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Redações Corrigidas - Julho/2017 Por que não há novas manifestações nas ruas?

Antônio Cruz/Agência Brasil
Manifestação em frente ao Congresso Nacional, exigindo medidas anticorrupção e o fim do foro privilegiado para políticos Imagem: Antônio Cruz/Agência Brasil

Antonio Carlos Olivieri, da Página 3 Pedagogia & Comunicação

2017-07-01T05:00:00

01/07/2017 05h00

 

Um artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 29 de junho deste ano, do filósofo e jornalista Hélio Schwartsman, lança uma questão muito interessante sobre a complexa situação política do Brasil de hoje. O país enfrentou, há menos de um ano, o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Agora, vê-se diante da possibilidade de queda de seu sucessor: o presidente Michel Temer. “Por que Temer não cai?” - indaga-se o articulista, respondendo a seguir que uma explicação muito plausível é a ausência do povo nas ruas. Em junho de 2013, o Brasil viu emergir quase espontaneamente grandes manifestações contra a crise econômica e a corrupção, assim como também assistiu a protestos muito grandes em 2016, reunindo milhões de pessoas em todo o país, para pedir a saída de Dilma e apoiar a Operação Lava Jato. Diante disso, é interessante tentar compreender por que, agora, em 2017, as manifestações populares simplesmente não ocorrem. A corrupção não acabou e a economia não entrou nos trilhos... Na sua opinião, o que levou os brasileiros a essa atitude aparentemente passiva? A crença nas reformas que tirariam o país da crise? O apoio silencioso ao presidente ou à sua equipe econômica? Ou ainda um completo desencanto com a política, depois de tantos escândalos e de injustiças? Leia o texto do filósofo, reflita sobre o problema e redija uma dissertação argumentativa, expondo seu ponto de vista sobre o assunto.

 

  • Por que Temer não cai?

     

    Por que Michel Temer não cai? Moralmente, ele já está liquidado. Deixou-se apanhar numa gravação em que se comporta de modo incompatível com o cargo. O caso jurídico contra ele também é sólido. Talvez não seja tão apodítico quanto quer Rodrigo Janot, mas a denúncia oferecida nesta segunda certamente mereceria ser posta à prova num julgamento perante o STF.

    O presidente, porém, vai se agarrando ao cargo. Ele tem o apoio do empresariado, ainda que este se torne cada vez mais tíbio, à medida que fica claro que o governo não conseguirá entregar um pacote de reformas à altura da encrenca fiscal.

    Temer também encontra sustentação num grupo relativamente coeso de parlamentares. E bastam 172 deputados —um terço da Casa— para assegurar que a denúncia de Janot contra o presidente não avance e também para bloquear um eventual processo de impeachment. Esses congressistas acreditam, a meu ver erroneamente, que a manutenção de Temer será capaz de estancar a sangria da Lava Jato.

    O fator mais notável a dar sobrevida a Temer, porém, é uma ausência. Não há, pelo menos até aqui, um movimento popular forte exigindo sua saída. Se há algo que as ciências sociais são ruins em explicar é a eclosão de protestos generalizados. A literatura oferece apenas umas poucas pistas, que não são das mais animadoras para os que desejam ver o presidente expelido do cargo.

    O surgimento de manifestações maciças já foi correlacionado à inflação, particularmente à inflação de alimentos, e, paradoxalmente, a crescimento econômico recente (que, por alguma razão, passa a ser visto como ameaçado). Nenhum dos dois elementos está presente no Brasil hoje, já que a inflação é cadente e o crescimento, após dois anos de recessão, não passa de uma pálida memória.

    Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo

  • Observações

     

    Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa.

    Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa.

    Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração.

    A redação deve ser digitada e ter, no mínimo, 800 caracteres e, no máximo, 3.000 caracteres.

    De preferência, dê um título à sua redação.

    Envie seu texto até 25 de julho de 2017.

    Confira as redações avaliadas a partir de 1 de agosto de 2017.

    A redação deve ser digitada e enviada para o e-mail: bancoderedacoes@uol.com.br

     

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