O Brasil pode desenvolver seus próprios medicamentos

NOTA 8,5

A autorização do uso da fosfoetanolamina no Brasil garante que um medicamento com potencial para curar o câncer continue sendo desenvolvido, mas mas, além disso, garante que o desenvolvimento ocorra em laboratório nacional. A liberação não está livre de polêmicas, já que a "comunidade científica" é contra a lei aprovada.

No entanto, é importante esclarecer que esta essa comunidade não se trata de é um grupo de pessoas com opiniões homogêneas, nem tampouco conhecedora conhecedoras da verdade ou imparciais. Ademais, o que se chama de comunidade científica não é nem mesmo o grupo de todos os cientistas do mundo, com igual capacidade de deliberação. Antes disso, são algumas instituições representativas, lideradas por alguns laboratórios que concentram a maior parte dos investimentos feitos pela indústria farmacêutica e que têm interesse direto em garantir patentes e exclusividade de comercialização de medicamentos em todo o mundo.

Estes Esses laboratórios demonstraram nas últimas décadas uma grande disposição para desenvolver produtos lucrativos como remédios para a população idosa de países desenvolvidos. A atitude seria louvável, não fosse pelo simultâneo desleixo dado às pesquisas de doenças que assolam países subdesenvolvidos, como a malária e a febre amarela, que juntas matam mais que a AIDS e ainda não têm cura.

Ao sancionar o uso da fosfoetanolamina fosfoetanolamina, a classe política brasileira criou condições para que o desenvolvimento do medicamento continue em seu laboratório de origem, em São Paulo. No futuro, isto isso pode significar uma patente brasileira e evitar que as receitas obtidas com a comercialização sejam enviadas para o exterior por corporações multinacionais.

Portanto, observa-se que a decisão da "comunidade científica" também é uma decisão política, pois historicamente privilegiou os interesses de poucos. Além disso, a decisão do congresso Congresso brasileiro representa um estímulo para a ciência nacional.

Comentário geral

Não há dúvida de que se trata de um texto bem escrito, de caráter dissertativo e argumentativo, de alguém que compreendeu a proposta, mas resolveu desenvolvê-la por uma perspectiva particular, de caráter marcadamente ideológico, pois o texto exagera no nacionalismo e nos ataques a um subentendido imperialismo da indústria farmacêutica. No entanto, numa prova de redação, não se trata de avaliar o partido tomado pelo redator, mas de verificar como ele expõe suas ideias e isso o autor do texto soube fazer bem, à exceção de problemas pontuais.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: a lei sancionou o uso do medicamento (posteriormente suspenso pelo STF, mas isso foi depois de essa redação ter sido escrita). A fosfoetanolamina sintética já tinha sido desenvolvida antes da lei. Agora, a questão é se ela pode ser usada sem os testes necessários que comprovem sua eficácia.

2) Segundo parágrafo: questionar a posição da comunidade científica é um procedimento válido, certamente não existe um bloco homogêneo de cientistas, e conhecer a verdade é algo que implica imensas discussões filosóficas. Por outro lado, é o caso de perguntar: um paciente com câncer preferirira ser tratado por um oncologista ou por um deputado federal? De resto, os cientistas que debatem a fosfoetanolamina são os brasileiros, então não faz sentido falar em cientistas do mundo, assim como não dá para entender o que o autor quer dizer com a expressão com igual capacidade de deliberação? Em princípio, o cientista tem capacidade de deliberar sobre o assunto em que é especialista.

3) Terceiro parágrafo: Aqui também há uma espécie de sofisma. Para a febre amarela existe vacina, inclusive fabricada no Brasil, com eficácia de 95% e imunização que se estende por dez anos. Segundo o site dos Médicos Sem Fronteiras, a maioria dos casos de malária é evitável, detectável e tratável. Além disso, a Aids não é uma doença exclusiva de países desenvolvidos, matando muita gente na África subsaariana. Então, os exemplos não foram muito bem escolhidos. Mas, quanto ao fato de a indústria farmacêutica priorizar os lucros em detrimento das necessidades da humanidade, trata-se de uma afirmação que dificilmente poderia ser contestada.

4) Quarto parágrafo: novamente o autor fala em desenvolvimento de modo equivocado.

5) Quinto parágrafo: aqui o sofisma se transforma em exagero. Não é verdade que a ciência de um modo geral, historicamente, tenha privilegiado o interesse de uma minoria. O que explica o crescimento contínuo da população mundial é justamente o fato de a medicina ter conseguido diminuir significativamente a mortalidade infantil, bem como estar conseguindo prolongar a expectativa de vida da humanidade como um todo.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,5
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,5
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 2,0
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 2,0
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 1,5
Nota final 8,5
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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