Brasileiros têm "péssima educação argumentativa", segundo cientista

Antonio Carlos Olivieri, da Página 3 Pedagogia & Comunicação

 

Polarização. Você já deve ter ouvido essa palavra recentemente, aplicada às opiniões de grande parte da população brasileira, em especial no que se refere a questões políticas. A polarização surge da divergência de ideias e tem gerado não somente discussões e debates, mas verdadeiros conflitos, nem sempre no âmbito exclusivamente verbal. Diante desse vale-tudo, é o caso de se perguntar: é para isso que serve o debate, a discussão, o confronto de ideias? Os brasileiros não têm uma correta educação argumentativa? Leia os textos que integram esta proposta de redação, reflita sobre o assunto e redija uma dissertação argumentativa em forma de carta, em que você vai tentar explicar ao destinatário como deve ser um debate, para que ele dê resultados, produza esclarecimento para ambas as partes e seja, afinal, construtivo. Você é capaz de argumentar sobre o modo correto de debater, evitando a polarização?

 

Patrulha moralista

Estão todos com pedras na mão prontos para mirar no próximo infiel que dê o menor sinal de pecador. Uma frase mal colocada, um título com ironia ou a falta de reverência a uma causa bastam para os patrulheiros começarem o massacre moralista no Facebook.

A patrulha moralista domina tanto a esquerda quanto a direita. Olavo de Carvalho leu um gibi da "Turma da Mônica" com a frase "meu corpo, minhas regras" e em milésimos de segundo concluiu: a revistinha havia se transformado "num odiento discurso abortista"! A roteirista da publicação foi ameaçada e ganhou montagens com ofensas. Na verdade, a Mônica do gibi usou a frase para reclamar de quem insistia para ela usar aparelho dentário e deixar de ser dentuça.

Na esquerda, Jean Wyllys é quem costuma entender errado declarações só para ouriçar seus seguidores e ganhar compartilhamentos. Em 2012, Gilberto Dimenstein se perguntou aqui na Folha se São Paulo precisava "importar um baiano" para a secretaria de Cultura. Bastava ler o texto para perceber que o colunista defendia a contratação do baiano Juca Ferreira porque São Paulo "é aberta, marcada pela diversidade". Mas Jean Wyllys não quis entender: viu ali uma demonstração de xenofobia e de ódio paulista aos nordestinos.

Leandro Narloch, Folha de S. Paulo

 

 

Discussão serve para construir conhecimento

Não é fácil vencer uma discussão. Especialmente em um contexto inflamado, em que as opiniões se polarizam, notícias falsas se proliferam, debatedores recorrem a ofensas e sarcasmo e festas de fim de ano criam ambientes propícios para a briga. Uma boa discussão, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, não serve para a disputa - e, sim, para a construção do conhecimento. Nesse sentido, saber sustentar uma boa argumentação é fundamental.

Walter Carnielli, matemático, professor de lógica na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor de Pensamento crítico - o poder da lógica e da argumentação, livro escrito em parceria com o matemático americano Richard L. Epstein, explica: "Um argumento é uma ‘viagem lógica’ que vai das premissas à conclusão. Conforme a definição dada no nosso livro, um bom argumento é aquele em que há boas razões para que as premissas sejam verdadeiras, e, para além disso, as premissas apresentam boas razões para suportar ou apoiar a conclusão".

Para Carnielli, os brasileiros têm uma "péssima educação argumentativa". Confundimos discussão com briga e não sabemos lidar bem com críticas. Mas há técnicas que podem ajudar na construção de bons argumentos - e também a evitar armadilhas comuns em uma discussão, como o uso de falácias. Ainda segundo o autor:

"Existe um princípio metodológico importante na argumentação que é o Princípio da Acomodação Racional, também conhecido como Princípio da Caridade, e que foi tratado por filósofos de peso como Willard Van Orman Quine e Donald Davidson. O princípio exige que devemos tentar entender o ponto de vista do oponente em sua forma mais forte e persuasiva antes de submeter sua visão à nossa avaliação. Dessa forma, devemos primeiro fazer todos os esforços para esclarecer as premissas e a conclusão do oponente, inclusive ajudando-o a reparar os pontos fracos. Só então, após essa atitude respeitosa, é que devemos gentilmente apontar a ela ou a ele onde suas premissas são falhas ou duvidosas, e/ou porque tais premissas não apoiam a conclusão. (...) É a maneira mais respeitosa e produtiva de manter uma discussão honesta".

Nexo - Jornal Digital (editado pelo Banco de Redações UOL)

 

Observações

 

Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa.

Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa.

Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração.

A redação deve ser digitada e ter, no mínimo, 800 caracteres e, no máximo, 3.000 caracteres.

De preferência, dê um título à sua redação.

Envie seu texto até 25 de agosto de 2017.

Confira as redações avaliadas a partir de 1 de setembro de 2017.

A redação deve ser digitada e enviada para o e-mail: bancoderedacoes@uol.com.br

 

Com base nos textos acima, elabore sua redação sobre o tema "Brasileiros têm "péssima educação argumentativa", segundo cientista." Quando ela estiver pronta, envie para bancoderedacoes@uol.com.br

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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