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Redações Corrigidas - Março/2016 Carta-convite: discutir discriminação na escola

Domínio Público
A bandeira com as cores do arco-íris tornou-se um símbolo primeiramente da comunidade gay norte-americana nos anos 1970 e, depois, da diversidade sexual Imagem: Domínio Público

Antonio Carlos Olivieri, da Página 3 Pedagogia & Comunicação

2016-03-01T07:00:00

01/03/2016 07h00

Em São José dos Campos (SP), no dia 22 de fevereiro de 2016, um estudante de 18 anos foi violentamente agredido com pauladas, socos e pontapés, na saída da escola. Motivo: ele é homossexual. Apesar de abominável, o fato não chega a ser inédito. A propósito, uma pesquisa recente revelou que cerca de 20% dos alunos de vários Estados brasileiros não querem ter colegas homossexuais, travestis, transexuais ou transgêneros. Suponha que, na sua escola, diante de um problema desse tipo, isto é, a presença de um ou mais alunos com opção sexual diferente da maioria, um grupo de alunos resolveu marcar uma discussão sobre o assunto, de modo a propor soluções e estabelecer uma convivência pacífica. Você ficou encarregado de escrever a carta-convite a todos os membros da comunidade escolar a participar dessa reunião. No seu texto, você deve convencer os destinatários da importância da iniciativa. No artigo abaixo, publicado pelo UOL Vestibular, você vai encontrar algumas reflexões acerca de intolerância, tolerância, direitos humanos e alteridade. Você deve usá-los em seu texto, adaptando-os à situação específica de sua carta-convite.

  • Intolerância: Coexistir com as diferenças é um desafio?

    Você gosta do partido A ou B? Cuidado. Provavelmente a resposta pode gerar algum tipo de discórdia. É cada vez mais comum no Brasil brigas por causa de partidos ou posições políticas. Militantes são hostilizados nas ruas, políticos são vaiados em locais públicos e amizades se desfazem na rede social.

    (...)

    A palavra política surge na Grécia Antiga como uma tradição que estimula o debate e a liberdade no pensar e no agir. Uma cultura democrática é uma cultura do diálogo. A democracia é um sistema de governo baseada no diálogo da sociedade civil. O problema é quando não existe o debate de ideias, mas o pensamento único que leva ao ódio e ações violentas. 

    O radicalismo do debate político é apenas uma das faces da intolerância da sociedade brasileira. Basta espiar as notícias e perceber a violência contra o outro em diversas esferas: uma apresentadora de TV foi ofendida na internet por ser negra. Nas favelas do Rio de Janeiro, traficantes convertidos em evangélicos proíbem umbanda e candomblé em territórios que estão sob seus domínios. Em São Paulo, motoristas do aplicativo Uber foram agredidos por taxistas.

    A tolerância acontece quando existe uma convivência respeitosa entre as diferenças. Já a intolerância é um comportamento que se materializa pela violência física ou simbólica, motivada pelo ódio ao outro. Trata-se de uma violência que é usada no cotidiano contra pessoas e povos, baseada na dificuldade de entender e aceitar as diferenças. Ela pode ser étnica, política, de gênero, de classes, religiosa, sexual, cultural e social. O desafio do mundo contemporâneo é o de que todas essas identidades consigam conviver juntas e em paz. 

    (...)

    A noção de tolerância que temos hoje tem raízes no Iluminismo. Em 1689, o filósofo inglês John Locke (1632-1704) escreveu a Carta sobre a Tolerância, que trouxe importantes argumentos na defesa da tolerância. 

    Naquela época, eram comuns massacres recíprocos entre católicos e protestantes na Europa. Na Carta, Locke defende a preservação de certos direitos dos indivíduos e afirma que os homens não têm o direito de infligir tortura por motivo religioso.

    Locke rejeita a conversão da fé à força. Ele acredita que ninguém pode mudar sua fé pelo simples comando de outro. Para ele, as perseguições religiosas provocam ainda mais intolerância. Por outro lado, o respeito pela consciência alheia disseminaria a paz na sociedade. 

    As reflexões dos filósofos iluministas influenciaram a criação de leis que reconhecem todos como iguais. Após a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, a ONU assinou a Declaração Universal dos Direitos do Homem. O primeiro artigo da Declaração diz que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Os indivíduos têm direitos porque são seres humanos, e não por sua condição social. 

    Constituição brasileira também assegura que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza e garante aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. 

    (...)

    A palavra alteridade, originária do latim possui o prefixo alter (o outro) que significa compreender o lugar do outro e ter consciência que ele existe. A convivência com a alteridade é uma forma de pensar, escutar e dialogar com o outro. 

    No entanto, o exercício da alteridade não é fácil. Começamos a olhar o outro como um estranho, mas não como um “outro”. A visão de alteridade é ser capaz de olhar o outro como um sujeito visível, próximo, e não como um inimigo. Sair de sua própria visão de mundo para entrar na existência da outra pessoa. 

    Hannah Arendt (1906-1975) acreditava que a pluralidade fazia parte da condição humana. Para ela, não nascemos iguais, mas nos tornamos iguais. A igualdade seria uma construção que poderia existir somente na esfera pública da vida, na liberdade pública e no acesso a direitos. Arendt reconhece que o totalitarismo obstrui a experiência do outro, para focar na dominação e supressão do outro. Quando o mundo perde a capacidade de relacionar as pessoas, o poder cede lugar à força e à violência. Nesse caso, o sujeito cidadão desaparece.

    [Veja o texto completo aqui]

  • Observações

    Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa;

    Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa;

    Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração;

    A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas;

    De preferência, dê um título à sua redação.

    Envie seu texto até 25 de março de 2016.

    Confira as redações avaliadas a partir de 1 de abril de 2016.

    As redações devem ser digitadas e enviadas pelo email: bancoderedacoes@uol.com.br

     

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Os textos desse bloco foram elaborados por internautas que desenvolveram a proposta apresentada pelo UOL para este mês. A seleção e avaliação foi feita por uma equipe de professores associada ao Banco de redações.

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