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Redações Corrigidas - Março/2020 Carnaval e apropriação cultural

Bloco Cordão do Boitatá anima os foliões em baile multicultural na praça XV, no Rio de Janeiro, celebrando a ancestralidade africana - Fernando Frazão/Agência Brasil
Bloco Cordão do Boitatá anima os foliões em baile multicultural na praça XV, no Rio de Janeiro, celebrando a ancestralidade africana Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

Antonio Carlos Olivieri, da Página 3 Pedagogia & Comunicação

2020-03-01-05:00

No Carnaval de 2020, veio novamente à tona uma discussão relacionada ao uso indevido de símbolos culturais em blocos e escolas de samba. Para alguns, isso caracteriza uma apropriação cultural, ou seja, o fato de pessoas de uma cultura hegemônica ou dominante adotarem elementos de uma cultura que não é a sua e usá-los em outro contexto, sem referência ou relação com aquela cultura.

Eis um exemplo concreto: a atriz Alessandra Negrini, rainha do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, recebeu muitas críticas nas redes sociais por ter escolhido uma fantasia cheia de referências indígenas para desfilar no bloco, que fez seu pré-Carnaval em São Paulo, no domingo 16 de fevereiro. A polêmica que se formou é se Alessandra estaria ou não se apropriando de outra cultura - afinal, há mais de um Carnaval que desfilar de índio ou turbante não é visto com bons olhos por quem se autodenomina progressista.

Nos textos da coletânea que acompanham esta proposta de redação, há opiniões de indígenas tanto a favor quanto contra ao uso de fantasias. A partir delas e dos seus conhecimentos sobre o assunto, redija uma dissertação argumentativa, expondo e defendendo o seu ponto de vista sobre a apropriação cultural. Ocorre, de fato, no Carnaval, uma apropriação indevida de uma cultura por outra? Esse fenômeno pode ser considerado positivo ou negativo? Por quê?

  • Índio não é fantasia

    Penas, pinturas corporais e cocares que remetem a povos indígenas devem ser usados como fantasias de carnaval? A ativista Katú Mirim, de 31 anos, afirma que isso é racismo e lançou a campanha #ÍndioNãoÉFantasia para questionar a representação estereotipada de culturas. "Isso é racismo, não é homenagem", dispara Katú em vídeo publicado no Youtube, em que critica a aparição de celebridades ornamentadas com símbolos indígenas. Desde então, Katú vem recebendo muitas mensagens de apoio, mas também muitas críticas e ataques.

    "Se as pessoas não entendem que dizer que 'índio só pode viver no meio do mato, sem usar coisa do branco' é um estereótipo, fica complicado para elas perceberem que as representações das fantasias de 'índio' são somente a perpetuação desse pensamento", diz. E complementa: "Acham que é homenagem, porque é 'exótico', 'algo natural do Brasil', que faz parte da cultura brasileira... mas se você pergunta a qual povo aquela pessoa está homenageando ao se fantasiar, ela não saberá responder, até porque dificilmente as pessoas conhecem nossa pluralidade étnica".

    G1 (Editado)

  • Troca de culturas

    "Usar cocar no carnaval não é desrespeito, é troca entre culturas". Essa é a opinião de Ysani Kalapalo, indígena da região do Alto Xingu, no Mato Grosso. Em meio à polêmica sobre o que se "pode ou não" usar nos blocos de rua neste ano, a ativista dos direitos indígenas comentou sobre o assunto, enfatizando que cada povo indígena tem cultura e opiniões diferentes. Ysani afirmou que, para ela, ver foliões usando cocar no Carnaval não ofende.

    "Eu vou falar da minha cultura. Eu sou do povo Kalapalo, natural do parque indígena do Xingu. Na minha cultura Kalapalo, pelo que eu vivi e vi, não tem nada demais usar cocar e adereços indígenas no carnaval", afirma ela, no vídeo. "Quando um branco vai para a nossa tribo, ele usa cocar e adereços e a gente não acha nada de ruim. E quando a gente vai para a cidade a gente usa roupa, óculos, tênis de marca", completa, afirmando que racismo é "quando branco chama o índio de bicho e incapaz" e "tira o índio da sua terra".

    BBC Brasil (editado)

  • Como enviar sua redação

    Seu texto deve ser escrito na modalidade formal da língua portuguesa.

    Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa.

    Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração.

    A redação deve ser digitada e ter, no mínimo, 800 caracteres e, no máximo, 3.000 caracteres.

    De preferência, dê um título à sua redação.

    Envie seu texto até 25 de março de 2020.

    Confira as redações avaliadas a partir de 1 de abril de 2020.

    A redação pode ser enviada para o e-mail: bancoderedacoes@uol.com.br

Redações corrigidas

Título nota (0 a 1000)

Os textos desse bloco foram elaborados por internautas que desenvolveram a proposta apresentada pelo UOL para este mês. A seleção e avaliação foi feita por uma equipe de professores associada ao Banco de redações.

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica foram aceitas até 2012.

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