A cultura do estupro e a objetificação da mulher

NOTA 8,5

Recentemente um caso de estupro coletivo foi o principal assunto de várias manchetes brasileiras. Após tal atrocidade contra uma menina de 16 anos anos, a população se dividiu em dois grupos. O primeiro grupo busca uma forma de legitimar a violência ocorrida, rotulando a menina como drogada. Já o segundo grupo defende a ideia de que o estupro é um crime que independe da vítima e que os estupradores devem ser punidos imediatamente.


Nosso país precisa mudar a maneira com que lida com o estupro. Em vez de ensinarmos os homens a não estuprarem, ensinamos as mulheres a se defenderam defenderem. Essa atitude equivocada ainda está presente por conta da cultura do estupro. Graças a essa cultura cultura, a violência sexual se tornou normal.

A cultura do estupro se origina da objetificação das mulheres que está presente, por exemplo, nos comerciais televisivos, onde mulheres aparecem como um simples corpo para agradar os homens. Além disso, outros fatores que favorecem a objetificação das mulheres é a disseminação de imagens, vídeos, músicas, comentários e piadas sexistas. É por conta dessa cultura que que, muitas vezes vezes, as mulheres preferem permanecerem permanecer caladas do que reportarem o abuso, pois são tachadas de muitas coisas coisas, exceto de vítima.

Muitos aprovam como solução a castração química, pois baseiam-se no mito de que os estupradores são pessoas com problemas mentais. Contudo, o ato do estupro é muitas vezes originário de uma decisão consciente do indivíduo que o pratica, devido a à cultura do estupro. Assim, a solução está na mudança do pensamento da sociedade em relação a à mulher e não na inibição do da libido.

Fica clara, portanto, a necessidade de acabar com a objetificação da mulher e consequentemente a e, consequentemente, com a cultura do estupro. Podemos alcançar tal objetivo educando nossas crianças, o futuro dessa nação. Enquanto isso, é de suma importância que as delegacias se adaptem melhor para receber vítimas de estupros, acabando com a discriminação enfrentada pelas mulheres que se encontram nessas situações. Esperamos, assim, acabar com o único crime no qual em que a vítima é julgada junto juntamente com o criminoso.

Comentário geral

Texto bom, em que falta coesão e sobram divagações. De fato, o autor refletiu sobre o tema seguindo corretamente uma estrutura dissertativa, em que notam apenas pequenas dúvidas ou equívocos conceituais, que prejudicam sua argumentação. Em termos de linguagem, o texto sobressai à média, demonstrando um total domínio da capacidade de se expressar formalmente, ainda que sem muita elegância de estilo, mas isso está longe de ser o principal numa redação escolar, que não é o texto de um jornalista, de um escritor ou de um poeta. 

Aspectos pontuais

1) Segundo parágrafo: na verdade, há um salto entre o que foi dito no parágrafo anterior e o que é dito neste, o que prejudica sua coesão e lhe dá o caráter de uma divagação. Não bastasse isso, a afirmação de que o Brasil ensina as mulheres a se defenderem dos estupradores, mas não ensino os homens a não estuprar, é feita de modo ambíguo e não parece ter fundamento na realidade, por simplificar demais a questão e por não contar com dados que a confirmem.

2) Terceiro parágrafo: a) mais um problema de coesão. O parágrafo anterior termina falando da culpabilização da vítima. Então o como solução, sozinho do jeito que está na frase, sem nenhum complemento, refere-se a essa culpabilização, quando, na verdade, deveria referir-se ao estupro propriamente dito. Ou seja, seria melhor falar em solução para previnir o estupro. b) Libido é uma das raríssimas palavras femininas da língua portuguesa que termina em o.

3) Quarto parágrafo: a) é um fato que o Estado brasileiro tem procurado melhorar o atendimento às vítimas de estupro, basta lembrar que já existem várias delegacias da mulher. Até no caso do estupro coletivo no Rio, o delegado que agiu de modo machista foi afastado e substituído por uma delegada. Então, melhorar o atendimento às vítimas não é algo a ser implementado, mas aprimorado. b) A expressão com que o parágrafo se encerra é ambígua. Correto seria dizer que esse é o único crime em que se culpa a vítima, além do criminoso.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 2,0
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 2,0
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 2,0
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,5
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 1,0
Nota final 8,5
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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