Viveremos de ilusões ou de verdades?

NOTA 2,5

A sociedade mundial tem enfrentado inúmeros problemas, e problemas e têm-se experimentado muitas ideologias e formas para solucioná-los, somada essa realidade ao efeito da comodidade mental em massa causada pela reação do pós-verdade, arma-se um cenário propício para um caminho obscuro.

Tanto na recente eleição de Donald Trump como presidente dos EUA, como o no plebiscito popular do Brexit, percebe-se que o povo fez escolhas que, contrárias a à opinião de uma outra grande parcela do eleitorado, e até mesmo de especialistas, não foram boas. Tomaram essas opções por conclusões muito simples e superficiais, em comparação com tudo que está envolvido.

O princípio da solução está na população, que por desenvolver uma visão mais crítica, menos acomodada, de perceber e analisar os fatos, tem mais condições de, por exemplo, ao observar candidatos em suas campanhas eleitorais, ou em momentos de decisão importantes como o Brexit, usem usarem de discernimento, ao observar os argumentos ou propostas apresentadas. Diante de algumas delas, uma simples análise ou pesquisa demonstra uma distorção de fatos ou verdades, expondo expondo, assim, mais ou menos credibilidade do candidato ou proposta.

Os cidadãos, portanto, tendo esse conceito mais perspicaz e atento, automaticamente induzirá automaticamente, induzirão a mídia a ser mais franca, menos propensa a manipulação, passiva ou ativamente, trazendo informações mais cristalinas. Por consequência forçando os candidatos a não usarem desses meios fantasiosos, deturpando a verdade para se promoverem. Restando, mais os fatos verídicos que é o que realmente importa para um rumo consciente.

Comentário geral

Texto fraco, principalmente pelo fato de o autor se expressar de forma confusa e de não conseguir dizer o que quer. O leitor até depreende as ideias do autor, apesar da falta de clareza. Mesmo assim, a reflexão que o texto apresenta é rasa: segundo o autor, basta analisar a realidade para não cair no mundo do pós-verdade. A questão, no entanto, é que as pessoas não fazem isso por preguiça de raciocinar, por se deixar levar pelas emoções, por tomar partido de acordo com simpatias, em vez de fazê-lo por meio de escolhas racionais. Então, a solução que o autor apresenta é insuficiente. Mas há outros problemas, como julgamentos de valor bastante questionáveis, como veremos a seguir.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: a) A rigor, uma ideologia não é solução para um problema. Além disso, a palavra ideologia tem vários signifcados e é difícil saber em que sentido o autor a usa aqui. Formas também é uma palavra muito vaga. Que tipo de formas ou autor tem em mente? b) O parágrafo se encerra de modo completamente confuso: como a solução de problemas se soma a um efeito da comodidade mental em massa causada pela reação do pós-verdade? Qual é esse efeito? O que é comodidade mental? O que significa reação do pós-verdade? Que a pós-verdade reagiu a algo ou que alguém reagiu à pós-verdade?

2) Segundo parágrafo: a) plebiscito popular é, quando muito, um pleonasmo desnecessário. b) A rigor, ainda não dá para dizer que as pessoas erraram. Não se sabe o que acontecerá ao Reino Unido e à Europa após o Brexit, nem como será o governo Trump. Esse é um julgamento que antecede as consequências de ambos os fatos, as quais ainda não ocorreram. c) Quem garante que as pessoas votaram como votaram por ter feito uma análise superficial do problema? Como o autor da redação pode avaliar a consciência individual dos votantes para fazer uma afirmação como essa?

3) Terceiro parágrafo: a) o problema está no modo como a população pensa, logo a solução é ensiná-la a pensar "corretamente". Mas aí é que está o X da questão da pós-verdade: as pessoas costumam se valer mais da emoção do que da razão para acreditar em algo. Como resolver esse problema específico? O autor não diz. b) Além de sugerir um método ineficaz, o autor fez isso de um modo muito tortuoso, numa frase muito mal escrita, porque desorganizada e obscura.

4) Quarto parágrafo: a) Não se trata de a população ter um conceito mais perspicaz e atento. Trata-se de ela ser mais perspicaz e atenta ao analisar suas escolhas. b) Franqueza é uma qualidade pessoal, que não se aplica bem a entidades como a imprensa. Talvez fosse melhor falar em honestidade. c) O termo cristalino também foi mal empregado. O autor quer dizer que a imprensa deve trazer informações mais dignas de crédito, não que elas sejam apresentadas com uma linguagem que tenha a transparência de um cristal, uma transparência cristalina. d) O final é ainda mais confuso. Aparentemente, o autor diz que se as pessoas forem mais perspicazes e atentas, a mídia será mais honesta e isso vai forçar os políticos a não mentirem. Será? Será que se pode estabelecer tão diretamente essa relação entre pessoas, mídia e políticos? e) A sintaxe e a escolha do vocabulário na última frase é péssima. O termo restando, no começo, não faz o mínimo sentido. E o que é um rumo consciente? Uma direção capaz de perceber para onde ela vai? 

Competências avaliadas

Itens Nota
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 0,5
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 0,5
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 0,5
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 0,5
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 0,5
Nota final 2,5
Saiba como é feito a classificação das notas
2,0 - Satisfatório 1,5 - Bom 1,0 - Regular 0,5 - Fraco 0,0 - Insatisfatório

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