De quem é o reino dos céus?

NOTA 8,5

"Macumba é coisa do diabo". "Macumbeiro vai pro inferno". "Não existe mesa branca, é tudo preto". Essas e outras frases, recorrentes no cotidiano religioso brasileiro, mostram que, embora de uma forma velada, a intolerância religiosa existe e precisa ser combatida.

O Brasil é um país essencialmente cristão, cristianismo esse que se divide entre o catolicismo, protestantismo e seitas que surgem a cada minuto, mas, embora seja um país que, constitucionalmente, assegura a liberdade religiosa, são comuns atos de intolerância religiosa que chocam a população.

Em 14 de junho uma criança de 11 anos foi agredida com uma pedrada na cabeça pelo fato de pertencer ao candomblé, além de um bispo já ter chutado uma santa católica em rede televisiva televisiva, numa mistura de provocações e agressões verbais. Atos como esses são comumente manifestos praticados por seitas cristãs que, no Brasil, têm se multiplicado como larvas no esterco. A influência de tais seitas é tão grande que abrange o congresso nacional Congresso Nacional e consequentemente a formulação de nossas leis.

O dispositivo constitucional que assegura a liberdade religiosa no Brasil, talvez seja o maior fator que impeça atos extremos, como os citados, de pipocarem em diversas regiões do país, por país. Por isso é necessário que a população esteja atenta à influência religiosa dessas seitas na formulação de nossas leis, para que nossa democracia não se transforme numa ditadura religiosa.

É necessária também uma conscientização cultural, para estabelecimento de um respeito mútuo entre os praticantes da fé, seja ela em quem for. Afinal, a laicidade do Estado nos permite escolher o Deus a ser adorado e o céu a ser habitado, e bem aventurados sejam os que isso compreendem, porque deles é o reino dos céus.
 

Comentário geral

Texto bom. Seus problemas são mais de conteúdo do que de forma. Em termos formais, o autor escreve com clareza e objetividade e consegue estruturar seu texto de acordo com os critérios de uma dissertação argumentativa. A estrutura do texto só derrapa no segundo parágrafo como se verá nos aspectos pontuais. De resto, em termos de ideia há muito exagero no fato de afirmar que, por existir uma bancada evangélica no Congresso, o país corre o risco de se tornar uma ditadura religiosa. Ora, há outras tendências religiosas e laicas representadas no Congresso, que é só um dos poderes da República. Há também o Executivo e o Judiciário. Independentemente do exagero e do equívoco contidos nesse ponto de vista, o autor soubre expô-lo e tentar defendê-lo com argumentos.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: as frases expostas não mostram uma intolerância velada, ou seja, disfarçada. Mostram uma intolerância enorme, escancarada. Então, o autor incorreu numa contradição.

2) Segundo parágrafo: é difícil entender onde o autor quer chegar com as duas afirmações do parágrafo, porque não há contradição entre existirem muitas seitas cristãs e o país assegurar a liberdade religiosa. Então, aparentemente, o que o autor quer dizer é: apesar da grande diversidade de seitas e denominações cristãs e de o Brasil assegurar a liberdade religiosa, mesmo assim os atos de intolerância são frequentes. De qualquer forma, o parágrafo parece uma divagação que interrompe a sequência do raciocínio que o texto apresenta.

3) Terceiro parágrafo: a) abrange o Congresso Nacional, como assim? Existe uma bancada evangélica, mas ela está longe de ser majoritária. Na Câmara, são 78 deputados, num total de 513. A bancada evangélica, por mais forte que seja, não pode criar leis de cunho exclusivamente religioso, obrigando, por exemplo, a população como um todo a orar a Deus no início de cada jornada de trabalho. A influência política não ocorre do modo que o autor dá a entender.

4) Quarto parágrafo: é um exagero essa ideia de ditadura religiosa, como já foi dito no item anterior e nos comentários gerais.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,5
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 2,0
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,5
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 2,0
Nota final 8,5
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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