Crack: o filho do estatismo

NOTA 5,5

A internação compulsória que é advinda do estado dos dependentes de crack é uma medida autoritária, desumana e ineficiente. O estado (com letra minúscula), câncer da sociedade, é uma instituição coercitiva que está acostumada a primeiramente criar problemas sociais, para depois oferecer soluções ineficientes. A internação compulsória é somente mais uma dessas "soluções".

Devido à proibição anticapitalista e estatal das drogas, a maconha, que é menos danosa à saúde humana do que o crack, teve seu preço elevado e tornou-se inacessível a população mais pobre, que refugiou-se para o se refugiou no crack. Caso o estado, asqueroso, tivesse respeitado a propriedade privada ao do próprio corpo dos indivíduos desde o início, a crackolândia cracolândia sequer existiria nos dias atuais. Infelizmente, agora ela existe e é um problema.

Diante desse triste cenário, os burocratas pensam em utilizar o aparato coercitivo estatal para internar os dependentes do crack. Mais uma vez, o estado planeja agredir a liberdade individual individual, acreditando estar indo ao pelo caminho correto. Não dá certo.

Somente a liberdade dá certo. O único modo de problemas sociais serem aniquilados extintos é através do extremo respeito a à liberdade individual: o libertarismo.

Comentário geral

Texto bem razoável, apesar de seu extremo radicalismo. Independentemente da inflamada crença do autor, ele não chega a apresentar argumentos muito convincentes na defesa de seu ponto de vista, talvez por sua visão de mundo ultrarradical redundar no reducionismo característico de todo radicalismo, talvez por tentar explicar a questão da cracolândia por meio de um libertarismo (ou libertarianismo) que tanto aponta a origem do problema como sua solução. Infelizmente, a realidade não é tão simples assim. O estado, de um modo geral, é de fato uma instituição problemática. Contudo, uma sociedade sem estado só existiu na pré-história e só existe hoje em algumas tribos indígenas. De resto, à exceção dessas pequenas comunidades, não existiram sociedades que se organizassem sem estado, fosse esse monárquico, republicano ou despótico. A relação dos estados com o uso de substâncias entorpecentes, também, não é simples assim. Já há estados que tornaram lícito o uso da maconha, mas não há provas de que isso inibiu o consumo de outras drogas. Sem falar que o fato de o álcool ser permitido pelo estado não extingiu o alcoolismo.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: a) é aceitável que o autor considere o estado como câncer da sociedade. O que não é aceitável é que ele não dê uma justificativa a essa comparação. Se o estado fosse evidentemente um câncer, como explicar que as sociedades sobrevivam a essa doença terminal? b) De fato, a burocracia estatal muitas vezes cria problemas e arrecada taxas ao lhes oferecer soluções. Mas não se pode dizer que essa seja uma regra geral. Além disso, há muitos problemas sociais que não advêm necessariamente da existência do estado, por exemplo, como os assassinatos passionais, o tabagismo, algumas doenças epidêmicas, etc.

2) Segundo parágrafo: a) o argumento de que é o alto custo da maconha que leva os mais pobres a usar o crack não tem fundamento. Em primeiro lugar, o preço da maconha não é estabelecido pelo estado, mas pelo mercado. Em segundo lugar, o uso da maconha não exclui o uso do crack. Se não fosse tão determinista e obcecado pelo caráter econômico da vida social, o autor talvez se lembrasse que o uso de drogas tem aspectos psicológicos, psicossomáticos, morais, familiares, etc. b) o estado pode ser asqueroso, mas isso precisaria ser demonstrado pelo autor. c) O estado até tenta, muitas vezes, invadir o âmbito das decisões privadas das pessoas, mas não chega a ao extremo de tornar o corpo de seus cidadãos propriedade pública. Isso – talvez – possa ocorrer em estados totalitários, mas nem todo estado é totalitário.

3) Terceiro parágrafo: Por que não dá certo? O autor precisa oferecer razões para persuadir o leitor, pois essa afirmação não é um axioma, não é um fato evidente por si mesmo.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,5
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,5
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 0,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,0
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 1,0
Nota final 5,5
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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