A falácia do mito pós-verdade

NOTA 6,0

Com a introdução das novas tecnologias e a propagação das redes sociais, uma enxurrada de informações é veiculada em tempo real às pessoas. Mas, o que vem chamando atenção é a crescente transmissão de fatos pós-verdade. Para quem não sabe, fatos pós-verdade são aqueles tidos como verdadeiros, mas que, no entanto, distorcem a situação, amoldando amoldando-a ao que as pessoas tendem a acreditar.

É certo que a internet revolucionou a forma de se comunicar, abrindo um leque de possibilidades e informações. O que acaba de acontecer do outro lado do mundo, chega mundo chega aos mais variados sites, contando o fato em detalhes.

No entanto, toda essa liberdade tem um preço. Notícias pós-verdade invadem as mídias com o objetivo de levar o internauta a pensar de determinada forma, induzindo-o a muitas vezes à indignação. Pode-se tomar como exemplo uma notícia veiculada pelo "whats app" de um projeto de lei que está prestes a ser aprovado pela da extinção do décimo terceiro salário do trabalhador. Um leitor que checa as informações em sites oficiais, como no caso em questão, ao no sítio da Câmara dos Deputados pode constatar que não há nenhuma votação em pauta acerca do assunto.

Portanto, deve-se sempre ficar atento ao que chega às telas dos celulares, desktops e afins. Ter um senso crítico e não ter preguiça de averiguar nos sites oficiais é uma ótima maneira de filtrar se as informações são fidedignas. Afinal, a internet deve sempre ser um instrumento de propagação da democracia e da união entre os povos.

Comentário geral

Texto bom, com problemas pontuais, principalmente no que se refere ao conteúdo e à argumentação. O segundo parágrafo, pouco desenvolvido, fala da rapidez com que as notícias são transmitidas. O terceiro parece apontar que é essa rapidez a causa da pós-verdade, mas depois passa a comentar a indignação gerada por boatos na internet, dando um exemplo (a extinção do 13o salário). Ou seja, não há uma sequência dos fatos apresentados para formar um raciocínio, o autor parece ir perdendo o foco à medida que escreve. Finalmente, a conclusão também deixa a desejar, uma vez que sites oficiais não são tão fidedignos assim.

Aspectos pontuais

1) Segundo parágrafo: a) é muito pouco informativo, limitando-se a dizer o que já tinha sido dito no parágrafo anterior. b) juntar duas coisas de natureza diferente como possibilidades e informações não dá certo. Provavelmente, o que o autor quis dizer é que a internet trouxe um grande leque de possibilidades para a transmissão de informações. c) quem é o sujeito do verbo contar no gerúndio? Pelo que está escrito, pode-se entender que é o que acaba de acontecer do outro lado do mundo. Mas acontecimentos não se contam por si sós. São contados por alguém.

2) Terceiro parágrafo: a) essa liberdade deveria ser uma liberdade já mencionada anteriormente pelo autor. Antes, porém, ele não falou de liberdade, falou de rapidez de transmissão das informações. Rapidez de informação não é liberdade de informação. b) Não há por que privilegiar a indignação, como o autor fez aqui. Nem sempre uma pós-verdade quer transmitir indignação. Nos EUA, por exemplo, Trump se aproveitou da indignação dos eleitores em relação aos imigrantes ilegais, apresentando-se como alguém decidido a tomar medidas drásticas para combater o problema. c) Claro que é preciso checar as informações veiculadas principalmente nas redes sociais, mas nem sempre os sites oficiais são a melhor fonte. Muitas vezes, eles só apresentam o que é de interesse dos que o veiculam. d) É melhor escolher uma das formas, site ou sítio, em vez de usar as duas.

4) Quarto parágrafo: além do problema já mencionado dos sites oficiais, sugerir que se tenha senso crítico não basta como solução. Notar que, de acordo com a coletânea, a cognição preguiçosa é um fato. Para resolver a preguiça não basta dizer a alguém que ele deixe de ser preguiçoso.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,5
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,5
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,0
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,0
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 1,0
Nota final 6,0
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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