Força intelectual

NOTA 5,5

Na sociedade atual, a tecnologia está presente de tal forma, que não é possível imaginar a realização de atividades do cotidiano sem ela. Entretanto, com o avanço da robótica, por exemplo, o avanço tecnológico vem demonstrando uma face diferente. Ao invés de auxiliar o trabalhador e diminuir seus trabalhos repetitivos, as máquinas podem se transformar em verdadeiras substituintes do trabalho humano, o que pode apresentar pontos positivos e negativos.

A Revolução Industrial modificou o mundo. Primeiro se deu a criação de fábricas e o uso de máquinas capazes de acelerar a produção, e depois surgiu a necessidade de mão de obra, de trabalhadores para operar tais recursos. Mas, tais inovações apresentam uma nova realidade: a substituição do maquinismo pelo homem.

Uma das consequências negativas do crescimento da presença de máquinas em detrimento do número de trabalhadores é o fechamento de várias frentes de trabalho. Uma exemplificação clara Um bom exemplo disso é o fato de uma única máquina na construção civil, encarregada de quebrar paredes, por exemplo, fazer o trabalho que provavelmente necessitariam necessitariade mais de 10 homens. Isso trará, de maneira lógica, mais desemprego.

Todavia, existe também um lado positivo em tal substituição: a abertura de várias oportunidades para outras frentes de trabalho. Alguém que realiza o mesmo serviço de um robô, pode se especializar em outros conhecimentos e capacidades técnicas. Ele pode se especializar em áreas onde as máquinas não podem atuar, mas sim depender do ser humano. Como é o caso do capital intelectual. Isso aumentará, sem dúvida, a capacidade de mudança e o desejo de crescer profissionalmente de muitos trabalhadores.

Portanto, as máquinas não substituem o trabalhador em tudo: elas substituem funções em determinada empresa. O ser humano é insubstituível quanto pessoa, e enquanto e como peça fundamental no processo organizacional. Uma boa solução é deixar as máquinas fazerem o trabalho pesado e treinar os operários em outras frentes que exijam mais talentos, que só pessoas possuem.

Comentário geral

É uma pena ter de deixar num patamar tão baixo a nota de um texto bem escrito e bem estruturado como esse. No entanto, não há como não considerar que, em termos de conteúdo, o autor se atrapalhou e misturou fatos passados com presentes, sem dar a entender que, pelo menos, entende a diferença entre a Primeira (séc. XVIII) e a Quarta revolução industrial (séc. XXI). Além dessa confusão entre passado e presente, há ainda outras e que não fazem o mínimo sentido, como dizer que na Primeira revolução industrial as máquinas trabalhavam sozinhas e que só depois houve necessidade de contratar homens para operá-las. É justamente o contrário: a Primeira revolução industrial acabou com o trabalho artesanal e deslocou camponeses para as cidades, onde eles viraram operários. As máquinas dessa época precisavam ser operadas por seres humanos. Agora, no século XXI, é que estão surgindo autômatos, que dispensam operadores. Não se trata de cobrar conhecimentos históricos aprofundados do autor, mas de conhecimentos mínimos, que lhe possibilitem discorrer corretamente sobre o tema proposto.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: não se trata só de aspectos cotidianos. A quarta revolução industrial não se limita a criar celulares que acessem redes sociais para a diversão de adolescentes. Trata-se de uma evolução tecnológica tal, que permite mandar um jipe-robô para Marte para fotografar o planeta, trata-se de criar robôs capazes de desarmar bombas, de criar instrumentos cirúrgicos cada vez mais precisos, de criar supercomputadores capazes de realizar uma infinidade de cálculos em curtíssimos períodos de tempo. Enfim, a questão é muito mais complexa do que supõe o entendimento do autor.

2) Segundo parágrafo: aqui o autor perde o pé na realidade. Não foi isso que aconteceu na Primeira revolução industrial, como já se disse no comentário geral. É um verdadeiro absurdo falar que as máquinas no século XVIII foram substituídas pelo homem. Estamos falando do momento em que surgiram as indústrias e o operariado!

3) Terceiro parágrafo: a) a primeira declaração é tautológica: se aumenta o número de máquinas e diminui o número de trabalhadores, evidentemente esses trabalhadores perdem o emprego. b) Essas máquinas da construção civil a que o aluno se refere existem muito antes da Quarta revolução industrial. O exemplo é anacrônico.

4) Quarto parágrafo: Além de a frase em vermelho estar solta sintaticamente, não fica claro o que o autor chama de capital intelectual e como ele pode ajudar a "capacidade de mudança e o desejo de crescer profissionalmente de muitos trabalhadores".

5) Quinto parágrafo: a) em determinada empresa? Como assim? No mínimo, era melhor ter usado o plural. b) De certa forma, o que o autor sugere é o que já acontece. Só que o operário, nesse caso, deixa de ser operário. Além disso, o problema é mais complexo: por exemplo, a Kodak, que produzia filmes e máquinas fotográficas, empregava cerca de 100 mil pessoas. O Instagram permite que se tirem até mais fotografias, empregando cerca de 3 mil pessoas. É esta a questão: as máquinas cada vez mais ágeis e inteligentes vão tornando os trabalhadores desnecessários. O que essa legião de desempregados vai fazer para ganhar a vida?

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 2,0
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,0
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 0,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,0
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 1,0
Nota final 5,5
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

Copyright UOL. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução apenas em trabalhos escolares, sem fins comerciais e desde que com o devido crédito ao UOL e aos autores.

UOL Cursos Online

Todos os cursos