Tome juízo, não partido!

NOTA 2,5

Na Idade Média, os parâmetros educacionais basearam-se na ideia divina, foi foram uma ferramenta de doutrinação ideológica. Até que, graças ao advento da evolução, a escola passou a ser, teoricamente, laica e livre à a todos os pensamentos. Porém, a proposta Escola sem Partido, a ser aprovada - ou não - pelo senado Senado, afirma, sem provas ou pesquisas, que há ainda sombras de imposição ideológica no ensino brasileiro.

Antes da escola ser da população, ela é do governo; o governo é formado por partidos; a escola, portanto, é do partido. O silogismo aristotélico é capaz de mostrar que a redundante proposta é invalida inválida. Não há como não discutir a política, pois, o próprio meio de propagação da educação é através das decisões do governo.

Ainda, como por Aristóteles foi sabiamente colocado, colocado: "O Homem, por natureza, é um animal político". Há a necessidade intrínseca de tomar parte das decisões de seus governantes. Por isso, é papel do professores, enquanto formadores de opinião, auxiliar os jovens por meio de discussões políticas argumentativas, mostrando sempre ambos os lados, para formarem cidadãos lúcidos às mudanças desse cenário.

É inegável que possam ocorrer doutrinações, porém, proibi-las do meio acadêmico é, no mínimo, estupidez. A proposta deveria estimular tais discussões e capacitar os professores para que sejam imparciais. Também seria necessário que os políticos deixassem suas confortáveis poltronas no senado Senado e participassem ativamente nesses debates. E, principalmente, a população deveria se ater às propostas e participar ativamente da política nacional e assim construir um pais país justo, consciente e íntegro.

Comentário geral

Texto Fraco, marcado por muitas confusões, desde o título, que contradiz o texto, no segundo parágrafo, ao afirmar que a escola é do partido. Há erros gramaticais de concordância e regência, mas, em termos de linguagem, o que destaca é uma má escolha e combinação das palavras para formar sentenças que tenham um mínimo de clareza ou de objetividade. Finalmente, o texto é ambíguo como um todo ao afirmar que a escola é de um partido e que ela deve ser imparcial. As duas palavras vêm do latim pars = parte. O partido é uma parte da sociedade. Imparcial é sem parte, sem partido.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: a) O autor ouviu falar do teocentrismo medieval e tentou aplicá-lo ao parâmetros educacionais medievais. Mas isso não significa que a educação na Idade Média seja baseada nas ideia divina. E o que significa ideia divida, uma ideia que Deus teve? A ideia que os homens têm de Deus? Então, o texto começa mal, com ambiguidade e equívocos históricos. b) É difícil saber o que o autor quer dizer com o advento da evolução. Por evolução, em geral, fala-se do evolucionismo darwinista, cujo advento remonta à origem da vida na Terra, o que aconteceu milhões de anos antes da Idade Média. d) Por que sombras? Aparentemente porque o autor quer dizer resquícios da doutrinação ideológica do passado e por passado ele aludiu ao passado medieval. Certamente não é a propagação do teocentrismo que vigora nas escolas hoje. A Escola Sem Partido fala em doutrinação ideológica e bastava o autor usar essa expressão.

2) Segundo parágrafo: a) o silogismo que o autor constrói é completamente errado. A premissa maior (antes de ser da população, a escola é do governo) não é um fato estabelecido, como por exemplo: todo homem é mortal. A premissa menor (o governo é formado por partidos) é correta. Mas dessas duas premissas não decorre que a escola seja de um partido (o autor usou o singular aqui). Em outras palavras, seu raciocínio é um sofisma e não um silogismo. Sem falar que não se trata só de escolas públicas. b) As decisões do governo educam a população? É isso que o autor está afirmando? A frase é altamente ambígua e se presta a várias interpretações. Atenta contra a clareza que um texto deve ter. O pensamento do autor parece resvalar para o fascismo, quando coloca a população como insignificante em relação ao  Estado. c) Às vezes, há mais lados do que apenas dois em todas as questões.

3) Terceiro parágrafo: da citação de Aristóteles, não decorre que todos tenham de participar das decisões dos governantes hoje e sempre. Os alunos de uma escola podem aprender política, mas nem por isso participarão das decisões do governo. Numa democracia representativa, são os representantes da população (no Brasil, deputados e senadores) que participam das decisões do Poder Executivo. d) Era melhor falar em conscientes, em vez de lúcidos. Você toma consciência de algo, mas não se torna lúcido a algo. e) Por esse cenário pode-se entender qualquer coisa e não só o cenário político.

4) Quarto parágrafo: a) a proposta está estimulando discussões. Houve votação no site do Senado, cujo plenário vai ou está debatendo o projeto de lei, muitos educadores se pronunciaram nos meios de comunicação e até a proposta de redação se baseia nesse debate sobre a Escola Sem Partido. b) Nem todos os políticos estão no Senado: só os senadores. Deixar as poltronas do Senado é uma expressão equivocada: é principalmente nas poltronas do plenário do Senado que os senadores debatem qualquer tema.

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 0,5
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 0,5
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 0,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 0,5
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 0,5
Nota final 2,5
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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