Topo

Educação

Banco de Redações

O UOL corrige e comenta 20 redações. Envie a sua sobre o tema da vez


REDAÇÕES CORRIGIDAS - Março/2019 Cantar ou não cantar o hino nacional? Eis a questão...

Redação corrigida 520

O hino nacional é diferente de uma devoção ao presidente

Inconsistente Erro Correção

A atitude do Ministro da Educação em enviar e-mails às escolas públicas e privadas pedindo que os alunos cantassem cantem o Hino Nacional diante da bandeira foi motivo de sérias críticas por parte de alguns civis. Muitos alegam que a iniciativa tem semelhança com atos realizados na Ditadura Brasileira, iniciada por Getúlio Vargas. Talvez a resistência não tenha sido pelo ato em si de cantar o hino, mas pelo motivo do de o aviso ter sido entrelaçado ao slogan do atual presidente Jair Bolsonaro.

Tendo em vista essa referência ao slogan de Bolsonaro que acompanhou o aviso, a ação do MEC foi problematizada, pois incentivaria, ainda que indiretamente, uma devoção obrigada obrigatória ao presidente por parte dos estudantes brasileiros, caso o slogan também fosse reproduzido pelos mesmos. Tal incentivo é preocupante visto que, a República Democrática que o regime democrático vigente nos permite descordar discordar dos governos atuantes vigentes e ainda permite estabelece um estado laico, implicitamente contrariado pelo entrelaço ao discurso do presidente. Impor Deus acima de todos os brasileiros de forma muito forte vai contra a liberdade de crenças.

Em relação ao ato de cantar o Hino Nacional, excluindo a reprodução inadequada da frase do presidente, não seria uma má ideia. Resgatar um pouco do patriotismo que se perdeu com o tempo através do hino nacional nas escolas é uma boa atitude. É importante que tenhamos cidadãos que conheçam, no mínimo, o Hino Nacional e saibam o seu significado. Este conhecimento não remete a uma ditadura, é apenas uma forma de valorização do país em que vivemos e nos abrigamos, diferentemente de alusões à concordância e devoção total ao governo/presidente atuante atual.

Diante das questões levantadas, as medidas que poderiam ser tomadas incluem o Ministro da Educação fazer uma retificação em seu e-mail, tirando qualquer referência ao presidente ou à a alguma crença e deixando para as escola e instituições, de forma imparcial, a execução o Hino Nacional diante da bandeira e, às mesmas citadas, caberia praticar a entoação do hino com os alunos como reconhecimento de um patrimônio nacional.

Comentário geral

Texto mediano, com muitos problemas que puxam a nota para baixo. De qualquer modo, o autor consegue comunicar suas ideias num texto de cunho eminentemente dissertativo.

Competências

  • 1) O autor se expressa mal por escrito. Escolhe vocábulos ou expressões inadequados ("alguns civis", "atuante", "República Democrática", "entrelaço", "de forma muito forte") e os combina de modo muito subjetivo, para formar frases confusas, cujo significado se depreende apenas se o leitor tiver boa vontade. De qualquer modo, fica patente a falta de domínio da linguagem escrita formal, em trechos confusos como os assinalados em vermelho no final do terceiro e do quarto parágrafo.
  • 2) O autor se afastou um pouco do tema, ao focalizar em primeiro lugar o e-mail do ministro e o slogan de campanha do atual presidente. A proposta se referia exclusivamente ao ato de se cantar o hino nacional nas escolas. Mesmo assim, o texto é razoável enquanto dissertação, mas sempre prejudicado pelos problemas linguísticos.
  • 3) A argumentação é bastante prejudicada por erros conceituais. Por exemplo, falar em uma Ditadura Brasileira iniciada por Getúlio Vargas é um grande equívoco. Não existe uma Ditadura Brasileira. O Brasil passou por dois períodos ditatoriais ao longo de sua história: o de Vargas, de 1937 a 1945; e o dos militares, de 1964 a 1985. O e-mail do ministro não é propriamente um "aviso" e não está "entrelaçado" com o slogan de campanha. A má escolha das palavras resulta em equívocos conceituais. De qualquer forma há argumentos e ressalte-se um deles que é muito perspicaz: a questão do slogan infringir a laicidade do Estado.
  • 4) Os parágrafos estão bem conectados por recursos linguísticos, mas o modo tortuoso de expor as ideias também afeta a coesão do texto, que é apenas razoável.
  • 5) As sugestões de intervenção não são válidas: o ministro já retificou seu erro e não cabe às escolas instituir ou não a cerimônia de cantar o hino nacional, o que já é uma lei em vigor.

Competências avaliadas

As notas são definidas segundo os critérios da pontuação do MEC
Título nota (0 a 1000)
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 80
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 120
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 120
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 120
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 80
Nota final 520

Redações corrigidas

Título nota (0 a 1000)

Os textos desse bloco foram elaborados por internautas que desenvolveram a proposta apresentada pelo UOL para este mês. A seleção e avaliação foi feita por uma equipe de professores associada ao Banco de redações.

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012.

Copyright UOL. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução apenas em trabalhos escolares, sem fins comerciais e desde que com o devido crédito ao UOL e aos autores.