O homem é o cabeça da casa

NOTA 8,0

É possível afirmar que a cultura do estupro no Brasil não terá afim fim enquanto houver a tradição da suposta superioridade do homem sobre a mulher mulher, criada através da religião, da arte e da sociedade.

Relativo Com relação à religião, é possível afirmar que esta ela exerce forte influência em diversas. Dentro do No cristianismo, religião que até hoje possui muitos adeptos declarados em nosso país, por exemplo, há diversas doutrinas ideias que apresentam caráter machista. Entre os trechos que podem ser citados da Bíblia Sagrada, está aquele em que é afirmado que a mulher deve ser submissa ao homem. Neste Nesse contexto, quando em que raramente a vontade feminina é levada em consideração, fica limitada à vontade masculina.

No que se refere à arte, usualmente esta ela usualmente acaba por fazer papel parecido ao com o da mídia, cuidando simplesmente de reproduzir essas as ideias aceitas pela maioria maioria, de forma a dar ênfase aos personagens que agradam essa a massa. Percebe-se claramente isto isso na música onde música, em que vemos grande quantidade de pessoas fazendo sucesso às custas da denegrição da de denegrir a imagem da mulher e ainda da representação desta de representá-la como objeto sexual. Seguido disto, há a aceitação do público e da divulgação deste tipo de conteúdo.

Nesse sentido, a sociedade acaba por reter tudo isso e adaptar à realidade, criando tradições que se concretizam e perpetuam por muito tempo, passando muitas vezes a serem consideradas incontestáveis. A educação é reflexo destes desses três itens e sofre as consequências desse aglomerado de costumes que é passado para muitas gerações. A popularização leva então à normalização do problema.

Considerando, portanto, estes esses aspectos, é possível afirmar que a cultura do estupro nunca vai ter fim. Bom seria, se seria se o país assumisse seu papel como Estado laico e parasse de permitir essa tamanha influência de algo subjetivo subjetivo, como a religião religião, em suas tradições e doutrinas, as manifestações culturais de desconstrução da figura feminina fosse sensuradas fossem censuradas, nas escolas fosse ensinada fossem ensinados a igualdade e o respeito entre sexos de forma plena. A punição para aqueles que se sentem no direito de invadir um terrritório que não é são seu fosse mais severa, indo de anos de reclusão até a castração química.

Comentário geral

Texto bom, particularmente no que se refere à estrutura dissertativa-argumentativa. O autor deixa claro na introdução que, na sua opinião, a cultura do estupro tem origem tripla e passa em revista os três aspectos que relacionou, usando-os como premissas para sua conclusão, que, apesar de negativa, é perfeitamente defensável. Por outro lado, o autor escreve de maneira displicente e subjetiva, do que resultam vários trechos cujo significado exato não se consegue depreender, seja devido a uma escolha confusa do vocabulário, seja pelo esquecimento de colocar as palavras que deveriam completar as frases. 

Aspectos pontuais

1) Segundo parágrafo: a) diversas o quê? Claro que é um lapso, um momento de distração, mas deixa a declaração incompleta. b) O mesmo problema acontece no final do parágrafo: o quê ou quem fica limitada? A mulher? A vontade feminina? A frase é ambígua, a começar do quando (que corrigimos por em que). Vale notar que, na construção do período, o quando pode significar todas as vezes ou somente algumas vezes. Isso para não falar da interpretação daquele trecho (qual?) da Bíblia, que é sempre polêmica.

2) Terceiro parágrafo: a) o que o autor entende por mídia? Os meios de comunicação em massa? A arte os imita? Que arte ou qual das artes? Mais abaixo se fala em música, mas a referência à arte parece ser mais abrangente. Arte e mídia são conceitos complexos, o que torna muito ambíguo o uso que o autor faz deles. b) Todo o resto é mais confuso ainda. Em princípio, tanto a arte quanto a mídia têm preocupação com a novidade, a originalidade, de modo que é difícil aceitar sem discussão a ideia de que arte e mídia apenas reproduzem as ideias que agradam a massa. Ainda que façam isso, não é apenas pondo ênfase sobre alguns personagens que isso é feito. O problema é que esse uso subjetivo do vocabulário e a composição das frases deixa obscura ou ambígua a mensagem que o autor quer passar. c) O parágrafo se encerra com mais obscuridade. O autor parece fazer referência à influência das artes e da mídia na formação dos costumes.

3) Quarto parágrafo: a) o autor repete a ideia anterior com outras palavras, mas mesmo assim ainda não foi claro. O que exatamente ele quer dizer com adaptar as mensagens da mídia e das artes à realidade? b) Perpetuar significa conservar algo pela eternidade, para sempre. Perpetuar, então, não pode ser apenas por muito tempo.

4) Quinto parágrafo: a) mais uma vez o autor se expressa mal: o país assumir o Estado? Estado e país não são entidades completamente independentes, são entidades que estão intrinsecamente unidas. Certo seria afirmar que o Estado brasileiro deve assumir seu caráter laico, mas laicidade não significa a extinção da religião, nem da influência que ela exerce na organização política do país por meio de seus adeptos. Proibir a influência da religião é uma proposta autoritária e antidemocrática, do mesmo modo que seria proibir a influência de uma ideologia laica. b) É difícil entender aqui o que o autor quer dizer por suas tradições e doutrinas. O Brasil certamente tem tradições, mas tem doutrinas? Quais? c) invadir um território que não é seu não expressa objetivamente o que é estupro. O uso da linguagem figurada, aqui, não tem razão de ser. Finalmente, deve-se dizer que a proposta de solução reiterada com a sugestão de censura, de mais tempo de prisão e castração química mantém o caráter autoritário e antidemocrático da perspectiva que o autor do texto tem.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,0
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 2,0
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 2,0
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 1,5
Nota final 8,0
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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