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Redações Corrigidas - Abril/2017 Terceirização: avanço ou retrocesso?

Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
Trabalhadores se manifestam contra a terceirização diante do Congresso, em Brasília Imagem: Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados

Antonio Carlos Olivieri, da Página 3 Pedagogia & Comunicação

01/04/2017 05h00

 

Uma palavra se tornou frequente no noticiário brasileiro atual: terceirização, uma medida que integra o pacote de reformas do governo federal. A terceirização é uma forma de organização de empresas, em que elas não precisam contratar trabalhadores para atividades não relacionadas àquilo que produzem. As faxineiras de uma fábrica de automóveis ou os agentes de segurança dos bancos, por exemplo, são geralmente funcionários terceirizados, contratados por empresas especializadas em oferecer serviços de recursos humanos ou de segurança. A terceirização se generalizou nos países desenvolvidos no início dos anos 1960. Ganhou força na atualidade, com a globalização. Chegou ao Brasil por volta da década de 1990. O que se discute agora, no país, é a possibilidade de se terceirizar também a atividade-fim: uma metalúrgica poderia utilizar os serviços de operários terceirizados, sem contratá-los, negociando com uma empresa que fornece mão de obra especializada. O tema é polêmico, como mostra a coletânea de textos que informa essa proposta de redação. Leia-os e redija uma dissertação argumentativa a favor ou contra a terceirização, de acordo com o seu ponto de vista sobre a questão.

 

  • Reinvenção do Trabalho

    Se há algo que fez a humanidade passar do estado de miséria permanente em que viveu a maior parte de sua existência para a era de prosperidade em que nos encontramos é a especialização do trabalho. É ela que permite que ofereçamos mercadorias e serviços com eficiência. Se cada um de nós tivesse de produzir sozinho o próprio jantar, ainda estaríamos todos arando a terra e cuidando de galinhas, o que significa dizer que não haveria cidades, ciência, tecnologia, artes etc.

    O capitalismo nunca deixa de apostar em mais especialização. A terceirização é mais uma etapa dessa tendência. Cada vez mais as empresas atuarão não como unidades autônomas de produção, mas como agenciadoras de profissionais, muitos deles autônomos, que usam peças feitas por vários outros fabricantes. É um processo meio selvagem, que deixa mortos e feridos pelo caminho, mas que é irrefreável.

    [Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo]

  • Chances trabalhistas

     

    A despeito da compreensível celeuma em torno do assunto, há boas perspectivas de que o Congresso encontre uma solução satisfatória para regulamentar a terceirização de mão de obra.

    Convém não perder de vista os objetivos e os riscos de tal medida. Trata-se de facilitar contratações -gerar mais empregos- a partir de alterações na arcaica legislação trabalhista nacional.

    Pretende-se, basicamente, permitir que empresas contratem os serviços de outras para qualquer tarefa. Hoje, está vedada essa prática quando envolve a atividade-fim da empresa contratante.

    Tal processo deve ser conduzido com cuidado, entretanto, para evitar efeitos colaterais como a proliferação de empregos precários, sem direitos básicos como férias e limite da jornada de trabalho.

    [Folha de S. Paulo]

  • Precarização

    Com a aprovação do projeto de lei que libera a terceirização para todas as atividades das empresas, haverá uma grande precarização do trabalho, avaliou o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região – São Paulo (TRT-2), Wilson Fernandes.

     

    “Se a empresa terceiriza um trabalho, ela dispensa dez trabalhadores e contrata [por meio de uma empresa terceirizada] outros dez para fazer o trabalho daqueles, e por que ela faz isto? Porque vai sair mais barato para ela. Se vai sair mais barato para ela, de onde sai a diminuição de custo? Do salário do trabalhador, obviamente”, disse.

     

    Fernandes acrescentou que a empresa prestadora de serviços, que vai fornecer essa mão de obra terceirizada, será constituída para ter lucro. “E de onde sai o lucro dela? Do salário do trabalhador indiscutivelmente”.

     

    [Exame]

     

  • Bom para quem?

     

    A lei de terceirização é boa? A resposta para essa pergunta depende muito da posição no mercado que você ocupa. Ela terá consequências diversas para patrões e trabalhadores, e atingirá de forma diferente o setor público e o privado.

    A advogada trabalhista e professora da PUC-SP Fabíola Marques afirma que a nova lei da terceirização só é boa para o patrão, “que vai terceirizar sempre que isso lhe trouxer uma redução de custos". De acordo com ela, a medida trará economia na folha de pagamento e nos encargos trabalhistas das empresas. Mas uma consequência direta dessa economia é “a redução do valor pago ao empregado terceirizado, que terá sua situação precarizada”. Ou seja, se o empresário gasta menos ao terceirizar, o valor pago à companhia contratada – que conta com sua própria hierarquia e também busca o lucro – será menor, e o salário que essa empresa paga a seus funcionários será mais baixo do que o recebido antes.

    [El País]

     

  • Observações

    Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa.

    Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa.

    Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração.

    A redação deve ter, no mínimo, 800 caracteres e, no máximo, 3.000 caracteres.

    De preferência, dê um título à sua redação.

    Envie seu texto até 25 de abrilde 2017.

    Confira as redações avaliadas a partir de 1 de maio de 2017.

    A redação deve ser digitada e enviada para o e-mail: bancoderedacoes@uol.com.br

     

Redações corrigidas

Título nota (0 a 1000)

Os textos desse bloco foram elaborados por internautas que desenvolveram a proposta apresentada pelo UOL para este mês. A seleção e avaliação foi feita por uma equipe de professores associada ao Banco de redações.

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica foram aceitas até 2012.

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