Por que não há novas manifestações nas ruas?

Antonio Carlos Olivieri, da Página 3 Pedagogia & Comunicação

  • Antônio Cruz/Agência Brasil

    Manifestação em frente ao Congresso Nacional, exigindo medidas anticorrupção e o fim do foro privilegiado para políticos

    Manifestação em frente ao Congresso Nacional, exigindo medidas anticorrupção e o fim do foro privilegiado para políticos

 

Um artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 29 de junho deste ano, do filósofo e jornalista Hélio Schwartsman, lança uma questão muito interessante sobre a complexa situação política do Brasil de hoje. O país enfrentou, há menos de um ano, o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Agora, vê-se diante da possibilidade de queda de seu sucessor: o presidente Michel Temer. "Por que Temer não cai?" - indaga-se o articulista, respondendo a seguir que uma explicação muito plausível é a ausência do povo nas ruas. Em junho de 2013, o Brasil viu emergir quase espontaneamente grandes manifestações contra a crise econômica e a corrupção, assim como também assistiu a protestos muito grandes em 2016, reunindo milhões de pessoas em todo o país, para pedir a saída de Dilma e apoiar a Operação Lava Jato. Diante disso, é interessante tentar compreender por que, agora, em 2017, as manifestações populares simplesmente não ocorrem. A corrupção não acabou e a economia não entrou nos trilhos... Na sua opinião, o que levou os brasileiros a essa atitude aparentemente passiva? A crença nas reformas que tirariam o país da crise? O apoio silencioso ao presidente ou à sua equipe econômica? Ou ainda um completo desencanto com a política, depois de tantos escândalos e de injustiças? Leia o texto do filósofo, reflita sobre o problema e redija uma dissertação argumentativa, expondo seu ponto de vista sobre o assunto.

 

Por que Temer não cai?

 

Por que Michel Temer não cai? Moralmente, ele já está liquidado. Deixou-se apanhar numa gravação em que se comporta de modo incompatível com o cargo. O caso jurídico contra ele também é sólido. Talvez não seja tão apodítico quanto quer Rodrigo Janot, mas a denúncia oferecida nesta segunda certamente mereceria ser posta à prova num julgamento perante o STF.

O presidente, porém, vai se agarrando ao cargo. Ele tem o apoio do empresariado, ainda que este se torne cada vez mais tíbio, à medida que fica claro que o governo não conseguirá entregar um pacote de reformas à altura da encrenca fiscal.

Temer também encontra sustentação num grupo relativamente coeso de parlamentares. E bastam 172 deputados —um terço da Casa— para assegurar que a denúncia de Janot contra o presidente não avance e também para bloquear um eventual processo de impeachment. Esses congressistas acreditam, a meu ver erroneamente, que a manutenção de Temer será capaz de estancar a sangria da Lava Jato.

O fator mais notável a dar sobrevida a Temer, porém, é uma ausência. Não há, pelo menos até aqui, um movimento popular forte exigindo sua saída. Se há algo que as ciências sociais são ruins em explicar é a eclosão de protestos generalizados. A literatura oferece apenas umas poucas pistas, que não são das mais animadoras para os que desejam ver o presidente expelido do cargo.

O surgimento de manifestações maciças já foi correlacionado à inflação, particularmente à inflação de alimentos, e, paradoxalmente, a crescimento econômico recente (que, por alguma razão, passa a ser visto como ameaçado). Nenhum dos dois elementos está presente no Brasil hoje, já que a inflação é cadente e o crescimento, após dois anos de recessão, não passa de uma pálida memória.

Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo

Observações

 

Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa.

Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa.

Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração.

A redação deve ser digitada e ter, no mínimo, 800 caracteres e, no máximo, 3.000 caracteres.

De preferência, dê um título à sua redação.

Envie seu texto até 25 de julho de 2017.

Confira as redações avaliadas a partir de 1 de agosto de 2017.

A redação deve ser digitada e enviada para o e-mail: bancoderedacoes@uol.com.br

 

Com base nos textos acima, elabore sua redação sobre o tema "Por que não há novas manifestações nas ruas?." Quando ela estiver pronta, envie para bancoderedacoes@uol.com.br

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