Matar não adiantará nada

NOTA 7,0

"Quem matou deve morrer", esta essa simples frase traz à tona o sentimento de vingança que move os apoiadores à da pena de morte, tal morte. Tal argumento não possui suficiente fundamentação para ser levado em consideração. Antes de desejar a morte do outro, é de suma importância pensar que perante a Lei Maior todos são iguais, todos possuem um cérebro, todos são capazes de pensar, todos dispõem de um coração e todos possuem sentimentos.

Os defensores da pena de morte geralmente são indivíduos que não tem têm em sua família criminosos, ou não sabem da existência destes, mas principalmente pessoas que foram ou temem ser vítimas da atual violência que assola o país. Um pai ou uma mãe jamais concordariam concordaria com a morte de seu filho por consequência de um crime cometido, e cometido, e pior, uma morte legal.

Nenhum ladrão, assassino, traficante ou outro criminoso, nasceu assim e muito menos deixa de roubar, matar, traficar, dentre outros, por medo de morrer, temendo sofrer uma pena. Uma vez que o indivíduo adentra este universo criminoso, morrer nada mais é do que um destino conhecido e aceito por eles. Não tendo nascido com esse sentimento, a educação dispõe da capacidade de modificá-los, de melhorá-los.

Entretanto, não é novidade que o Brasil não dispõe de bons níveis de segurança para proteger sua população dos criminosos violentos e sanguinários que aqui atuam. Se um policial mata um chefe de certa facção criminosa, os membros da mesma ajuntam-se e devolvem na mesma moeda. Usando da pena de morte a justiça morte, a Justiça que deve ser diferente, melhor, estará se mostrando igual aos criminosos, por utilizar da mesma arma que eles, a morte a seus inimigos.

É incontestável que matar não adiantará nada! Sendo assim, o Ministério da Justiça, em primeiro lugar, deveria implantar a prisão perpétua como condenação a presos mais perigosos e em segundo, mas a longo prazo, aperfeiçoar o já existente, mas ainda falho, processo de ressocialização do preso, pois através da educação é possível, conforme Piaget, "...criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram". Por fim, conclui-se que reeducar o preso é o caminho para reingressá-lo na sociedade.

Comentário geral

O texto é bom, particularmente nos três últimos parágrafos, em que se encontram argumentos mais consistentes. Os dois parágrafos iniciais deixam muito a desejar. O primeiro não chega a ser uma introdução, mas já é uma discussão do tema. O segundo apresenta um argumento absurdo, que não colabora na defesa do ponto de vista do autor. Além disso, a estrutura do texto é um pouco confusa, o autor vai de um assunto a outro, faz o caminho de volta, muda novamente de assunto, sem seguir a progressão lógica que se exige numa dissertação. Apesar disso tudo, o texto está relativamente bem escrito e nota-se que o autor tem potencial. Só precisa selecionar seus argumentos com mais cautela e organizá-los antes de os apresentar ao leitor.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: a) sem introduzir o tema, o autor já vai dando a sua opinião sobre a pena de morte: ela não é justiça, mas vingança. Por que ele acha isso? Não se sabe, ele não volta a falar nesse tópico no restante da redação. b) É difícil dizer se, por Lei Maior, o autor se refere à Constituição, porque nela não está estabelecido que todos têm cérebro e coração, nem há nenhuma declaração de direitos iguais para organismos iguais. c) A primeira e a segunda declaração do parágrafo não se relacionam entre si.

2) Segundo parágrafo: a) a declaração é quase um truísmo. De resto, a maioria dos brasileiros não têm criminosos na família e têm medo da violência brutal que assola o país. Podem estar errados em pensar que a pena de morte vai solucionar isso, mas é justo que exijam providências mais duras contra os criminosos de todos os tipos. b) Evidentemente, é muito provável que o pai ou a mãe de um assassino não queira que ele seja executado, mas e daí? Em que isso funciona como um questionamento à pena de morte? O cidadão de bem deve ter pena da família dos bandidos e os bandidos não precisam ter pena da família dos cidadãos de bem? Esse argumento foi muito mal selecionado.

3) Terceiro, quarto e último parágrafos: o autor fala na necessidade de educação e, em seguida, muda de tema, passa a falar da insegurança e da necessidade de a Justiça não se igualar à bandidagem, para só voltar a falar de educação no final do último parágrafo. Não se pode fazer uma dissertação escrevendo na mesma proporção que as ideias vêm à nossa mente. É preciso hierarquizá-las, desenvolver uma e passar para a outra.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 2,0
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,5
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,0
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,5
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 1,0
Nota final 7,0
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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