Sobre a cultura do estupro

NOTA 8,0

Estatísticas levantadas recentemente recentes apontam que, a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil, ao passo que Brasil. Igualmente, 58% das pessoas entrevistadas nessa mesma pesquisa acredita acreditam que a vítima teve uma parcela de culpa. "O que ela estava fazendo na rua a essa hora?", "Usando uma saia curta dessas, não poderia ser de outro jeito!", "Ele é homem, não controla seus instintos". Não faltam desculpas para legitimar e justificar o crime, sendo todas sem base e machistas.

Esse tipo de violência, muitas vezes, não tem nada a ver relação com a natureza masculina ou com necessidades sexuais mal administradas, mas está ligado ao pensamento de que a mulher é um objeto a ser consumido e dominado, um aspecto fundamental da cultura do estupro. Essa concepção faz parte da formação do indivíduo nessa nesta sociedade desigual. O garoto, desde a pré-adolescência, é incentivado a se relacionar com o máximo de garotas e trata-las tratá-las como uma mercadoria, e mercadoria e é aplaudido quando atinge essa meta. A garota, em contrapartida, aprende que "menina deve ter modos" e que não pode namorar muitos rapazes, a se vestir de determinada forma ou a não frequentar certos lugares, sob a pena de ser taxada tachada de vagabunda.

Sendo assim, a chave para mudar esse quadro é a educação, que tem o dever de ensinar que ambos os sexos são iguais, que todos merecem respeito e que o não da moça na balada não é charme, mas representa sua voz e seu direito de escolha.

Comentário geral

Texto muito bom. Evidencia que o autor conhece os mecanismos da argumentação e sabe debater ideias, além de expô-las com clareza e concisão, com os recursos linguísticos e ideológicos de que dispõe. Por outro lado, o texto se ressente de ser conciso demais. O leitor fica com a impressão que o autor não se esforçou muito. Antes, quis se livrar da tarefa o mais rápido possível. Dessa forma, a análise que ele faz do tema é apressada e só leva em conta um aspecto da questão, o cultural, deixando de lado aspectos sociais e psicológicos que podem estar envolvidos com a questão. Isso, aliás, fica claro na contradição explícita entre o fim do primeiro e o começo do segundo parágrafo, como veremos a seguir. Em termos de linguagem, vale ressaltar que o tom informal do autor não chega a prejudicar o texto, pois são poucas as vezes em que a informalidade é excessiva.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: a) Falar em estatísticas recentes não quer dizer muita coisa. Que estatísticas são essas? Em que fonte o autor se baseia para fundamentar toda a visão que ele tem do tema. b) Aqui o autor fala que todas as desculpas não têm base, mas quando vai justificar essa afirmação, no parágrafo seguinte, volta atrás e diz que nem sempre, somente muitas vezes, os estupros não são motivados por essas mesmas justificativas. Se alguém fala em muitas vezes, está dando a entender que nem todas as vezes. Com isso, o autor se contradiz. Pode parecer um detalhe sutil, mas, em termos de conteúdo, compromete muito a argumentação.

2) Segundo parágrafo: a) o muitas vezes, como mostramos acima, deveria ser simplesmente suprimido, de modo que o autor assumisse as suas premissas como válidas, para todo caso de estupro. Mas é importante lembrar que nem todo estupro é fruto dessa cultura: há psicopatas à solta pelo mundo, gente que é compelida a violentar por distúrbios da personalidade, por ter sofrido abuso na infância e adolescência, etc. Há outros aspectos que não culturais na questão. De qualquer maneira, isso não invalida o fato de que a vítima não pode ser culpada em nenhuma situação. b) Sociedade desigual é uma expressão vaga e imprecisa, que pode ser interpretada positiva ou negativamente. Uma coisa é a desigualdade proveniente da opressão, outra é a diversidade que forma as sociedades contemporâneas. Então, seria melhor deixar claro em que sentido o autor se refere a nossa sociedade desigual. c) Garoto, garota e vagabunda são termos excessivamente coloquiais. Era melhor expressar isso com palavras mais adequadas à norma culta.

3) Terceiro parágrafo: achar que a educação pode resolver completamente o problema é superestimar os poderes da educação. É uma solução coerente com a argumentação apresentada, mas facilmente questionável, porque insuficiente. Por exemplo, muitos afirmam que não basta educar, é preciso punir. A impunidade, afinal, não é um dos motivos que facilitam a ocorrência do estupro? 

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,5
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 2,0
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,5
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 1,5
Nota final 8,0
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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