpretação do movimento estudantil, que expliquem o comportamento dos estudantes em diferentes épocas?

Aula 7

Apresentação dos trabalhos.

Fontes bibliográficas

Os textos Movimento estudantil - o foco da resistência ao regime militar no Brasil e "Os estudantes e a política no Brasil (1962-1992)", in Revista Teoria e Pesquisa, nº 10, 1994, UFSCar.

E o livro: Movimento estudantil e ditadura militar (1964-1968), de João Roberto Martins Filho, Editora Papirus, 1987.

é cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais, é autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: Gênese e Atuação Política -1972-1985" (Edufscar).

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