Somos todos caminhoneiros

NOTA 8,0

O percentual de apoio ao movimento grevista dos caminhoneiros, de 87%, segundo pesquisa da Datafolha, é, provavelmente, um reflexo direto da insatisfação do brasileiro com a nossa política a política nacional. Talvez uma categoria nunca tenha sacudido o país de forma tão eficaz, envolvendo atingindo os mais diversos estratos e classes sociais. A greve atingiu sociais: desde feirantes ao alto escalão empresarial; dos mais necessitados aos mais abastados. Percebam que nem mesmo os altos preços, que chegaram à mesa da camada mais pobre, arrefeceram o apoio à categoria. Aliás, ela contou com a simpatia, justamente, da gente mais necessitada.

Fomos, todos, impactados, direta ou indiretamente, por um movimento que, na prática, exigia a queda no preço do óleo diesel, dentre as várias demandas que vieram a reboque várias outras demandas. Os trabalhadores alegam que o custo atual do óleo diesel torna inviável o transporte de mercadorias no país, provocando impacto direto no bolso de autônomos e de empresas do setor.

Na outra ponta da corda Por outro lado, temos um governo cada vez mais impopular, com políticas públicas que tiram as oportunidades do povo em favor de uma minoria e cujas medidas jogam o país, automaticamente, em novos endividamentos endividamentos, com reflexo direto na população. Independentemente de qualquer medida adotada pelo governo, em médio ou longo prazo, possivelmente as áreas de educação e saúde, mais uma vez, sofrerão posteriormente as consequências. Essas medidas tentam tapar o "rombo" deixado pela estratégia política optada adotada pelo governo. Sabemos que essa conta sempre chega para os mais fracos da outra ponta da corda corda.

A greve pode ser considerada inconveniente e até ilegal, mas não deixa de ser legítima, quando consideramos o nosso contexto econômico e política de preços atuais, que "corta na carne" dos caminhoneiros, bem como na do povo de um modo geral. Acusar o movimento desses trabalhadores de irresponsável porque conseguiu impactar o dia a dia da população em favor das de causas, ao menos para muitos, consideradas justas, torna-se irrelevante irrelevante, quando comparamos as várias benesses dos juízes, por exemplo, que outro dia fez fizeram um movimento paredista para manter o privilégio do auxílio-moradia. Este Isso, sim, um verdadeiro escárnio para com o trabalhador e brasileiros.

O país foi impactado por uma greve, cujos efeitos acabaram por levar a nação, de certa forma, a pensar na coletividade. Talvez esta essa seja a maior lição do movimento para os próprios trabalhadores e o povo brasileiro, que deve devem refletir sobre o poder que exerce exercem quando, em uníssono, aprende conjuntamente, aprendem que em coletividade com união é possível caminhar e conseguir dividendos benefícios em favor de muitos. Ainda que haja um longo caminho a ser percorrido.

Comentário geral

Texto muito bom, apesar de desnecessariamente prolixo. Há clara possibilidade de ser mais sintético, diminuindo redundâncias, como, por exemplo, a repetição de que fomos impactados pela greve no início do segundo parágrafo, uma vez que isso já fora explicitado suficientemente no parágrafo anterior. Além disso, a falta de coesão entre os parágrafos e a ambição de abranger os mais diversos aspectos da questão acabam resultando em divagações, que impedem que o autor se concentre na tese que ele pretende defender: a legitimidade da greve. De qualquer modo, o conjunto se salva, mas poderia obter uma nota melhor se fosse mais sucinto e objetivo. Vale ressaltar que, em termos de linguagem, há poucos problemas pontuais, de pouquíssima gravidade.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: a) é melhor não usar "nossa" aqui, pois o autor usa o "nós" para se referir à população, a qual está opondo aos políticos. b) Essa é uma referência inadequada aos leitores (percebam vocês...), até porque é a única vez que o autor abre esse diálogo com os leitores.

2) Segundo e terceiro parágrafos: as expressões em vermelho pertencem à linguagem informal e destoam do tom informal que o texto como um todo apresenta.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 2,0
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,5
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,5
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 1,5
Nota final 8,0
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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