Se somos todos corruptos?

NOTA 5,5

Se somos todos corruptos? Se há corrupção em todos os níveis da sociedade brasileira? Ou se é apenas uma imagem açodada do povo brasileiro? São questões levantadas de cujas respostas dependerá questões cujas repostas dependem da solução de outra interrogação, a saber: o que é corrupção?

A ideia geral transmitida por essa palavra – corrupção – traz a lume a problemática mal resolvida por muitos, mas que é entranhável, qual seja: ela é um tipo de vício de caráter cuja consequência resulta no desvio de conduta, que, por conseguinte, se não reparada reparado, descamba para atos que vão de pequenos delitos até a prática de graves crimes que prejudicam uma nação inteira. Ou seja, a corrupção se evidencia desde os pormenores da conduta humana (como, por exemplo, o famoso ‘jeitinho brasileiro’) até condutas (ação ou omissão) de grande impacto (negativo) na vida de outras pessoas.

É cediço que toda civilização, assim como a nossa, brasileira, é regida por códigos morais de condutas, bem como por códigos legais, aos os quais regulam a relação humana, comportamental, etc., e que, portanto, merecem o devido respeito e observância para mantença da higidez de um povo. Logo, o comportamento humano pode provocar delitos contra a ordem moral e/ou contra a ordem legal.

Acontece, todavia, que o problema da corrupção se tornou uma espécie cultural, em que alguns a observam, a vivenciam e a reverenciam, seja de maneira deliberada e espontânea, seja de maneira involuntária e ignorante. Não importa! A corrupção forma uma crosta sob a índole humana, se não tratada, com os devidos remédios educacionais e pedagógicos, torna-se em crônica crônica e, portanto, insanável.

Por outro lado, há aqueles que não fazem da corrupção seu modus vivendi. Para eles o que importa, de verdade, é a higidez de seu caráter, bem como a saúde moral de seu povo. Acabam se revestindo, até forçadamente – porque o bom caráter constrange a práticas à prática de boas condutas -, de combatentes da ordem moral e legal (aqui vale um adendo: da boa ordem moral e da boa ordem legal) contra a ordem corrompida e contra a ordem que corrompe.

Portanto, é precipitado sentenciar que o povo brasileiro é no todo corrupto, mas, infelizmente, há, sim, corrupção em todos os níveis da sociedade brasileira, mas, ainda, mas ainda há esperança. Esta, como diz o ditado, é a última que morre. E a esperança nos leva a crer no fim da corrupção, ao menos daquela que assola e angustia uma nação, a política.

Comentário geral

O texto demonstra que o autor tem domínio suficiente da escrita e do gênero dissertativo. No entanto, há problemas graves de linguagem e de conteúdo. No âmbito linguístico, o autor parece encarar a norma culta do português de modo equivocado, confundindo-a com um vocabulário supostamente erudito, mas de fato empolado e bacharelesco, retórico, no mau sentido da palavra. Toda a grandiloquência pretendida pelo autor, no entanto, não disfarça a falta de substância de sua argumentação, que pode ser expressa em poucas palavras: a corrupção se origina no mau caráter das pessoas, passa para o seu comportamento e pode ou não se tornar criminosa e endêmica, o que não é, segundo o autor, o caso do povo brasileiro, apesar dos estereótipos. De resto, sugerir que a solução para o problema apresentado é a esperança é deixar de lado o enfoque objetivo que se espera de quem pretende resolver problemas.

Aspectos pontuais

1) Segundo parágrafo: a) começa mal, fazendo volteios ou circunlóquios para explicar o significado da palavra corrupção, no mais puro estilo Rolando Lero. b) Erro de concordância: desvio de conduta deve ser reparado e não reparada. c) O parágrafo se encerra com mais circunlóquios para dizer simplesmente que há graus na corrupção: os menores e os maiores.

2) Terceiro parágrafo: O autor insiste em exibir um vocabulário empolado, com palavras como cediço, mantença e higidez. Contudo, isso não chega a encobrir a obviedade das afirmações feitas. É evidente para quem tem um mínimo de conhecimento histórico que as sociedades humanas são regidas por códigos morais e legais de conduta. É igualmente óbvio que sempre houve gente que não obedeceu esses códigos, sejam por imoralidade ou por criminalidade. Mas nem todo ato imoral ou criminoso é corrupção, no sentido estrito em que a palavra é utilizada no tema da redação.

3) Quarto parágrafo: é uma divagação, também marcada pelo pedantismo linguístico, que, em termos de conteúdo, também se reduz ao evidente: problemas que se tornam crônicos são mais difíceis de resolver ou ainda insanáveis.

5) Quinto parágrafo: a) erro de regência: constranger, no sentido de obrigar, exige a preposição a. b) Mais uma vez, além do pedantismo, o autor insiste em afirmar o óbvio: os honestos opõem-se aos desonestos.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,5
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,0
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,0
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 0,5
Nota final 5,5
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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