As Consequências da Lei

NOTA 9,0

Todos os dias se veem nos noticiários casos ultrajantes de violência ligada ao tráfico de drogas e as pessoas se sentem inclinadas a apontar culpados. Pela lei da oferta e demanda, a resposta é óbvia: a culpa é dos usuários! Embora essa afirmação faça sentido, ela não explica todo o contexto do tráfico e de sua proibição, como também quem realmente lucra com a ilegalidade desse comércio e como a desigualdade influencia para que este esse fenômeno tome proporções tão grandes como tomou no Brasil.

Com certeza certeza, o usuário tem sua parcela de culpa pela violência. Afinal, é ele quem a financia. Mas não se deve devem ignorar os principais culpados: a proibição, a desigualdade, a falta de oportunidades, os governantes incompetentes e quem acha que o problema está só na favela e fecha os olhos para helicópteros cheios de cocaína.

Dito isso, a proibição das drogas não beneficia ninguém além de quem lucra com isso. Em 1920, foi aprovado o Ato a Lei Volstead nos EUA, que proibia o consumo e comércio de bebidas alcoólicas. O resultado foi um grande aumento do contrabando e de violência por parte de gângsteres. Então, em 1933, a lei se tornou a única a ser revogada da Constituição americana. A regulamentação da maconha e de outras substâncias ilícitas evitaria mais cenários como esse, como ocorreu no Uruguai, em que as mortes decorrentes do tráfico foram reduzidas a zero. Além disso, a legalização da cannabis traria consequências positivas à economia brasileira. Segundo profissionais da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, o Brasil teria mais 5,7 bilhões de reais em circulação e mais 5 bilhões em impostos, além de menos 997,3 bilhões gastos no sistema prisional.

Dessarte Assim, o Estado não pode impor restrições à liberdade individual de sua população com a desculpa de estar prezando pela saúde dos cidadãos, pois as consequências são muito piores. O consumo e comércio de drogas deve ser regulamentado e junto a isso deve haver uma forte campanha alertando sobre os riscos do consumo dessas substâncias, como vem ocorrendo com o tabaco a muitos anos e mostrando resultados.

Comentário geral

Texto muito bom. O autor escreve com clareza, sabe expor seu ponto de vista e defendê-lo com argumentação convincente, não importando se o leitor concorda ou não com ele, pois, formalmente, seus argumentos são válidos. Em termos de linguagem, há poucos problemas, de relativa gravidade. Em termos estruturais, o texto não deixa nada a desejar.

Aspectos pontuais

1) Primeiro e segundo parágrafos: as expressões em vermelho são os sujeitos de duas frases na voz passiva pronominal. Se o sujeito está no plural, o verbo deve concordar com ele, ficando também no plural.

2) Terceiro parágrafo: a) Act, em inglês, nesse contexto, se traduz por Lei. b) O autor faz uma confusão entre a Lei Volstead e a décima-oitava emenda da Constituição americana. A lei foi promulgada para estabelecer as condições de cumprimento da referida emenda, que se revogou em 1933, abolindo a respectiva lei. O erro é justificável, mas é um erro. c) Se circulam 5,7 bilhões e os impostos são 5 bilhões, só quem vai lucrar é o governo, pois os produtores e comerciantes vão repartir entre si somente quase 1/6 do total.

3) Quarto parágrafo: não vale a pena mudar o tom do texto, usando dessarte, um advérbio incomum nos dias de hoje.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,5
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 2,0
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 2,0
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 2,0
Nota final 9,0
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

Copyright UOL. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução apenas em trabalhos escolares, sem fins comerciais e desde que com o devido crédito ao UOL e aos autores.

UOL Cursos Online

Todos os cursos