Entre a liberdade e a escravidão

NOTA 6,5

Embora a escravidão tenha sido abolida em 1888, com a Lei Áurea, ainda hoje percebe-se a continuidade do trabalho escravo no Brasil. O trabalho escravo ainda vigora no Brasil, embora a escravidão tenha sido abolida em 1888, com a Lei Áurea. Tal persistência tem relação com a ineficiência das políticas públicas destinadas a combater os diversos tipos de escravidão no país. Sob essa perspectiva, nota-se que, para melhor coibir as práticas escravistas, o governo deve investigar as causas e consequências desse tipo de crime na sociedade brasileira.

A princípio, pode-se relacionar a continuidade do trabalho análogo à escravidão ao interesse capitalista das grandes empresas. Na prática, isso significa que, para tornar seus produtos mais competitivos no mercado, as indústrias diminuem seus preços. Dessa forma, para manter o lucro, as fábricas recorrem à mão de obra barata, instalando unidades de produção em locais onde usufruem de leis trabalhistas brandas, possibilitando, assim, a exploração do trabalhador.

Além disso, é importante notar que a pobreza e a baixa escolaridade contribuem para aumentar o número de escravos no Brasil. Nesse cenário, muitos trabalhadores, por serem empobrecidos pobres demais ou dependentes de seus exploradores para sobreviverem, acabam não denunciando as condições insalubres a que estão submetidos. Prova disso, são os imigrantes haitianos que vêm para o país. Sem perspectivas trabalhistas profissionais, muitos desses cidadãos acabam sendo escravizados no Brasil.

Por tudo isso, Assim, é fundamental que o Estado adote medidas efetivas para diminuir os índices do trabalho escravo no Brasil. Para tanto, o governo deve não só intensificar as leis já existentes, punindo com rigor os criminosos, como também ampliar o sistema de educação para um maior número de jovens e adultos. Ademais, é importante que a mídia crie campanhas incentivando a população a denunciar os casos de trabalho escravo. Com isso, poderá ser formada uma sociedade mais justa e igualitária, respeitando os direitos humanos.

Comentário geral

Texto bom de um modo geral, apesar de não tocar especificamente na questão de a escravidão ser ou não inerente às sociedades humanas. O autor se limita a constatar a persistência do trabalho escravo no Brasil e busca explicar suas causas, bem como propor soluções. Ainda que se afaste da proposta, nota-se que o aluno desenvolveu uma linha de raciocínio, com coerência e coesão, seguindo a estrutura básica de um texto dissertativo. Há, porém, problemas pontuais de gravidade, que puxam a nota para baixo.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: a) O primeiro período do parágrafo não está errado, mas pode ser aprimorado. Não se trata de afirmar que se percebe o trabalho escravo, mas o fato de ele existir, apesar da Lei Áurea. Além disso, é melhor começar pela oração principal e deixar a oração subordinada ao final do período. b) Mais do que investigar as causas, o governo tem de agir, tem de ver por que suas políticas para o problema são ineficientes. De resto, quem investiga as causas da escravidão moderna no Brasil, nos parágrafos seguintes, é o próprio autor. Note-se: investiga as causas, não as consequências.

2) Segundo parágrafo: aqui o autor se equivoca bastante. Diminuir preço e procurar mão de obra barata é uma coisa, escravidão é outra: é o trabalho forçado e sem remuneração. Isso independe das leis trabalhistas, que são as mesmas em todo o país, não variando de região para região. O trabalho escravo é contra a lei, pagar um salário baixo não. A relação entre o trabalhador assalariado e seu patrão, por pior que seja, não é escravidão, exceto em termos metafóricos, mas não literalmente.

3) Terceiro parágrafo: novamente, o autor não parece se dar conta do caráter específico do trabalho escravo, que não são as condições insalubres (= prejudicial à saude).

4) Quarto parágrafo: a) Leis não podem ser intensificadas. Podem ser reformuladas para se tornar mais rigorosas. b) De que modo ampliar a educação vai ajudar a combater a escravidão? É incorreto supor que a escravidão ocorre por falta de esclarecimento ou de educação dos escravos. O que mantém a escravidão é o uso da força, da violência.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,5
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,0
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,5
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 1,0
Nota final 6,5
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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